Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Ago 12

Os homens que correm entre os carris da dor

na esperança que o comboio da solidão

que curiosamente anda sempre atrasado

na esperança

que os silêncios dos lábios amargos da noite

poisem docemente sobre as abelhas do tesão

quando do púbis do amor

um dos homens se transforma em telemóvel

descartável

e recarregável

e do húmus

o corpo do homem roça-se numa esquina de esperma

 

os homens

perdidos nas garrafas de vodka

que os marinheiros dos sonhos

deixaram no cais da saudade

 

e os barcos de papel arderam quando acordou a lua

e as mulheres sem coração

espreitaram à janela

 

juras finíssimas de amor

nas mortalhas da Calçada da Ajuda

e os pombos comiam-me as palavras do caderno preto

e os pombos

entre os carris e os homens e a dor e o comboio da solidão

 

todos.

 

Todos engasgados no corpo do homem travestido de telemóvel

com os braços de madeira

e as pernas construídas com as gotinhas de esperma

que sobejaram da esquina da morte...

 

(É isto a vida?)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:20

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