Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

28
Ago 12

Esqueci-me de acordar

e de abrir a janela da manhã

como sempre o faço

desde que o mar deixou de visitar-me

antes de nascer o sol

muito antes...

muito antes de todas as luzes da cidade se extinguirem nos alvéolos do cansaço

o fumo do meu cigarro

recomeça nas profundezas dos socalcos pregados aos cortinados da montanha

o rio vomita faiscas de palavras que ninguém lê

e que todos prendem ao horizonte desgovernado e invisível e doente

muitos antes

os milhões de fantasmas que dormem nas ruas da cidade inventada

com um rio inventado

com mares e barcos e velas

inventadas

nas mãos de um mendigo

eventualmente

ausente das tardes de insónia

como o amoníaco dentro das paredes de vidro

muito antes...

muito antes de eu ser um velho marinheiro

deambulando pelos trilhos dos oceanos de luz

ausentes

ausente na minha própria manhã

e de abrir a janela

como sempre o faço

e hoje

e hoje me esqueci

e hoje

e hoje fiquei sem manhã

como sempre o faço

e hoje

e hoje não tive forças para a abrir

e olhar

e olhar o silêncio da paixão...

nas flores do amor

dos sorriso de mar

que são os olhos da saudade.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:21

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