Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

06
Set 12

Sossego

entre as palavras caídas

das nuvens de veludo púrpura

à boca

sossego dos lábios incandescentes

quando do desejo cresce a vergonha de olhar o céu

louca

a manhã em ressaca depois da noite murmurada em poemas doentes

às palavras indesejadas

à boca

louca

majestosos cansaços nos pilares da morte

 

louca

 

sossego

quando escreves na minha lápide invisível

(aqui jaz um grande filho da puta)

eu

em sossego

entre as palavras caídas

das sandálias com tiras de couro

e um triciclo de madeira

esquecido

magoado

triste debaixo das mangueiras trucidadas pelas balas sem destino

eu menino

voo sobre o musseque de incógnitas e equações clandestinas

 

louca

 

a boca

a tua boca

quando engole o meu corpo em pequenos recortes de jornal

 

à boca

a louca clandestina memória da infância

 

(aqui jaz um grande filho da puta)

 

um menino em calções que sonha roubar o mar de Luanda...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:59

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