Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

25
Set 12

Quando sorri o sol

acorda uma nuvem

e o desejo da noite

sobressai nas entranhas da lua

 

a singela madrugada em flor

galgando ruas e calçadas

comendo poetas em dor

(escrevendo no chão molhado poemas de “merda”)

 

a singela madrugada em flor

à porta dela

vomitando palavras de amor

nas encruzilhadas

molhadas

que as mandíbulas do oceano

crescem nas árvores cansadas

que amanhã

o outono

tombará

como os sinos de luz

suspensos na água dos teus cabelos

 

quando sorri o sol

e nos teus olhos de mar

uma nuvem de esperança

sobressai nos teus lábios

como se nos dias de lua cheia

todos os barcos rompessem a neblina das tardes sem destino

a casa cai

tomba como as folhas das árvores

e cobre os poemas escritos no chão molhado das oliveiras em flor

e tudo

quando sorri o sol

e na tua mão poisa um coração de diamante...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:26

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