Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

08
Abr 11

O cadáver de um poema

Exposto sobre a mesa

Nas paredes crucifixos arrogantes

Crucifixos com fome

 

Das palavras em decomposição

Apodrecidas sobre uma folha de papel

O cadáver

Aos poucos em pó

 

E do poema apenas a luz do dia

Repartida pelas clareiras da noite

O cadáver de um poema

Que se esconde nas frestas da solidão

 

Exposto sobre a mesa

Misturado com os óculos embaciados

O poema chora

E das lágrimas soltam-se palavras no fim da tarde

 

O poema sofre

O poema morre

O cadáver de um poema

Poisa na minha mão

 

E nas minhas costas

As palavras agarram-se-me nos ossos

Comem-nos ao pequeno-almoço

Fico cadáver como o poema…

 

 

FLRF

8 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:01

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