Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Out 12

És construída de medos

enraizados nos silêncios azuis que a noite sem destino

tece nas palavras que habitam os poemas,

 

toco-te e acaricio o papel de veludo dos teus cabelos

dentro do sorriso das estrelas

no centro da cidade

sem perceber que choras

e estás triste

cansada talvez

talvez moribunda como os relógios empoleirados nas árvores de domingo

quando a tarde mergulha no espelho do guarda-fato,

 

escondes-te no quarto escuro

negro como o universo infinito

das rectas paralelas

os carris da solidão

abraços

beijos

um simples olhar nas persianas do teu peito

bate o teu coração sem destino

furioso porque estupidamente eu caminho sobre o mar invisível

construída de medos

silêncios muitos

beijos,

 

eu

eu o homem de palha com cabeça de vidro

perdido na margem do rio

à procura da tua mão

deliciosa no meu rosto embaciado pela neblina da paixão

o teu corpo estremece na terra húmida que o púbis da literatura

escreve na madrugada

sem olhar para a lua da tua boca.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:54

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