Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

09
Abr 11

Eu pescador

Sem corpo para habitar

Sonâmbulo do movimento rectilíneo uniformemente acelerado

À procura dos duzentos e seis ossos junto à maré

 

E a maré

Um chuto no cu

Manda-me trabalhar

Eu pescador

 

Sem embarcação

Sem barco para atracar

 

Eu pescador

Ateu e dissidente de esquerda

Preciso já

É urgente ter um cadáver

 

Um corpo para brincar

Um sorriso onde me agarrar

Uma rede para lançar ao mar…

E a maré

 

Eu pescador

Sem corpo para habitar

Sem deus para me zangar

E chamar-lhe nomes feios

 

E atirar-lhe com os meus duzentos e seis ossos às fuças

Desenhar-lhe caretas na areia

Fazer-lhe festinhas nas trombas…

Eu pescador

 

Eu pescador perdido junto ao mar

Abandonado por deus

Com duzentos e seis ossos e alguns em bom estado

Com duzentos e seis ossos para penhorar…

 

 

FLRF

9 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:58

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