Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

20
Nov 12

Perdi as minhas mãos

na seara do medo

e proibiram-me de acariciar os teus lábios de centeio

quando o teu corpo se veste de bola de luz

e perde-se na infinita noite,

 

Ouvi dizer que apareces dentro de um cubo de vidro

à janela da lua

e o teu corpo mergulhado nas palavras

anoitece no meu peito como se fosse um pedaço de aço

ou um vulcão em desejo,

 

Sinto-o dentro da porta da escuridão

os seios metamorfoseados nas esquinas tristes da cidade

há árvores nos teus olhos cansadas de viajar

e procuram incessantemente as nuvens de mar

que deus constrói nos alicerces das tuas coxas em delírio,

 

Perdi as minhas mãos

e deixei de sonhar depois de partires para a infinita madrugada

onde te escondes distraidamente no espelho das lágrimas voláteis

da mesa onde poisam os livros embrulhados em poeira

mesuradamente do pavimento da insónia,

 

Ouvi dizer

que as minhas mãos

(perdi as minhas mãos)

voam sobre a cidade cinzenta na ceara do medo

nos lábios mordidos pelas sílabas do poema em dentes de fúria adormecida,

 

Sinto-os dentro da minha boca

os teus lábios sibilados

em voos nocturnos dentro dos lençóis do medo

a voz cansada do sexo entra nas fendas do gesso embainhado pela solidão das horas

e lá fora chovem círculos de luz com finíssimos sons em gemidos deslocados no tempo,

 

Perdi as minhas mãos

(e sou tão feliz por te amar das palavras)

à janela da lua

a viagem sem destino

que um homem sem mãos escreve nos socalcos de xisto...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:22

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