Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Dez 12

ensonados nas asas brancas da morte

os pássaros tristemente apaixonados

em busca da sorte nas frestas invisíveis do granito esmigalhado

ensonados

todos os silêncios que habitam nos quartos escuros sem janelas para o mar

quando barcos malvados

de corda ao pescoço

ensonados

enforcados

no profundo poço,

 

sem nome

com fome

o menino da batina encarnada e calções às mesquinhas

rabugento

o infeliz momento

do tristemente apaixonado

vento lácteo em perfis de cimento

tracejando sombras nos lábios dos travestidos barcos de esferovite

espera impaciente a viagem

que a ponte de aço o leva até à morte,

 

a boca alaranjada do pirilampo ensanguentado

em palavras de miséria

murmuradas

das mãos tuas jangadas esperadas

matas-te como se o vento fosse uma simples frase de amor

um jardim em flor

sem nome

com fome

o homem

nas cordas ensonados das asas brancas da morte.

 

(poema não revisto)

 

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:21

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