Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

22
Dez 12

Quatro drageias de pólen embebidas em cianeto

para quatro homens de barro

mergulhados no poço da solidão

sem perceberem

 

eles

elas

nós

 

sem perceberem que o vulcão do silêncio morre lentamente

na mão malmequer do jardim abandonado

sem flores

quatro árvores de papel

 

um condenado

embriagado nas tuas palavras sem janelas para as rimas deixadas sobre a mesa

um prato de sopa

às cabeçadas entre as migalhas de pão

e a cozida cebola

que cintilam pedaços de pálpebras e corações grelhados com molho de paixão

 

amanhã vai estar frio

tem cuidado...

amanhã vai chover

não te molhes...

e ninguém

e ninguém me avisa quando vem a fome

e me diz

queres um prato com sopa?

 

uma folha de couve?

não senhor

não oiço

não bebo

não fumo

fodo às vezes quando calha

 

e quando calha

sou uma drageia de pólen embebida em cianeto

deitada sobre a mesa do pequeno-almoço

à espera

pacientemente

que um louco de barro me coma

e morra

e me leve para a montanha das quatro portas invisíveis.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:24

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