Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

25
Dez 12

A casa louca às quatro paredes invisíveis

que o deserto africano constrói

sobre o cansaço adormecer de uma árvore voadora

e a triste saudade que uma simples folha de papel tece

na boca inocente do morcego

há noites que comem as outras noites incompletas pela imensidão arte do esconderijo

sôfrego

sofrido mendigo do prazer amigo

 

há ainda noites

separadas

amantes

dramatizadas

viúvas

casadas

 

doentes

sofridas marés de solidão

que os barcos do desejo rompem

esmagam

nas planícies faces xistosas da pele de uma abelha

à procura desenfreadamente pelo regresso das vozes de granito

 

não sei

eu

a casa de ramos e esterco empilhados sobre as camas do abismo

janelas sem guardião

portas de entrada sós

uma mulher com asas

não sei

eu

 

na fogueira mãe abraços

em brasas de sémen do tecto do palheiro

as teias de aranha cinzentas empobrecidas pelo fumo do cachimbo de prata

lata

que a noite comida pela noite anterior

deixou ficar

abandonada

sobre a mesa de quatro patas

o amigo o cão amigo de areia

à espera do mar que incendeia

que semeia os penhascos incensos do amor proibido

a lata inseminada pela cerveja fumegante dos espíritos às insónias molduras

 

quatro simples fotografias

eu

ele

ela

e a manhã em que me despedi de Luanda...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:39

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