Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Dez 12

Roubo às palavras ditas

palavras escritas,

 

a melancolia

quando acordo não percebendo que acordei

e tropeço nas areias húmidas das rochas incendiárias

e não sei que o dia compreendia

a enormíssima porcaria

de fato e gravata

que é o doutorado diabo

em silêncios mergulhado

torturado por uma velha de mãos efémeras em cio

com um sorriso na veia

maldita mulher que o vento semeia

nas coxas exaustas das tempestades de areia,

 

Roubo às palavras ditas

palavras escritas,

 

e eu sabia

que um dia

me fodia

acreditando nas palavras desertas

hirtas e difusas

e eu sabia

que um dia

um velho dia

ele vinha

me pegava

e me levava

até aos confins olhos das amêndoas que jazem nas cinzentas lajes do oceano,

 

Roubo às palavras ditas

palavras escritas,

 

e sento-me sobre as nádegas do amor

sou feliz

talvez

um pouco

muitas vezes dentro de um prato de sopa

a tua simples madrugada

em gaivotas voadoras

loucas

que a tua boca de papel amarrotado

dissimila

e deita-se nas celestes luzes das cidades de vidro

a dita palavra escrita dita roubada em quatro segundos de voz,

 

P.S.

Roubo às palavras ditas

palavras escritas.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:27

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