Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

14
Mai 13

foto: A&M ART and Photos

 

Dissimulávamos-nos entre as raízes poeirentas

dos velhos candeeiros a petróleo

deitávamos-nos sobre uma velha secretária em madeira apodrecida

e rezávamos

como personagens de um livro de insónias sobre o divã da saudade

percebia que os teus olhos

os olhos meus contra a cortina de fumo que alimentava o eterno silêncio

desejo

desejando palavras indesejadas

como nós

havíamos um dia de recortar as imagens das nossas cartas perfumadas

e suspendê-las ou decalcá-las... ou simplesmente... queimá-las contras os vidros das janelas do Outono,

 

Havia um corpo ancorado ao teu

que confesso... nunca percebi a sua história de cadáver sem sonhos

voando entre as montanhas dos pássaros encarnados com telhados de vidro...

ouvia

ouvíamos os ossos do esqueleto incompleto das tuas coxas ranger como gonzos

durante a noite construída em mentiras

e falsas imagens

com legendas tridimensionais

incolores

sofredoras como os bancos de madeira onde nos sentávamos...

que coisa... esta nossa vida

de equação de Einstein...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:00

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