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Cachimbo de Água

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O gato “Orlando”

Francisco Luís Fontinha 25 Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Um círculo de espuma

no centro sombrio de uma tela mergulhada em insónia

junto à fronteira que separa a noite do dia

o mar rasurado misturando-se em lágrimas e pequenos silêncios de papel...

e de um sofá submerso em sonhos pincelados de sal... ouve-se o gato “Orlando” em gemidos de sono,

 

Ele inventa a madrugada sobre os telhados de Lisboa

e pinta nas manhãs de neblina a paisagem invisível do rio envergonhado

atravessado por uma ponte rabugenta

enferrujada pelo vento das nortadas entre despedidas e desejadas barcaças

derramando a solicitude em palavras abstractas e insignificantes,

 

O desejo em tua felina pele voando sobre as árvores do Tejo

confunde-te com gaivotas e pernaltas em pétalas de açúcar

barcos apaixonados

e astronautas

e no final do dia dizes-me que no Sábado vais ficar ausente de mim,

 

Habituei-me às tuas garras sobre o meu peito em papel-cartão

marinheiro tu saboreando sorvetes de chocolate como broches na lapela do mendigo artista

dormindo sobre a calçada e desenhando nos teus tornozelos as equações trigonométricas da paixão

e procurando ângulos no negro quadro separando a parte real da parte imaginária

os números complexos em ti descendo o corpo do círculo de espuma,

 

Estás nua

geada de sémen em migalhas de areia

correndo esquinas e travessas em madeira

pilares e vigas

e sorriso algum emerge dos teus lábios de cidade adormecida... vadia e prostituta.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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