Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

03
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Não percebo as angústias dos teus braços, é sexta-feira e lá fora chove, e todas as flores do nosso jardim, hoje, hoje não estão, bato-lhes à porta e parecem ausentes, ou doentes... ou preferem não me reconhecer durante a viagem ao inferno dos teus sonhos, tenho portas metálicas que me obrigam a esconder da luz original das madrugadas onde tu

Eu deitava-me sobre os embondeiros dos teus olhos, abrigava-me como pétalas e mesmo assim, sabia que tu

Que eu?

Que tu continuavas a mentir-me, que tu

Que eu?

Que tu continuavas a escrever nas nocturnas meninices com o cabelo apanhado e enrolado sobre os bronzeados comestíveis peixes do aquário que durante anos tivemos na sala de jantar, hoje

Hoje?

Hoje, ontem, talvez amanhã...

Hoje, que... eu?

Hoje, ontem, talvez amanhã... sexta-feira, meia-noite nos teus lábios, o pêndulo tresloucado contra a trave em madeira que sustenta o tecto, do aquário os peixes de brincar adormecem nas mãos deles, e os ponteiros de ti... adormecidos entre as três horas e as três horas e quarenta e cinco minutos, indeciso, não o sei

Desisto?

Não Desisto?

Hoje?

Que tu continuavas a mentir-me, que tu

Que eu sofro porque deixei de observar as estrelas sobre o mar, que eu sofro por

Tu continuas a mentir-me,

Tu

Tu que eu sofro por não adormecer devidamente como as nossas plantas da varanda das traseiras, porque

(Para que serve esta porcaria, saberás responder-me?)

Porque os rios são de seda, porque as árvores são de papel... porque eu

De pano, achas que eu sou de pano?

Talvez de entretela... estranha manhã a tua antes de acordares e me venderes o primeiro e o último beijo do dia, um por dia, trinta e cinco euros, e a vida parece sorrir-lhe até que regressou um veleiro de lá e trouxe a tempestade de abelhas que devoraram todas as plantas

Da varanda das traseiras?

As plantas que não quero, as plantas que não me interessam... e o cansaço encontrou-me debaixo da meia-noite, despeço-me de sexta-feira e entranho-me no sábado...

Normal?

(Para que serve esta porcaria, saberás responder-me?)

Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras?

Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras? Da varanda das traseiras?

(Para que serve esta porcaria, saberás responder-me?) e

Desisto?

Não Desisto?

Hoje?

Que tu continuavas a mentir-me, que tu

Que eu sofro porque deixei de observar as estrelas sobre o mar, que eu sofro por

Tu continuas a mentir-me,

Tu

E,

… cansaço sono amargura sofrimento solidão loucura... tudo, tudo, menos as plantas da varanda das traseiras,

Essas, essas, não...

… cansaço sono amargura sofrimento solidão loucura... tudo, tudo, menos as plantas da varanda das traseiras,

Essas, essas, não... cansaço sono amargura sofrimento solidão loucura... tudo, tudo, menos as plantas da varanda das traseiras,

Essas, essas, não... cansaço sono amargura sofrimento solidão loucura... tudo, tudo, menos as plantas da varanda das traseiras,

Essas, essas, não...

 

 

(não revisto – ficção – Alijó)

@Francisco Luís Fontinha

Terça-feira, 3 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:17

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