Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

07
Out 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Um corpo estaticamente só, um corpo submerso nas sílabas do desejo, um corpo entre montículos de saudade e rochas de insónia, uma luz alimenta este corpo, um espelho alimenta a luz que alimenta este corpo, um corpo... não é um corpo, um corpo vazio, solidificado, um corpo voando sobre a montanha da solidão,

Vens à janela, abres-te e sentes o vento em ti,

Um corpo inocente coberto pela espuma volátil do incenso, um corpo de água, só, um corpo cintilante, um corpo

Ausente?

Dorido, que não sente o corpo em corpo das flores...

Um corpo estaticamente só, um corpo submerso nas sílabas do desejo, um corpo entre montículos de saudade e rochas de insónia, um corpo poisado sobre o peito de um homem...

A imagem emagrece o corpo, a luz que alimenta este corpo, é alimentada por um outro corpo,

E o espelho depois de ser corpo.

Imagem, flutua sobre as vértebras do cansaço, e és transparente como as noites vestidas de negro, e és desejada como os pilares de areia das madrugadas em delírio, despes-te e olhas-te no espelho

(alimento a luz que alimenta o corpo)

O teu,

Quero ser um pedaço de montanha, ou um veleiro agasalhado de lareira acesa, caminhar junto a um rio com dentes em marfim, um corpo belo, desejável, um corpo em decomposição, a parte física sobre a mesa-de-cabeceira e a parte invisível dentro de mim, dentro da trovoada, das nuvens envergonhadas quando a luz ejacula sobre o abajur da tristeza e eu

O teu corpo é teu?

(alimentado pela luz que alimenta o corpo)

Desculpem... morri,

Um corpo de água, só, um corpo cintilante, um corpo

Ausente?

Quero ser o vestíbulo que habita no teu quarto secreto, a cabeça onde poisa o ombro, também ele... secreto, todo o corpo teu não existe, nunca apareceu à janela do meu castelo, o teu corpo é um embuste, falsificado, o ilustre Doutor das clarabóias domésticas que a tua mão abraça,

Quero o ser como são as palavras antes de escritas, aquelas que são pensadas e que por

Vergonha?

Pudor?

Um corpo belo esconde-se no interior de um cobertor, invento marés e mesmo assim

Não o consigo, não sou capaz que te dispas e fiques só corpo, só

Pudor?

Vergonha das palavras que tenho medo de escrever, vergonha dos beijos que tenho medo de desenhar na parede dos teus seios, o teu corpo, meandro sabático das sandálias em couro, os calções parecem perdizes brincando nos patamares no coração do Douro,

Vamos jantar?

Comer o teu corpo, ele, apenas ele... dentro do prato cerâmico, outrora em alumínio, hoje mendigo, o espelho que alimenta a luz ou a luz que alimenta o teu corpo, e uma corda feliz saltita nas mãos de uma criança...

 

(ficção – não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 7 de Outubro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:17

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