Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Out 13

foto de: A&M ART and Photos

 

a água dilacera-se nos caminhos da minha mão teimosa

agreste

triste

defeituosa

a água entranha-se nos meus ossos apodrecidos

findas as crateras dos vulcões da tua insónia

agreste

triste

sinto-os mergulhar nos Oceanos de cartão

como peixes plastificados como livros esfomeados

sinto-os gritar enquanto uma manhã acorda e me atormenta como um sôfrego mármore

sobre a lápide da inocência

 

a água é apaixonada pela terra despovoada

e chapas em zinco dormem como cogumelos debaixo das árvores com boca em porcelana

a água é um transeunte de sobretudo e sapato bicudo

caminha junto ao rio

não tem no rosto sorrisos

é carrancuda

e padece de juízo

como janelas com gradeamento em palavras nauseabundas

a água chora

a água é obrigada pelo homem com olhos de solidão

a brincar com bolhas de sabão

e a inventar madrugadas sem pão

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:13

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