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Cachimbo de Água

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A voz poética

Francisco Luís Fontinha 11 Mai 11

A voz poética e inspiradora, e quando ele triste, ouve incessantemente esta música, e adormece embrulhado nas palavras, agarradinho aos sons melódicos… e espera a chegada da manhã.

Sobre a mesa-de-cabeceira ele guarda os óculos que o ajudam na procura das palavras quando estas vêem até à janela e da janela voam até ao espelho pendurado numa parede triste, numa parede feia, numa parede velha, esta música ajuda-o na viagem até às galáxias mais distantes e fora do nosso universo, deus sentado no fim de tarde, juntinho ao cais, à espera das ondas que vêem de longe e vão para longe, levam bálsamos lábias no esquecimento da sombra das árvores que gemem no mostrador de um relógio de pulso,

- Ai que frio,

Balançam na tarde em termino e sacodem os pássaros irritantes que poisam nas suas costas, choram, tremem na incandescência dos minutos perdidos com uma conversa perfeitamente estúpida, perfeitamente sem nexo,

- Que importa se deus criou ou não o universo?

Ai que frio.

A voz poética e inspiradora, e quando ele triste, ouve incessantemente esta música, e adormece embrulhado nas palavras, beija-as no silêncio da noite e o som entranha-se dentro dele, e das palavras crescem flores, e nas nuvens um poema despe-se, sorri e juntamente com as palavras olham deus sentado junto ao cais…

 

 

 

(texto de ficção sobre a música, Simple Words - Fingertips)

Luís Fontinha

11 de Maio de 2011

Alijó

(http://youtu.be/1fsyeauLv7Q)

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