Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Mai 11

Tenho qualquer coisa de estranho dentro de mim

Uma angústia que me pica

Dois vectores que habitam o meu corpo

Adiciono-os e multiplico-os

 

E nas minhas costas cresce uma matriz transposta

Ordinária que durante a noite me acorda

Tenho qualquer coisa de estranho

E o estranho sou eu

 

São as minhas mãos

Os meus braços

São os meus lábios…

Porque tudo o que me pertence

 

É estranho

Simples como a noite

Objectos suspensos na minha janela

Quando o meu quarto nem janela possui

 

Quando eu sem quarto

Porque a minha casa é estranha

E às vezes sinto que ela em lágrimas

Sorri para a rua

 

Tenho qualquer coisa de estranho dentro de mim

Uma angústia que me pica

 

E hoje chuva

E hoje nuvens

E hoje eu estranho

Dentro da angústia que me pica…

 

 

Luís Fontinha

26 de Maio de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:32

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