Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

23
Nov 16

Escolho-te pelas desventuras dos segredos proibidos.

Escolho-te pela vaidade das madrugadas sem dormir,

Quando no horizonte se esconde uma andorinha selvagem, triste, sonolenta…

Escolho-te pelas nuvens de prazer que sobrevoam as cidades desertas, e cansadas.

 

E dos fantasmas as alegrias do teu olhar,

Escolho-te pela luminosidade da alvorada antes de acordar,

Golpeando a terra abandonada,

E fria da solidão…

Escolho-te porque nascem estrelas no teu sorriso de silêncio adormecido,

Quando não vêm as lágrimas do destino.

 

Escolho-te quando na minha mão poisas, brincas, saltitas como uma criança.

Escolho-te nas tempestades do deserto,

Ou nas ribeiras descendo a montanha…

E quando te escolho… acorda o dia no meu relógio sentado à lareira.

 

 

Francisco Luís Fontinha

23/11/2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:49

01
Nov 16

Odeio a alvorada

em descidas bruscas

quando oiço no longínquo amanhecer

o cantar dos pássaros,

regressa o silêncio,

ergue-se a morte do esconderijo da montanha

sem que tu percebas o significado de envelhecer…

odeio a alvorada

no meu pulso transversal

escrito no quadriculado papel da ausência,

e da loucura do teu olhar

que também odeio

aparecem as imagens prateadas do sono…

odeio a alvorada

em descidas bruscas

no alpendre tua solidão,

a seara arde,

a centeio aconchega-se no teu colo

como uma criança perdida,

desorientada

e triste,

odeio,

odeio a alvorada

que traveste o teu sorriso de grinalda

quando lá fora chove torrencialmente,

a as lágrimas são pedacinhos de sombra

galgando o areal,

odeio a alvorada

em descidas bruscas

quando oiço no longínquo amanhecer

a pobreza de viver,

e não sentindo…

sentir o sofrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 1 de Novembro de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:33

21
Jul 16

vadios lábios

que a porcelana inventa

nas manhãs sem madrugada,

minha garganta degolada

pelas lâminas do xisto amanhecer…

o meu corpo lamenta

o silêncio de envelhecer

sem acreditar nas palavras de escrever,

vadios lábios

filhos da noite envenenada…

a corda suspensa numa árvore abandonada

alicerça-se ao meu pescoço…

 

e sou fatiado pela alvorada…

 

na tua boca enrolada

a língua artificial da pobreza

que vive e alimenta o meu olhar,

o orvalho sobre a mesa…

e dos pratos vazios… a sopa que traz o mar

e os barcos da tarde magoada…

 

e sou fatiado pela alvorada…

 

Francisco Luís Fontinha

quinta-feira, 21 de Julho de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:45

10
Jul 16

Que te despeças de mim como se eu fosse um louco

Apavorado no deserto

Não tenhas pena do meu corpo

Entre esqueletos e pedacinhos de fumo…

Porque por pouco

Partias sem dizer adeus

Ao rio

Ao meu destino

Nas tenhas pena deste menino

Que escreve esquecendo os teus lábios

Doces como a planície

E amargos como a madrugada

Sem horário para saborear os teus abraços

Que te despeças de mim

Para sempre

Até sempre

Neste labirinto de carcaças

E abelhas

Na floresta adensada

Sem perceber a paixão das palavras amaldiçoadas

Sem perceber a canção da alvorada

Que te despeças de mim como se eu fosse um louco

Das pedras amarelas

Na tela da vida desgraçada

Entre xisto e cancelas…

 

Francisco Luís Fontinha

domingo, 10 de Julho de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:51

10
Jun 16

Não. Não quero nos meus braços as tuas mãos de pérola adormecida.

Não preciso dos teus beijos de rochedos envenenados…

Antes da alvorada.

Não quero escrever nos teus lábios as minhas palavras de cianeto

Que trazem na garganta a madrugada,

Simples,

Tão simples como as flores abandonadas.

Não… não quero a tua sombra no meu olhar…

 

Francisco Luís Fontinha

sexta-feira, 10 de Junho de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:33

07
Jun 16

Recolher a âncora e zarpar até ao infinito

Enrolar os cordéis do sono na alvorada

Velas ao alto… mar adentro.

 

A noite insemina-se nas mãos do marinheiro de pano

Descem as estrelas até aos rochedos da dor

Como espadas afiadas no peito do mordomo…

E sua ama

A dona do Palácio de papelão…

Expressa a ordem de condenação

Do triste sem-abrigo

A morte atormenta-o

E entranha-se-lhe nos ossos

O cansaço diurno dos espelhos cinzentos

Nas paredes de vidro

Que o palácio absorve antes de adormecer.

 

Amanhã este barco estará morto

Fundeado na tua mão como uma pedra de arremesso…

Velas ao alto… mar adentro.

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 7 de Junho de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:49

11
Mai 16

A vida é construída de pequenos retalhos,

Corpos em geada

E orvalhos,

Farrapos entre velharias

E trapos,

A vida pertence ao luar,

Quando de um suspiro

Grita em mim o mar,

E num sorriso

Tu sentias

O sabor do madrugar,

Que a vida, construída de pequenos retalhos… consegue abraçar,

 

Cansado, não respiro,

E insisto na vida sem despertar,

 

Os livros,

As palavras esmagadas no silêncio da alvorada,

O corpo cessa de respirar,

Levita

Madruga

E inventa barcos de brincar,

 

A vida é construída de pequenos retalhos,

Corpos em geada

E orvalhos,

Gente simples dormindo na calçada,

Meninos de sombra que desenham na mão o sol,

Aldeias sós, homens confundidos com aldeias sós…

A vida atrapalha,

Esmaga a penumbra madrugada,

E a canalha

Toca com os lábios

O rio entre rochedos

E brinquedos,

 

Cansado, não respiro,

E insisto na vida sem despertar…

 

Francisco Luís Fontinha

quarta-feira, 11 de Maio de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:18

24
Dez 14

Come-me noite vadia

dos silêncios torturados,

come-me mar doentio

dos abraços forçados,

das ribeiras apaixonadas,

come-me...

noite vadia

das ruelas e calçadas,

filho da cidade em chamas,

come-me sanzala recheada de sombras,

aranhas,

e...

come-me,

come-me como se eu fosse um pedaço de erva seca

voando na seara do adeus,

come-me,

come-me... feiticeiro das nocturnas avenidas,

dos bares embriagados de meninas...

come-me,

come-me... luar desenhado na alvorada,

come-me noite vadia

dos silêncios torturados,

das tristes palavras em agonia,

come-me... rochedo de vento dançando no teu nome.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:04

19
Dez 14

Vadios soníferos da vaidade

que deambulam nas clandestinas ruas da saudade,

olhares prisioneiros da escuridão,

pincelados tentáculos de gelo descendo o teu corpo pérfido...

e às minhas mãos

o teu cabelo incendiado pelo desejo,

e às minhas mãos o odor censurado do teu coração,

voando sem rumo,

voando... voando embrulhado em lápis de cera que o tempo engole,

e não sabe que em mim habitam os cinzeiros de chita,

os cigarros de papel aromático desenhando lábios de medo na alvorada,

vadios soníferos da vaidade... vadios monstros da madrugada,

vadios meninos de Luanda,

sanzalas encalhadas no cacimbo zincado,

capim em luta pelo sexo,

sem horários como os calendários nocturnos dos mabecos em cio...

o rio se abraça ao barco náufrago que transporta a felicidade,

e a ponte se alicerça aos seios do amanhecer,

vadios os meus poemas

em meninos de Luanda,

a infância lapidada numa avenida sem estória,

como uma fotografia inseminada num estúdio negro,

assombrado,

sem número de polícia... ou paragem de machimbombo.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:04

30
Jul 14

Não sei porque chora,

este granito das arcadas em flor,

porque se cansa esta cidade...

porque morre este amor,

se a noite não vai acordar,

e a tarde,

e a tarde teima a alicerçar-se nos lábios da dor,

não sei porque chora,

este granito sem cor,

que no cansaço mora,

que dos abraços inventa as palavras de amar,

quando se dissipa no teu corpo o silêncio grito...

não sei porque chora,

este granito em teu olhar,

esse corpo fervilhando em desejo,

não o sei, agora,

se esse granito é luar...

ou... ou se é um beijo,

não o sei...

porque chora este granito das arcadas,

em flor semeados os seios da alvorada,

este granito das madrugadas,

que um dia desenhei,

e hoje, e hoje não é nada.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:22

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