Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Jun 15

Deixei de pertencer aos retractos nocturnos do abismo,

Sou uma sombra aprisionada neste longínquo porto sem amarras,

À deriva,

Procuro o vento laminado das tardes de Luanda,

Não ando,

Não amo,

Não… não sei o nome da imagem que acordou neste espelho envelhecido,

Não entendo os Oceanos de insónia que brincam nos meus ombros,

Deixei de ter ossos,

Deixei de pertencer…

E do abismo

Uma flor encardida voando sobre as palmeiras,

 

Uma mão de solidão

Encalhada no meu olhar,

E onde estão as tuas palavras?

Amargas,

Cansadas das viagens ao Planeta da escuridão,

Asas em chamas,

Crocodilos em vão…

Sem janelas no sótão,

Sento-me nas escadas,

Pego levemente num cigarro inventado pelos teus lábios,

E canto,

E choro…

 

A saudade.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:28

06
Mar 15

O acrílico beijo

na tela do desejo

sem medo de perder

o acordar da madrugada

ele abre a janela

e percebe que afinal...

a madrugada é um fantasma

uma coisa de nada

sombras

silêncios

e

e abraços na escuridão

 

ela sabe que os dias morrem

e nas aldeias de granito

habitam pássaros de papel

coloridos

aventuras

sem destino

acorrentados aos gritos da caverna do adeus

ela sabe que os dias

poucos

nenhuns

absorvem a luz

disparada por um olhar invisível

 

e no entanto

o beijo transforma-se em fotografia

negra

como o poço da morte

na infância de uma cidade perdida

há nos seus lábios abelhas

e pincelados corações de pólen

e voam

poucos

nenhuns...

homens conseguem entranhar-se no seu corpo

e ela desaparece em cada avenida do sofrimento.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 6 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:27

12
Dez 14

Estas palavras

são as tuas lágrimas

disfarçadas de anoitecer,

estas palavras

pertencem ao teu corpo

suspenso na escuridão,

estas palavras

são as tuas lágrimas...

entre as palavras... as tuas palavras de viver,

estas palavras

são as raízes do teu coração,

palavras, palavras... palavras em vão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:32

06
Dez 14

Há feridas invisíveis no teu sorriso

que nem o espelho da saudade consegue desenhar,

pareces uma fotografia embalsamada,

sem alma...

esquecida num qualquer lugar,

há feridas invisíveis...

e crateras de espuma

que só as tuas pálpebras alicerçam às meticulosas palavras sem destino,

 

em ti o menino vestido de preia-mar

que corre e correr... e corre sem se cansar,

em ti e de ti...

as feridas entristecidas dos biombos nocturnos da vaidade,

 

esta cidade,

o teu corpo vagueando no sexo da paixão

como um cadáver enraivecido... fundeado no rio sombreado pelo incenso...

uma carta sem destino que te bate à porta,

um carro preguiçoso em tristes aventuras,

há feridas invisíveis no teu sorriso

que os cigarros da despedida alimentam,

mas... mas no teu olhar cessaram as lágrimas de chocolate,

 

em ti

e de ti...

 

a mentira do silêncio embrulhada na portaria

de pequeníssimos fios de luz,

o teu livro preferido que arde... enquanto se extingue o dia,

dentro dos teus seios,

 

em ti

e de ti...

 

o cansaço abstracto das montanhas de papel,

os rochedos envenenados pela noite dos marinheiros

e que tu não entendes os seus medos

e inquietações,

não me ouves... porque a minha voz pertence ao cacimbo

e do cacimbo emerge como uma lâmina de sangue,

em veias de nylon

ao deitar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 6 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:35

As migalhas do teu suor

quando há nuvens com fome

e esqueletos sem nome...

os tentáculos da tua dor

mergulhados na calçada do Adeus

há uma rosa

há uma flor

que a noite alimenta

e não quer

na lareira da solidão

mas só as estrelas conseguem

desenhar na tua mão,

há uma paisagem sem amor

no sorriso de um caixão

há jardins embriagados esquecidos na escuridão

as migalhas do teu suor

quando há nuvens com fome

e esqueletos sem nome...

há ossos de papel voando na madrugada

que só o amanhecer consegue parar

há barcos infelizes

e há barcos apaixonados...

mas as migalhas do teu suor

são os alicerces da cidade dos pássaros aprisionados.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 6 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:35

Esta casa sem mão

completamente embriagada pelo fogo da madrugada

de janelas encerradas

com portas em latão,

Esta cabeça casa sem mão

o teu corpo em desalinho

dentro da lareira...

sem perceber que há um amanhecer colorido,

Este caixão

na casa sem mão

o celibato cansaço quando há na tarde esqueletos

e escuridão...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:55

29
Nov 14

A astronomia loucura do profeta

as paredes encarceradas do guerreiro desconhecido

à força e pela força

o cansaço espaço de luz nos confins rochedos da melancolia

a astronomia

embriagada pelos momentos sem pressa

numa carta de despedida

sem palavras

ou... ou remetente

uma aventura na escuridão da cama do sonambulismo

os cigarros absorvidos pela morte do fumo colorido...

e um caixão de espuma poisado nos alicerces da canção de revolta

 

cessem este destino

e o silêncio

da atmosfera encarnada em comestíveis soluços de desejo

a astronomia loucura do profeta

sentado em frente ao espelho da agonia

sem sentido

sem... sem melodia

antes de acordar o dia

 

o vento sofrido

o corpo mordido pelos meus dedos

o odor embalsamado do prazer

em finíssimos gemidos

e uivos...

e no entanto

não existem ruas na minha mão

casas

flores

nada

apenas... um rio adormecido numa fotografia

e um Domingo desorganizado e despido...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:17

15
Mai 14

o olmo cansaço do teu peito

há em ti a penumbra escuridão

sinto-te e sei que não pertences às coisas físicas

talvez não passes de uma equação

tão pobre

e sem solução

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:35

23
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

A noite não regressa, a noite é uma prostituta convicta, fã da escuridão,

eu, eu pertenço à noite, os teus lábios são filhos da noite, e as estrelas convencem-te que existe vida nas pedras, que existe vida nas árvores e gaivotas, que existe vida nos velhos cacilheiros...

atiro-me ao rio e procuro as tuas mãos que pertenceram ao meu rosto,

vivo, respiro pigmentos coloridos de saudade, e... e como fã da noite, sofro como sofrem os veleiros quando cessa o vento,

 

A noite entranha-se em mim, oleia-me os tentáculos sonoros do meu peito,

finjo viver quando lá fora, quando do outro lado da rua... não vivem, não existem...

nem noite, nem estrelas... e apenas uma corda de nylon me aprisiona a este cais poético derramando palavras nas searas de Carvalhais,

e escondia-me dentro do canastro... e sonhava que um dia, eu, eu pertenceria à noite.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 23 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:38

24
Jul 12

Sobre a almofada do amor

dorme o abandono e a escuridão

voam as palavras de incenso

para a desconhecida mão

em flor

com perfume a silêncio

e vergada nos cortinados triangulares

das tardes de pulsações e desejos

dos lençóis com sabor a haxixe

procura o amor

impregnado de piolhos alquimistas

nos verdejantes lábios do sono

 

descem as ruas em ruína

com o destino de morrerem afogadas

nas lágrimas da despedida

sobre a almofada do amor

a madrugada com escadas para o sótão da solidão

 

abro a janela triangular

e arremesso-me de encontro ao vento

e curiosamente

e curiosamente começo a voar

 

e curiosamente

e curiosamente na almofada do amor

dorme o abandono e a escuridão

da madrugada com escadas para o sótão da solidão...

 

(voltarei a fumar)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:38

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