Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Abr 14

mais um Sábado...

procuro a equação tangente à parábola da insónia

hesito

fico confuso

da rua oiço as luzes em néon adormecido

cansadas

e hesito

fico confuso

mais um Sábado...

sem horário

janelas com vista para o mar

hesito...

 

um dia

dois dias

… três velhos dias

 

hesito...

e fico confuso

procuro o cosseno hiperbólico do cansaço

calculo a integral tripla do amor

raios...

não o consigo

rasgo

destruo a folha quadriculada

tão velha

tão... infeliz como as luzes em néon adormecido...

um dia

ontem... ontem tu eras capaz

 

um dia

dois dias

… três velhos dias.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 26 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:55

08
Abr 14

Percebo que as equações do meu corpo não têm resolução,

sou um aglomerado de números complexos, integrais duplas e triplas, habitam nos meus braços,

percebo que tenho um sorriso em granito, e sei que nas quadrículas do meu peito...

suspendem-se as infinitas cordas paralelas do nylon madrugada,

um imbecil programado, um corpo onde se misturam os algoritmos de Fortran e as raízes quadradas do obscuro olhar, sem sentido, único, proibido estacionar o meu corpo em cima do passeio da solidão,

cruzo os braços,

e pergunto-me...

o que faz o poema sem nome dentro do silêncio amanhecer?

sem prazer,

a vida é um fluído em escoamento permanente...

em direcção ao mar,

em construção... como corpos geométricos procurando amor nas flores triangulares...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 8 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:40

05
Abr 14

lia no teu o olhar o cansado abismo

aquele homem vestido de naftalina com odor a solidão

eras um livro sem palavras, um livro só, descalço... um livro que todos apelidavam de saudade

lia no teu olhar o silêncio da sanzala de prata

meninos que inventavam amanheceres

e meninas que dormiam fingindo o cacimbo da dor

 

lia e não queria acreditar

que havia sofrimento nos teus desejados ombros

lia e não queria acreditar

que existia no teu rosto lágrimas de chorar

 

rochas embalsamadas, pilares de areia, zinco, zinco que embrulhava a tua mágoa

e eu, eu acreditava que eras em porcelana

pintada de rosa adormecida

e eu, eu acreditava que no teu jardim viviam fantasmas..., fantasmas... meu amor

podia lá ser

podia lá ser..., no teu jardim... fantasmas...

 

lia no teu olhar o triângulo equilátero da tua paixão

pegava nos teus ângulos, calculava o seno e o cosseno do teu mesmo olhar

aquele que eu lia

lia... e deixei de ler

fiquei cego, ou... simplesmente voaste em direcção à ponte sem treliças

e deixei de olhar

 

e deixei de viver

lia no teu olhar o poema envenenado pelo ciume

lia e não mais quero ler

ler... o que diz o teu olhar... meu amor

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 5 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:48

26
Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

A imagem tua estampada no rosto inverso do vidro

vêem-se de ti os cabelos da madrugada trigonométrica procurando senos e cossenos

e dentro do círculo trigonométrico

os teus tristes lábios em três quartos de pi radianos

a imagem acorda em ti e cansa-se do silêncio transferidor

e as lágrimas envergonhadas como pedras fundeadas na ribeira do Adeus

desaparecem ao amanhecer

tenho medo confesso-lhe

e ela desesperadamente

desenha-me na ardósia manhã como beijos tangenciais ao quadrado do Amor

o rio flui até encostar-se à fórmula fundamental da trigonometria...

e percebo que o seno ao quadrado de alfa mais o cosseno ao quadrado de alfa é igual à unidade... a (imagem tua estampada no rosto inverso do vidro...)

 

Imagino-te nua sem saberes que no espelho encarnado vivem gaivotas veleiros

e pernaltas petroleiros

 

A imagem tua estampada no rosto inverso do vidro

a equação da Saudade desfaz-se em pedacinhos papeis...

que voam em direcção ao infinito onde se abraçam rectas paralelas e ventos circunflexos

corpos incandescentes ardem como ângulos adormecidos

há lareiras em desejo na janela da noite

quando os versos transformam-se em sanduíches de nada

e do nada

a tua imagem sem saber que as integrais triplas são amantes dos cossenos hiperbólicos...

a matriz transposta invade o púbis da matriz inversa

choras...

dormes... como uma criança deitada na equação diferencial da paixão

e a tua imagem... e a tua imagem esconde-se na lixeira do inferno.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:51

05
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Perspectivo-me sobre a sombra lâmina do teu sorriso de gaivota sem poiso

há uma linha transversal que nos separa e aproxima

como uma fotografia sem nome na mão do louco muro em xisto

desço às fronteiriças margens do desejo

desço até que sou engolido pelo cosseno de trinta e cinco graus dos teus lábios...

desejarás-me ainda depois das equações diferenciais dormirem dentro dos quadriculados cadernos?

Invejo-te a liberdade

e os voos nocturnos quando se esquecem de ti e tu

e eu

suspensos no estendal das sílabas poéticas que o veneno da tua boca alicerçou na tempestade

há em nós uma circunferência de luz com braços de areia

húmidas todas as palavras dos anzóis do medo das sanzalas com vozes de zinco

com olhos de fome...

e chove

chove sobre o teu corpo de nylon onde se abraçam os barcos desvairados quando o vento se entranha no amor e nos transporta para o infinito

e lá ao fundo... a sombra lâmina do teu sorriso de gaivota sem poiso.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 5 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:29

04
Out 13

foto de: A&M ART and Photos

 

no rochedo da saudade vive o teu meu coração repatriado

escondíamos-nos do amanhecer quando todas as estrelas cessavam de brilhar

quando sentia o teu sorriso no espelho da paixão

comestíveis beijos insufláveis desciam das árvores em solidão

no rochedo da saudade

vivia

amava

e comestíveis beijos com esqueletos de prata

 

no rochedo da saudade vive o teu meu cansaço

quando tínhamos noites intermináveis sentados num banco de jardim

conversávamos sobre tudo e sobre nada

e sentia o brilho do teu olhar

como uma donzela tela

pincelada com acrílicas cores

depois tínhamos a sombra dos plátanos

de livro na mão

 

liam-nos poemas

escrevíamos-lhes poemas

sentados num banco de jardim...

e imaginávamos à nossa frente o palpitar do rio furioso por ter perdido o mar

víamos veleiros pintados na claridade da aurora boreal em comestíveis chamas de suor

liam-nos poemas

escondidos caracteres minúsculos sobejavam das rosas de papel

e diziam-nos que a lua amava o silêncio

 

como nós

um piano vadio brincava no soalho da biblioteca

e tínhamos acabado de regressar das montanhas alicerçadas às gaivotas desgovernadas

sentadas

como nós

num simples banco em madeira

e liam-nos poemas

e escrevíamos-lhes poemas como se fossem migalhas de pão depois do pequeno-almoço...

 

não acordávamos porque a noite embriagava-nos com palavras

textos

e comestíveis beijos

e poemas

por comestíveis pinceladas acrílicas saborosas que os teus lábios iluminavam

e víamos o rochedo da saudade

chorar

e pigmentos sólidos de vento balançavam nos teus cabelos de limalha incandescente...

 

não sabíamos que existia a teoria da relatividade

e desconhecíamos a trigonometria

pensávamos que os círculos eram mulheres deitadas

nuas

sobre a geométrica cama com lençóis de porcelana

e lá

no teu peito

os rochedos da saudade vomitando cinza de velhos cigarros como poemas envenenados pelo ciume...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:56

31
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

espero-te como se fosses a noite e me trouxesses as listras encarnadas da solidão

como se fosses a janela dos meus sonhos

e me trouxesses

a fantasia

e a paixão

revestida

negra

a fome

depois de acordar a madrugada

depois de cessar este empobrecido coração

espero-te

espero-te eu porquê?

 

depois...

depois o quê?

que não dormes

e que sonhas comigo?

espero-te na esquina da insónia

e tu não és de carne e osso...

como os humanos que aprendi a distinguir e a amar e a odiar...

às vezes

depois

tenho-te medo

que vagueis em mim como os tristes ângulos dos teus lábios

entre senos e cossenos magoados

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 31 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:51

29
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

imagino as incógnitas que vivem na tua cabeça

tento perceber as equações do teu empobrecido coração

geometricamente

não consigo determinar a posição do teu corpo no espaço tridimensional...

e tudo parece tão simples

normal

imagino a integral dos teus seios pintados de encarnado

e reflectidos no prisma que se esconde na teoria das cores

dos cheiros

e sabores

imagino a equação diferencial das tuas alegres coxas

quando se despedem da tarde as gaivotas triangulares

 

imagino o silêncio vestido de negro

caminhando sobre o arame da solidão

lá em baixo o público enfurecido olha-te como se fosses um cartaz perdido no vento

balançando

dormindo

chorando

e imagino as incógnitas que vivem na tua cabeça

os círculos trigonométricos do teu púbis amargurado

cansado de mim

talvez... apaixonado por mim

talvez

porque tridimensionalmente... não consigo determinar-te no espaço só e vazio

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:35

20
Jul 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Projecto-me tridimensionalmente no muro onde poisas, todas as noites, os cotovelos, seguras a tua doce cabeça com as pequeníssimas mãos de menina apaixonada, olho-te como se fosses uma imagem prateada tingida com pedaços de azuis cerejas que numa tela simplesmente mergulhada na noite desgovernada, ela, absorve-te, alimenta-se de ti como as abelhas do feminino pólen com sabor a masculino desejo, e depois de saber que és uma imagem prateada tingida..., os pedaços de azuis cerejas borbulham-se-te com cobertores suspensos numa janela dançarina, bailarina eu?

Bailarino, tu!

E de ti como as abelhas, desisto das parvas palavras que finges ler, como fingias as noites dos cortinados de Lisboa, baixavam-se as tímidas persianas do amor também ele..., tímido?

Bailarino, bailarino sem profissão conhecida, artista sem arte, Tímido, eu? Que me dera ser como tu, uma triste alga dentro do rio sonolento das varandas com gradeamentos enferrujados, tristemente, eles, dentro de ti, às sílabas farto eu escrever, Tímida ela?

Perdia-se-lhe os mínimos sons da sua voz nas pétalas doiradas das rosas transeuntes das ruas prostituindo-se como reles bancos de jardim, onde todos se sentam, e eles... apenas estão lá, não pelo prazer, apenas estão lá porque os obrigam a estar, porque se não fosse dessa forma...

Tímidos?

Os corpos reluziam como gaivotas, e das ripas em madeira dos teus ombros, as alegres asas de porcelana, meu amor, Tímida? Quando sei que o teu corpo é incenso que arde num prato de cobre, música alimenta-se em ti, e os versos

Bailarino, tu!

E de ti como as abelhas, desisto das parvas palavras que finges ler, como fingias as noites dos cortinados de Lisboa, baixavam-se as tímidas persianas do amor também ele..., tímido?

Versos no cardápio ao preço de vinte e cinco euros a dose, aprece muito, isenção de IVA, e com a oferta de uma bebida branca...

Bailarino tímido, eu, ou tu?

Tenho uma vida cúbica, tenho sonhos quadrados e sofro em círculo, sou um perfil geométrico, alimento-me de senos e cossenos, fumos tangentes hiperbólicas, e faço o amor com as equações diferencias..., afinal, quem sou eu? Um pedinte matemático? Um bailarino/Bailarina, Tímida? Um hipercubo com braços de esperma descendo escadas de cinzentos soníferos com orifícios a imitar as janelas de luar?

Bailarino, tu?

És um triste, és uma integral tripla sobrevoando o momento fletor dos teus livres seios na viga do desejo... oiço-te gemer, a musicalidade da tua boca é uma pauta com sons débeis, difíceis de engolir, fáceis de mastigar..., textos, palavras, livros bolorentos entre vacas e carneiros no centeio do tio Joaquim, vivíamos como dois palhaços embriagados pelos sorrisos das marés envergonhadas dos longínquos mares que descobrimos nunca terem existido..., e o vento

E o vento vai desalicerçar a tua singela estrutura de bailarina rodando em redor do teu centro de massa cuspindo momentos angulares como fazem as nuvens antes de adormecerem nos teus braços...

Ainda acreditas, que, eu, Bailarino... Tímido?

 

(ficção não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:03

11
Mai 13

foto: A&M ART and Photos

 

Subo até desistir de caminhar sobre cobertores

e finos espelhos de aço

subo teu corpo meu poiso ancorado

sabendo que em cima da cúpula cúbica uma raiz quadrada morre e cai...

e subo e desço e sento-me sobre as linhas rectas do desejo,

 

Procuro e busco beijos tridimensionais

beijos em lábios triangulares

como um sótão solitário debaixo do céu

um bocadinho acima da saudade cidade

entre esparsas lágrimas e panos margaridas,

 

Subo

e desces por mim até chegares ao terminal número cinco

faixa três primeiro andar esquerdo na rua dos pilares de areia...

e desço sobre ti

como descem as madrugadas nas pálpebras cinzentas das tuas mãos,

 

Sou um imbecil programado

iletrado e desalinhado como os parafusos das dobradiças do teu púbis montanha de peixe

e conversávamos sobre poemas de leite

e conversávamos...

as minguas cavidades sombrias das frestas do delírio que a noite desenhava em nossos corpos de maré revoltada,

 

E línguas de xisto derramavam sobre os teus seios em socalco

subtis palavras em pedaços de terra adormecida na esplanada do abraço

e a deleitada manhã ensanguentada pelos carris de uma paixão invisível

e talvez impossível de desenhar

evapora-se dentro da tua doce boca com sabor a naftalina...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:48

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