Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

14
Nov 15

este rio de sangue

em direcção ao musseque da esperança

o cacimbo envergonhado na solidão

o triste amanhecer esperando nas mãos da manhã

um novo dia a acordar

novas palavras prontas para a vida

um livro sobre a secretária no silêncio a arder

nos teus lábios

junto ao mar

um barco amarrado aos teus braços

neste rio de sangue…

… impossível de zarpar

Sonhar

E crescer

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

sábado, 14 de Novembro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:28

27
Out 15

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"Já não estamos sós...!"

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:31

26
Out 15

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publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:11

15
Out 15

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publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:06

14
Out 15

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Fontinha – Outubro/2015

 

A estátua que habitava no teu peito

Esta sentada, hoje, numa cadeira sem jeito,

Brinca, hoje, num jardim amarrotado por mãos inanimadas,

Como são tristes todas as madrugadas

E todos os versos do poeta,

Como são tristes todas as manhãs embriagadas

À mesa com um qualquer pateta,

Um imbecil encurralado na noite

Esperando o acordar de um relógio sem alma,

Chora, acredita nas lágrimas do sofrimento,

Chora, e inventa o inferno

No corpo do vento…

 

A estátua… não se cansa de dançar

Sobre a tua pele grená…

Os lábios manchados de sangue,

Os braços entranhados na face de um inocente,

Chora, acredita na liberdade,

Chora, acredita na saudade

Dos ausentes corpos de esferovite,

Grita, grita contra o muro invisível da prisão,

Morre a verdade,

Morre o ditador em pedacinhos de cacimbo…

Rasga o convite

E fica esquecido no tédio limbo…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:46

11
Out 15

(Liberdade para todos os Presos Políticos em Angola)

 

Não acredito no amor,

Porque “o amor é um gajo estranho” (Pop Dell`` Arte),

O amor é um cadáver deitado no vazio,

É um esqueleto de estanho,

Em cio,

No princípio da madrugada,

Com fastio,

Drogada,

Não acredito no amor,

Não acredito na alvorada,

Me mente,

E me ama…

Como uma enxada,

Desenhando nos Socalcos do Douro a paixão de quem manda,

O fuzilamento de mim

Abraçado ao teu cabelo,

Sentado,

Cansado…

Cansado deste jardim,

Me escondo de ti,

E tenho saudades tuas…

Escrevo, rasco o que escrevo…

E nem devia,

E não devo…

Escrever o que sentia,

Esquecer o que me rodeia…

Nesta aldeia,

Neste cubículo de quem semeia…

O amor que não acredito,

Paro,

Escuto e grito,

“Liberdade para os presos Políticos de Angola”,

Foda-se,

A prisão

E as ditaduras,

O medo,

O medo e todas as esculturas,

Os ditadores,

Os impostores…

Agachados nos meus berços.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 11 de Outubro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:28

28
Fev 15

Não penso

não imagino as palavras semeadas nos relvados da saudade

não penso

não durmo

acreditando nas marés de vidro

descendo da montanha

imagino...

riscos suspensos na alvorada

crianças de luz gritando pela liberdade

e nada

nem ninguém

nas ruas desta cidade.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:38

14
Dez 14

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

Sinto as tuas finíssimas lâminas de agonia

sobre os meus ombros de xisto

tenho nos versos a enxada do silêncio

e no peito a espada do cansaço

sinto as tuas lágrimas de estanho

descendo a calçada

como uma fotografia

morta

rasgada

e a noite constrói-se no teu cabelo

sempre que um relógio engasgado

adormece no pulso da insónia,

não existem imagens nas minhas mãos

tenho medo da cidade depois de se erguer a madrugada

sinto as tuas finíssimas lâminas de agonia

sinto as tuas lágrimas de estanho

nesta triste parede embriagada

pelo medo

pelo tédio...

morta

rasgada

uma algibeira sem nome

perdida na estrada

sem nome... esquecida na perpétua estátua da liberdade.

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 14 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:51

30
Nov 14

A cidade a arder

quando os teus lábios se entranham nos meus lábios

alguém liga o interruptor da noite

e ela cai sobre os teus seios

como a tempestade

ou... ou a destruição do muro que nos aprisiona

e come a cidade a arder

e as ruas em fuga

para a outra margem

o barco escondido nas tuas mãos

nos leva

e desaparecemos na neblina,

 

A fogueira que há em ti

e faz do teu corpo o aço em delírio

o sino da aldeia nos acorda

e alimenta

e encanta...

como um jardim despido à nossa espera

tenho medo das tuas garras de serpente sem nome

envenenada pela paixão

a cidade a arder...

na cidade com fome

da cidade sem coração

da cidade dos rochedos em liberdade.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 30 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:01

20
Nov 14

Desintegro-me na desilusão das imagens adormecidas

pareço um velho palhaço gritando para a multidão

palavras

e canções

e noites perdidas,

 

Viagens enigmáticas com odor a madrugada

rios embriagados correndo nas minhas veias

dilatadas

tristes

tristes como as lágrimas da calçada,

 

Desintegro-me sem o saber

enquanto sonho nas planícies lunares

desintegro-me lentamente como o vento nas tardes de liberdade

recebo uma carta... lá dentro habita a saudade...

e desintegro-me nas palavras por escrever,

 

As rosas que disparam sorrisos encarnados

o oceano levitando nas mãos de alguém que é amado

o barco do desejo... navegando

navegando nos cortinados da mentira...

e desintegro-me nos planaltos prateados,

 

Há no teu olhar rochedos vadios comendo mendigos engravatados

das tuas pálpebras ancoradas

despem-se os seios da manhã sem despertador

maldito relógio que nunca morre...

e todas as luzes poisam nos ombros dos alegres desgovernados...

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:51

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