Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

18
Abr 15

Hoje

Conversei com a noite

Como estás?

Há tanto tempo que não te via…

Estou

Aqui

Estou bem

Obrigado

Percebo que o amor

É um poema de “merda”

Amar é sofrer

Preferia resolver

 

Equações complexas

Davam-me mais prazer

E não tinha medo de perder…

Aquilo que nunca tive

Regressar a ti

Aos teus braços de constelação apaixonada

A essência dos delírios em Cais do Sodré

Não é

Meu amor

O passado

Uma fotografia do futuro?

O amor é orgasmo

 

(li hoje num poema de uma amiga)

O amor é orgasmo

É silêncio

Na boca da esperança

Perdia-a

Perdi-me

Nas tuas avenidas

De luz

Com pontes

As matrizes

Deambulando nos teus seios

Os dardos do sofrimento

 

Todos

Eles

No meu peito de granito

Perdi as lágrimas

E o futuro

Vivo

Acreditando que não vivo

Escrevo

Mas sei que não escrevo

Tenho medo

Daquilo que os outros pensam

É maluquinho…

 

Poemas de amor…

Já ninguém os escreve

Há nas ruas da minha solidão

O fantasma da velhice

Acordar

E

Deitar

Só…

Os alfinetes da saudade

Imaginados

Nas nádegas dos orgasmos invisíveis…

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

 

Os cortinados envenenados pela paixão

Meu amor

Nas nádegas o sorriso da censura

Nada espero de ti

Porque nunca esperei nada

De nada

Apenas dos orgasmos meu amor

Das palavras

Entre palavras

Dois corpos de palavras

O amor

Os solitários

 

Os beijos desenhados nas cancelas da madrugada

Não encontra o número do cubículo

Procura na algibeira as chaves do púbis enganado

Ele

Desempregado

Das palavras

Entre palavras

Gemidos

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

E a vida termina…

Numa ruela

Sem… sem saída.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 18 de Abril de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:25

05
Abr 15

Não sei a quem pertencem os teus olhos

Esboçando sombreadas canções nos meus braços

A luz incendeia a noite em despedida

Não sei a quem pertencem

Os olhos

As cidades

E os distantes lugares

Dos teus lábios

Lábios

Em chamas

Sinto as nuvens nos meus ombros

E tenho nas pálpebras

As húmidas manhãs de Primavera

Os olhos

Não sei

Como às palavras roubadas

Enquanto os pigmentos da paixão

Alicerçavam as cordas da prisão

O cais

O teu corpo fundeado em mim

Respirando as sílabas do primeiro encontro

O cruzamento

A estrada da vida congestionada

E os olhos

E as palavras

Lábios

Em chamas

Esboçando…

Clarabóias de medo

Nas frestas do silêncio

O amor

A solidão vestida de amor

Lá fora

Os olhos

Numa fotografia de família

Os pais

Os irmãos

E

E os olhos

Lá fora

Nas palavras

Sempre as palavras dos teus seios

Nas rodas dentadas do desejo

A claridade das tuas coxas

Os olhos

A boca

O sémen estampado numa tela

Branca

Negra

A noite

Vens

Desces os socalcos do prazer

Despes-te e danças para o espelho da melancolia

E o amor

Vens

Despes-te

Nos olhos

Dos olhos

O poema brincando na tua pele de madrugada

Acabada de nascer

Apagam-se as personagens dos versos

Ficam na tua roupa

Como cadáveres de espuma

Fingindo orgasmos

E Domingos num parque infantil

Brincando

Nos olhos

Os olhos

Nas palavras

E nos destinos mais escondidos da tua mão…

As cidades respiram

Meu amor?

As cidades sentem no corpo

As melódicas canções do poema

Meu amor?

O papel inanimado sobre a secretária do pensamento

Os fósforos pontapeando pedaços de lágrimas

Contra o copo de uísque

Sem nome

O corpo da cidade

Dói-lhe

Menina?

Os livros acorrentados ao teu cabelo

E as serpentes do luar

Dentro de quatro paredes

As janelas onde poisas o queixo

No meu colo

A tua cabeça de diamante

Não lapidado

O sorriso

O sorriso apaixonado de uma vogal

E da cidade

As tristes âncoras da morte

És

Meu amor…

O triste silêncio das âncoras de prata…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 5 de Abril de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:29

27
Mar 15

(Para a minha mãe, feliz aniversário / IPO - Porto, 26 de Março de 2015)

 

“Descascando a cebola” como Gunter Grass me ensina, mergulho no parapeito da fotografia com vista para o jardim, ao meu lado, sombras, terraços de chocolate, homens, mulheres e crianças.

Perdi a paciência, diz ele em tom de prosador,

Deus olha-me, penso eu, não encontro no corpo o prazer do sossego, quando as palavras morrem, e a morte é a viagem para a literatura,

A espingarda, finjo, tenho na algibeira meia dúzia de balas, de xisto, como o Douro Vinhateiro, o rio

E as crianças, a cebola liquefeita nas mãos da cozinheira,

Mãe o que é hoje o jantar?

Poemas de “Al Berto”,

Gosto, adoro, amo…

Amar, desenhar na cebola os lábios da inocência (telefone toca) quando amanhece no teu sorriso, a espingarda

Minha querida!

E a espingarda escrevendo poemas em cada camada da desassossegada cebola…

 

(Ficção)

Francisco Luís Fontinha . Alijó

Quinta-feira, 26 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:10

04
Mar 15

Acrílico 50x60.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Mãe, como é o mar?

Lençóis de espuma, meu filho, silêncios de sombras poisadas numa tela virgem, aos poucos reaparecem as palavras e os riscos, a arte de amar e de navegar num beijo invisível, sem imagens, sem noite para chorar, as ruas completamente indiferentes às minhas tristezas, as cintilações dos versos descendo os socalcos imaginados pelas tuas brincadeira de menino,

Fui menino, mãe?

Cansei-me das palavras,

Escrita... nunca,

Mais

Amanhã restará uma única sílaba ao acordar, o espelho

Mais nada a acrescentar aos teus desejos, meu filho...

Cansei-me das palavras, mãe, das flores, dos sonhos e das cidade de vinil, cansei-me das mãos de porcelana da madrugada, sem janelas

O cubículo?

Morreu,

As janelas e o espelho completamente envergonhados pela partida do monstro das quatro cabeças, nada mais do que isso, literatura ao jantar, poesia ao pequeno-almoço, e

Morreu,

E alguns gladíolos apaixonados pelo jardim dos arciprestes, sabes? Falamos sobre isso, lembras-te?

Não, não...

Morreu.

 

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 3 de Março de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:26

21
Fev 15

Desenho_A1_050.jpg

 

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

E a doença sifilítica nos dedos do artista, adormece a tela, o poema e a musa do poeta,

Sinto-me... um suicidado cadáver de esperma, um transeunte canalha com suspensórios e gravata, e sapatos de ponta delgada,

Faltam-me as tuas mãos, mãe,

Café?

Viajo na tua saia e percebo que não temos regresso, regressar é um suicídio sem palavras, uma carta escrita, os motivos da tua ausência, as faltas da tua presença na Igreja, sinto-me quando abres a janela do quarto e tenho a certeza que estou vivo,

Bom dia, mãe...

Meu querido filho!

O livro cresce nas ardósias cinzentas da memória,

Que és enigmático, meu filho...

Que sim, minha mãe,

Que sim,

Telefonaram da Rua dos Mendigos?

Para mim, mãe?

A cidade embriagada nas sandálias do pescador, o mar, sempre o apaixonado mar, a paixão azul, do azul literário e poético...,sabes com é, mãe,

Pois,

Sei que semore sonhaste comigo,

Eu?

Sim, tu, mãe,

Quando dizias que aos três anos de idade já voava...

 

 

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:43

26
Jan 15

O frio entranhava-se-lhe nos ossos fictícios de pequenas partículas de desejo, António inventava fogueiras no olhar, esfregava as mãos como se de um reza se tratasse, mas não, a rua deserta deixava-lhe suspenso nos ombros um fino silêncio de noite, imaginava vãos de escada em cada esquina, desenhava na geada pequenos quadrados, depois, de pé ente pé saltitava como a queda de uma folha,

Um cigarro adormecia-me a alma, reclamava ele quando dois adolescentes se abraçaram a ele

E ele?

Incrédulo,

Vocês. Aqui?

Sim, pá, nós aqui,

António florescia, António corria calçada abaixo até ao rio, sorria... e regressava,

Não,

Não acredito que os meus irmãos estejam aqui, comigo, só nós,

Não,

Um cigarro, tem lume? Que não, que não,

Vocês aqui...

Meus Deus, tanta solidão, frio, fome...,

Foste tu que quiseste, ou não?

E António fulminava o irmão Miguel com as pálpebras inchadas,

Eu é que quis...!

Quase como lâminas afiadas, depois, o acordar da cidade, os primeiros automóveis do dia, depois os últimos bêbados da noite, e depois

Não, não acredito,

Os Primeiros cheiros de Lisboa,

O fumo argamassou todas as palavras... Meus Deus, vocês aqui...

 

 

(…)

 

 

(Texto ficção)

25/01/2015

Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:51

25
Jan 15

Desenho_A1_17.jpg

 

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Trazíamos no corpo as feridas da luz,

havia silêncio nos teus olhos

e na pedra fulminante da paixão,

tínhamos nas estrelas o cansaço das palavras

roubadas do jardim sem coração,

desenhávamos o amor na areia fria da insónia,

como se houvessem lençóis de prata nos teus ombros...

equações,

geometria invisível galgando a ardósia da tarde,

e sabíamos que o suicídio do amor

aconteceria um dia,

como acorrentadas mãos a uma caneta,

uma corda em lágrimas imaginada pelo abstracto objecto das arcadas envergonhadas,

as rochas frias que alimentavam o desassossego do poema,

e nos teus braços...

as sílabas que sentiam as tristes pontes metálicas

e os animais enraivecidos,

trazíamos no corpo as feridas da luz,

o poço da morte iluminado pela tua pele em pedaços de suor...

o desejo de ti quando lá fora alguém gritava pela alvorada,

e não tínhamos horário para navegar nas ondas secretas do mar,

vadiávamos a cidade,

comíamos sombras de nada...

e amávamos a literatura.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 25 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:46

16
Jan 15

Pintura_62_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Que faço a estas flores...

se tu, se tu já não existes,

voaste em direcção ao Tejo,

suicidaste-te na Calçada da Ajuda,

sem ajuda nenhuma,

sem perceberes que habita na noite o amor,

a literatura, a poesia,

e a pintura...

que faço, meu amor,

a estas flores de névoa, a estes silêncios sem horário,

que faço a estas flores...

diz-me...

diz-me por favor,

e a pintura,

se tu, se tu já não existes,

e agora, e agora és uma flor sem leitura...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:02

11
Nov 14

Foda-se esta vida de morrer,

foda-se a loucura e o saber,

foda-se a poesia e a literatura,

foda-se o silêncio

e a Primavera

e a escravatura,

foda-se o meu corpo embalsamado,

foda-se o cansaço,

a rua deserta e sem transeunte embriagado,

fodam-se os barcos,

as caravelas

e os cavalos de aço.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:46

07
Out 14

Hoje,

hoje um dia perfeitamente de “merda”,

 

tudo parece desabar sobre os meus ombros,

chove,

hoje,

hoje estás triste,

hoje,

hoje estás ausente...

 

hoje,

hoje percebi que em breve partirás,

e hoje...

eu, e hoje, eu sem paciência para as palavras,

odeio... as palavras,

odeio a arte de escrever,

 

odeio a literatura,

odeio a pintura,

 

hoje,

 

hoje...

 

hoje odeio a noite,

e os esconderijos nocturnos da solidão,

hoje,

hoje um dia sem memória,

hoje um dia sem história,

hoje... hoje sinto-me um prisioneiro das sombras do infinito...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:49

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