Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

08
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Tinhas na mão as palavras minhas

em ausências mergulhadas nos carris da insónia

trazias-me ao jantar os sabores do mar

com pequenas algas e pedaços de luar

tinhas nas mão as palavras minhas

dementes como esqueletos ósseos suspensos no estendal da noite

como acontecia aos orgasmos nocturnos nas miseras coxas em granito

tínhamos corações de xisto

e janelas com imagens encarnadas entre flores e pétalas às pálpebras quebradas

dos vidros restou nada

e da casa com cortinados de papel...

sobraram saudosos beijos embrulhados em simples abraços,

 

Tinhas na mão a pele silenciosa da madrugada

como pingos de chuva

em cansados versos por mim declamados

tínhamos os rios e as pontes e gaivotas embriagadas

nos confins voos em siderais mistelas de açúcar e canela

e demais minhas desérticas palavras

por ti

e de mim

abandonadas

tinhas

na mão minhas

corpos dispersos teu desejo travestido entre plumas e rosas de amor.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:18

07
Nov 12

O doce frio

emagrece o corpo embrulhado em desejo

fingindo-se de morto

e evapora-se nas frestas do olhar esverdeado

que o rio abraçado à janela

pinta nos lábios do poema,

 

é isto o amor

dois corpos

mergulhados no oceano de livros

é isto amar

caminhar sobre as nuvens

e sonhar,

 

amar a tua pele de cravo que Abril semeou

nas mãos de uma criança

quando dormia a cidade

amar o amor em doce frio

que o desejo consome dentro das estrelas azuis

e papeis ornamentais nas paredes do sofrimento,

 

acorda o cansaço

o doce frio

o abraço

que dos lábios crescem as noites infinitamente desencontradas

abraço-te

e desenho no teu doce frio corpo os uivos das madrugadas,

 

às vezes

as lágrimas de ti desaguam no meu rio inventado

não dou importância aos barcos sem motor

nem às flores sem cor

às vezes

às vezes disfarço-me de esqueleto com duzentos e seis ossos,

 

e fingindo-me de vivo

beijo-te loucamente sempre que posso

porque poucas vezes

às vezes fingindo-me de poema

deito a minha cabeça nos teus olhos

e adormeço entre sílabas e palavras e silêncios madrugadas...

 

(poema não revisto)

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 07-11-2012

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:21

14
Ago 12

madrugada

hoje

sem encontro marcado

com a alvorada transparente

 

hoje

eternamente só dentro dos silêncios da noite

 

madrugada

hoje

sem flores na algibeira

o néon agoniado pelo balançar da calçada

a maré cresce

e leva todos os corpos para longe

 

gaivotas com asas de beijos

mergulham nos púbis felizes dos poemas entre mãos

madrugada

hoje

entre mãos

e os dias que desapareceram do calendário suspenso na parede do amor

 

viagem

hoje

eternamente só dentro dos silêncios da noite

 

madrugadas

de papel

entre mãos

e flores queimadas sobre o soalho da tristeza

vem a solidão

vem o mar sem espuma

e leva todos os corpos filhos da madrugada

hoje.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:55

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