Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

02
Jan 15

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Sílabas desencantadas com as minhas tristes palavras,

vírgulas... suicidadas

na árvore azul da parede de gesso,

do outro lado... o espelho do teu olhar,

... o meu rosto parece um verme faminto,

... o meu corpo sobrevoa as sombras do poema...

sem título,

sem dedicatória...

sou uma nódoa envelhecida,

que desce as profundezas do desejo,

sou um esqueleto sem estória...

um pedaço de papel em brasa,

sílabas,

desencantadas,

tristes palavras,

que o tempo alimenta e o luar desenha (no espelho do teu olhar)

as canções emagrecidas,

as cordas voláteis dos homens sem cidade para vomitar...

sem título,

sem dedicatória... nem arma para disparar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:54

21
Nov 14

Desço ao inferno barco sem regresso,

olho-me no espelho do triste Oceano sem cortinados,

ou... ou janelas de pálpebras inchadas,

tenho na mão a enxada da dor...

e nos lábios o beijo de uma flor,

desço,

mergulho...

saltito nas cinzas do teu corpo inseminado nas páginas de um livro,

de poemas,

de “merdas” sem significado algum,

mergulho... e desço...

e percebo que o futuro é incerto,

 

Negro como a noite interminável...

 

Fujo,

escondo-me na sombra do teu sangrento olhar,

desço ao inferno barco sem regresso,

em desassossego,

como um esqueleto esquecido no mar...

como uma árvore que acaba de morrer,

sem medo...

sem... sem palavras de escrever.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:56

10
Nov 14

É esta página em branco que te acompanhará,

regressarei ao meu destino,

como em menino...

triste por partir,

amanhã vou sorrir...

porque vou zarpar,

os outros que transportam as sílabas de luz no olhar,

serão recordados,

amados,

é esta página em branco que te acompanhará...

como uma casa construída de pálpebras castanhas

e janelas de silêncio,

 

O Oceano será o meu aconchego,

a minha Pátria,

porque dizem que sou um apátrida,

pois... não nasci em Portugal...

também não sou Angolano,

sou um cidadão filho do mar,

porque os nascidos antes de 11/11/1975... não são Angolanos,

é esta a página em branco que te acompanhará...

sem lágrimas,

não enrugada,

e sempre sorridente,

como a alvorada,

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:43

03
Nov 14

O silêncio me embala nesta jangada de dor

uma espingarda dispara

contra o meu peito

e a bala

não consegue matar-me

o jorro de palavras soltam-se dos meus lábios

prisioneiros

das tardes junto à lareira,

 

A ribeira

lá longe

camuflada pelas gaivotas sem nome

os barcos se afundam nas tuas pálpebras de enxofre

e os meus dedos se perdem na ardósia da noite...

o silêncio... de dor

uma espingarda em papel

tomba no chão ácido do cansaço,

 

Finalmente

todas as luzes do teu olhar se evaporam

como um vulcão selvagem

nos seios de uma montanha

há dentro da tua sombra

as cintilações do desejo...

e nas tuas coxas de diamante

perdem-se todos os poemas invisíveis da madrugada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:44

25
Out 14

Vagueias entre os lábios das andorinhas de papel

és uma planície desgovernada

que espera ser semeada...

com palavras

e beijos de pólen

vagueias nos disfarces da madrugada

ténue luz

janela encerrada,

 

Vagueias... com arte

vagueias na geometria complexa do meu olhar

esperamos o regressar da vertigem

há em ti o silêncio e a viagem

de vaguear sem destino

vagueias na metamorfose dos ossos de cristal

entre os barcos cansados de caminhar...

… e os homens embebidos nos poemas de chorar,

 

Vagueias no sexo inventado dos amores risíveis

trazes no peito a claridade da insónia

misturamos os dedos nas mãos que vagueiam as montanhas de sémen...

vagueias por vaguear

e sonhas com círculos suspensos no Céu

… e os homens embebidos nos poemas de chorar

que o poeta deixou na clareira amortalhada

que o poeta cessou depois da tua partida,

 

Vagueias miúda no cigarro incandescente

corres, corres... corres sem perceber que há no amanhecer fotografias tuas

calendários moribundos...

e relógios com mecanismos envenenados

vagueias nos alicerces da solidão

deitas a cabeça no meu peito

e em tristes suspiros...

finges que me amas... quando é impossível amarem este poeta de luz...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 25 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:38

13
Out 14

Porque dormem no meu olhar

os traços coloridos de silêncio?

 

Porque existe um veleiro desgovernado

no Oceano meu sofrimento,

se o vento,

se o vento deixou de correr junto às palmeiras...

 

Porque vagueiam na minha mão

as palavras nocturnas da dor,

quando o livro poisado na minha mesa-de-cabeceira...

ardeu,

morreu,

e hoje é apenas cinza como os traços coloridos de silêncio...

 

Porque dormem no meu olhar

os traços coloridos de silêncio?

 

Se nas tuas pálpebras crescem andorinhas sem asas!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:32

17
Set 14

(Ao meu Pai)

 

 

Corre nas minhas veias um enxame de saudade,

percebo pelo espelho do guarda-roupa que existe sobre os meus ombros uma lâmina de silêncio,

procuro nas lágrimas do amanhecer a tempestade da insónia,

e sei que se abrir a janela do cansaço...

um pássaro azul poisará no meu olhar,

sinto-te triste,

amargurado...

desiludido como um soldado,

quando a espingarda lhe é apontada,

e parece que não queres fugir,

apenas preferes ficar sentado...

sentado a ver a Baía de Luanda quando passeavas com uma criança,

e de mão dada...

lhe segredavas,

um dia, um dia meu filho... vamos regressar,

eu, eu olhava o mar, e... e acreditava,

imaginava-me um marinheiro de cachimbo ao canto da boca,

sentia no meu corpo os apitos da paixão,

pela terra,

pelas árvores... pela cidade,

e inventava outros meninos como eu...

que passeavam de mão dada com a saudade,

e desde então... nunca, nunca mais vi a Baía de Luanda!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:52

15
Set 14

Tão longe, esses olhos escondidos no silêncio da minha mão,

tão perto, a tua fotografia a preto e branco suspensa no estendal da solidão,

sentado, escuto, e olho, e sonho...

sentado felicitam-se pela minha ausência,

torno-me invisível, I N V I S Í V E L...

e... e tão pequenino... que nem uma qualquer página de jornal me consegue encontrar,

dizem, quando passam por mim, que enlouqueci,

escrevem nas paredes do meu corpo...

“AUSENTE”,

e um ausentado não sofre,

não chora, não sente,

e... e não quer ser amado,

repito,

sou um simples AUSENTADO,

tenho asas,

tenho ventos nas minhas pálpebras de diamante,

e... e repito,

não,

não quero ser encontrado,

tão longe, esses olhos...

desejam-me como um esqueleto formatado,

e há quem pense que eu sou uma antiga disquete...

não, não o sou,

impossível... impossível formatarem-me,

tão perto, a tua fotografia a preto e branco...

e já me apelidaram de banco de jardim,

de árvore,

gaivota,

apelidem-me de tudo o que quiserem,,,

mas prefiro ser um AUSENTADO,

do que estar presente e pertencer ao amanhecer dos formatados,

porque não um falhado?

um falhado de fato e gravata,

de jornal com três dias de atraso debaixo do sovaco,

agacho-me,

e com o lenço de linho dou graxa aos sapatos...

Ai... anda por aí tanto engraxador,

que me farto,

que me cansa,

que... que não encontro explicação para pertencer ao amanhecer dos formatados,

antes um AUSENTADO...

mesmo sendo um AUSENTADO falhado...

do que um engraxador diplomado,

um... um engraxador fornicado...!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:24

09
Set 14

Esta escuridão que não cessa de gritar,

esta montanha que não se cansa de chorar,

as tuas mãos, meu querido, suspensas no amanhecer,

este mar que te leva para o infinito,

quando do silêncio acordam as ninfas coloridas da dor...

este porto sem correntes,

esta cidade endiabrada que foge do teu olhar,

as árvores que tombam... e... e tu não sentes,

esta escuridão,

nas tuas pálpebras de cartão,

submersas em palavras com odor a tristeza,

esta vida, meu querido... esta vida que teima em destruir-te como se fosses pequeníssimas bolas de sabão...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:25

03
Ago 14

Sinto-me prisioneiro das correntes de luz que embrulham o teu olhar,

sou um casebre perdido na montanha, uma árvore, um cigarro que arde...

e... e que nunca se apaga,

sinto-me a noite no precipício da saudade,

esperando o regresso das mãos poesia,

sinto-me um esqueleto desventrado, uma sanzala iluminada pelas pálpebras da madrugada,

acariciando o meu rosto de página amarrotada,

e... e que nunca se apaga,

o teu sorriso, o teu corpo voando sobre o meu peito,

sinto-me..., sinto-me uma jangada, a maré contra os rochedos,

o poço da morte onde habitam néons com silêncios medos,

e... e que nunca se apaga,

 

Sinto-me prisioneiro das correntes de luz...

quando a tarde se extingue nas tuas coxas,

… o teu olhar,

magoa, incendeia a minha solidão,

sinto-me... sinto-me um desamado, um corpo suspenso na varanda do luar,

na rua, na rua adormecem chapéus de palha e canaviais,

e eu, e eu aqui... aqui... aqui dentro deste casebre perdido na montanha,

havia um beijo à janela do farol, e o petroleiro do amor...comeu-o,

hoje só os lábios de titânio resistiram à dor,

… o sofrimento,

o sofrimento de desejar,

desejar sem ser desejado.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 3 de Agosto de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:40

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