Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

23
Nov 14

Queima o filme negro da tua vida,

ensina aos teus ossos as boas práticas de comer,

sem nunca mencionares o nome da despedida,

nem na rua invisível do teu corpo,

imagina o vento fatiado abraçando-se aos teus seios,

escrevendo neles...

Amo-te...

sem gaguejares,

sem medo de chorar,

os abutres cardumes da insónia

que se alicerçam aos teus cabelos de luar,

queima o filme negro da tua vida... como quem pronuncia pela última vez a palavra amar!

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 22 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:50

19
Abr 14

se o teu corpo fosse apenas uma palavra

uma flor solitária no jardim dos jasmins

uma estátua sem nome

sexo

ou idade...

se o teu corpo fosse a noite enfeitada com lantejoulas e alecrim

desconexo melódico das músicas sem anoitecer

conforme os sonhos da insónia

se o teu corpo fosse uma guitarra

uma bateria prisioneira num quinto andar com janelas para o Tejo...

um cacilheiro em combustão

procurando poemas

 

inventando livros nas mãos do silêncio

se o teu corpo fosse uma sinfonia de fotografias a preto-e-branco

nua

sexo

ou idade...

se o teu corpo habitasse na ponte do incenso

mergulhada na tristeza de um olhar pintado de verde

nua

sexo

ou... idade

se o teu corpo fosse um livro de ler

a lareira do Inverno recordando a saudade...

 

se o teu corpo existisse

tivesse vida como a vida das minhas personagens

se ele me dissesse que me amava

se o teu corpo fosse a jangada

a livraria enfeitada com o pó envenenado das sanzalas perdidas no Oceano...

nua

sexo

ou... idade

se o teu corpo falasse

gritasse

- eu estou apaixonada...

e eu acorrentava-me ao teu corpo com o nome de “palavra”...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 19 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 02:14

23
Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

O dia termina inventando sonhos para a noite que se avizinha

o livro de poesia fecha-se dentro da gaveta do armário

o dia já era

foi

partiu... partiu sem saber o significado da palavra AMOR

não sabe que a saudade habita no edifício da insónia

um triste quinto andar sem janelas

mas... mas pelo olfacto dir-te-ei que temos perto de nós o mar

e as marés de Inverno

e as amarras do inferno...

dentro do dia terminado

do dia... suicidado.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 23 de Fevereiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:01

09
Ago 11

As silabas envenenadas

Entre os seios da montanha

E de portas escancaradas

As palavras com ronha e manha,

 

O papel onde escrevo emagrece

Desce nas profundezas do oceano

As palavras que toda a gente esquece

No final de cada ano,

 

E de um barco amordaçado

Uma vela espera pelo vento

As silabas que no teu corpo dependurado

Dão à palavra vida e movimento…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 09:32

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