Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

22
Out 16

Regressam os barcos das manhãs utópicas do sono

inventando marés de tristeza

nas profundezas da solidão.

Sinto-me tão pequenino nas mãos do sofrimento

como um fio de luz quando acorda o anoitecer…

mar adentro,

o meu olhar desaparece nos braços da lua,

e finjo não pertencer a esta cidade,

a esta rua.

 

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 22 de Outubro de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:40

20
Set 16

São falsas as palavras

que escreves na minha boca,

da inocência de um sorriso amargo

constrói-se a cidade louca,

quando no embargo…

o meu corpo morre junto ao rio,

uma gaivota em cio,

um olhar fundido na neblina

subindo montanha acima…

são falsas todas as palavras,

as esbeltas

e as parvas,

tuas palavras,

conjugadas na escuridão do dia…

desces a calçada,

encostas-te ao silêncio da tristeza,

e um barco sentia

o tremor da madrugada…

o tremor da beleza,

 

São falsas as palavras

ditas e não ditas,

escritas

e não escritas…

 

Na minha boca,

 

Tudo em ti é falso

como sentir da noite a construção do luar,

a cidade dilacera-se em constantes equações de sono

que o prazer alimenta,

envenena…

e faz voar…

as palavras locas

que escreves na minha boca,

 

Sinto nos esqueletos de xisto

as migalhas prometidas

por um falso homem…

às vezes

desisto,

às vezes preciso das nuvens aborrecidas,

 

São falsas as palavras

que escreves na minha boca,

e eu sem saber que a loucura

é uma parvoíce ensonada,

vive desajeitada,

na minha cama…

na minha cama amada,

na minha cama cansada…

 

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 20 de Setembro de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:29

24
Mai 16

todos as noites me sento nesta cadeira sem dono

enquanto não regressa o sono

vou rabiscando qualquer coisa na mão

uma leve brisa guia os barcos até aos meus sonhos

onde poisam lentamente noite adentro

hoje sei que não vou sair daqui

hoje… hoje vou dançar ao som das tormentas

e dos castiçais de prata

que brincam dentro deste velho casebre

iluminado pela paixão

incendiado pelo teu perfume invisível

que a madrugada há-de comer

o derradeiro pequeno-almoço do amanhecer

até que vem o sono

me deito sobre a cama

e invento apitos

e invento gaivotas em papel…

aos gritos

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 24 de Maio de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:50

17
Mai 16

A paisagem despede-se de mim.

Sinto as estrelas poisarem em cada gotícula de suor do teu corpo,

Deito sobre ele a minha desnorteada cabeça,

E regressa o sono do Oriente…

Sonho com pássaros,

Sonho com barcos,

Ínfimas imagens travestidas de loucura absorvem-me,

E sou forçado a fugir para outras paragens sem escuridão.

 

 

Francisco Luís Fontinha

terça-feira, 17 de Maio de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:16

16
Abr 16

túbia dos lábios em cromados beijos

a fúria da tempestade alimentando o desejo

que se perde num olhar

não vejo o silêncio

não sinto o mar,

túbia do cansaço alicerçado à escuridão

um simples gesto

um simples poema

túbia do deserto quando a noite morta

invade a solidão dos musseques floridos

túbia da morte em circunferências loucas

finge-se a sorte

das planícies do medo

arrebata-se a sombra sobre os cadáveres do degredo

entre rochedos

e penedos

que apenas a ondulação da insónia sabe abraçar,

túbia meu do alimento proibido

que travestido de Inverno viaja de cidade em cidade

túbia sentido as pálpebras quebradas

do triste sino

das lamentáveis madrugadas.

 

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 16 de Abril de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:43

14
Abr 16

A desordem das coisas

Quando as roldanas da saudade invadem a noite,

Levam-me o sono,

Levam-me a alegria dos sonhos

Enquanto lá fora a ténue madrugada grita sozinha.

Não.

Avisto os rochedos cravados nos socalcos da insónia,

Visto-me de branco,

Alimento-me das palavras semeadas pela enxada da solidão, amanhã,

Um pedaço de terra tapar-me-á como se fosse um lençol de linho,

Branco e fino,

Com desenhos abstractos que só eu consigo ler,

Não.

A hipotenusa acorrentada à tangente do sofrimento, o seno do desejo, algures encurralado dentro do triângulo rectângulo, e um vício de seda entranha-se no teu corpo,

A geometria da ausência sente-se nos teus lábios,

A recta do amor escondida na mão dos cristais de prata,

Não, não, a fotografia minha despede-se do silêncio,

Oiço os apitos,

Oiço os navios que partem para o desconhecido,

Não. Não.

A desordem das coisas

No limite da escuridão,

O alpendre submerso pelas abelhas que procuram a minha fotografia, não, não preciso de mel, não, não preciso do mar e dos rios sem nome,

Porque amanhã, um pedaço de terra tapar-me-á como se eu fosse uma pedra sonolenta, triste, recheada de olhares sem amanhecer,

Não.

Não.

 

 

Francisco Luís Fontinha

quinta-feira, 14 de Abril de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:02

26
Mai 15

Não oiço as camufladas sílabas do sono,

O corredor embrulha-se no sonho,

Transeuntes vestidos de sombra,

Correm,

Inventam sorrisos…

Como se fossem espelhos fendilhados,

Retractos de medo

Em cada parede,

Ou…

Ou em cada silêncio,

Não oiço…

E também eu… invento sorrisos nas pálpebras da dor.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 26 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:32

18
Mai 15

Coloridas pétalas de sono

Sobre o teu corpo embebido na gelatinosa alegria do amanhecer,

A sinfonia da madrugada

Em desespero,

Sem saber

Que a noite não acordará mais,

 

O mar

Envolto nos cabelos das andorinhas,

Os barcos cansados,

No teu peito,

E o tempo alimenta o teu sorrir,

E ouvem-se em ti

As lágrimas de partir…

Nas palavras de fugir,

 

Coloridas pétalas de sono

Procurando abraços

E telhados de vidro fumado,

O dia prisioneiro ao triste calendário,

E o teu corpo

Pincelado pelo orvalho,

 

E o teu corpo… também ele uma pétala colorida,

Sem vida,

Sem vaidade,

Como eu,

Como ele,

Sombras de uma qualquer cidade,

Umas vezes olhando o céu,

Outras… outras brincando na claridade.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:26

09
Abr 15

O texto reflectido no espelho da saudade

Subíamos ao cimo da montanha

Perdidos

Saltávamos as pedras e os vultos

Que alimentavam a montanha

A luz iluminava-nos

E ficávamos transparentes

Como a água

Que descia os socalcos do desejo

Tínhamos a noite

Habitada pelo medo

A separação ambígua do silêncio

As armas apontadas aos teus olhos

A caneta em fúria

Disparando palavras

Que só a tua pele conseguia absorver

Não havia entre nós

Muros

Sanzalas de areia

Mar

Caixotes em madeira

O barco

Deslizava nos teus seios de orquídea selvagem

Dormíamos nas campânulas da solidão

Dizíamos que um dia

Um electrão

Apareceria nas nossas mãos

Nem protão

Nem…

O barco

Ferrado no sono da madrugada

Acorrentado às trincheiras da paixão

Que pela manhã

Acordava

Acordavas

Eu acordava

Ele acordava

E não dávamos conta

Que o dia tinha terminado

A morte dos fantasmas

Na sala crucificada pela ausência

A minha

Tua

Os pesadelos viajavam de cidade em cidade

A bagagem secreta dos lábios de prata

Escondida numa ribeira abandonada

A carta

Não regressava

E havia no teu corpo sílabas de chocolate

Inventando homens e mulheres

Brincando no jardim junto ao rio

Nunca percebi o mecanismo dos relógios

E dos aceleradores de partículas

Nunca percebi que amar…

Não percebo

Não sei

O significado das palavras

E dos livros

Sobre a mesa-de-cabeceira

Em lágrimas de crocodilo…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:38

18
Mar 15

O fantasma orgulho do corpo

que navega nos sorrisos imperfeitos

fingimento

quando a noite cai

não vive

e quer

ser

não sendo

o que é...

uma lâmpada de lágrimas

alicerça-se ao ombro ferido da serpente

tem na roupa a etiqueta

 

mas...

mas existem pedras de giz

na ardósia tarde que observa o rio

não vive

e quer

ser

não sendo

o que parece

às vezes é uma estrela

às vezes... não passa de uma sombra

velha por dentro

infeliz

 

coitada

e quer

a serpente sobre a secretária

difícil de perceber

o amor

as palavras

os livros

e todas as lâminas que o sono constrói no sonho

a casa desabitada

infestada de personagens

cansadas

como o silêncio luar...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 18 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:17

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