Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

07
Dez 15

A morte desliga-se do corpo

Interrupção da vida entre momentos e obscuros silêncios

Oiço a tua voz poisada no espelho do guarda-fatos

Sentes no cabelo a tempestade dos órfãos parágrafos

Apenas palavras, meu amor, palavras sem nexo

Para pessoas sem nexo

Como tu

Como eu

Sempre no esquecimento de viver sem perceber o significado da vida

Uma passagem

Uma pequena passagem…

Para o húmus

A terra incendiada pelos teus gemidos

O borrão da caneta de pinta permanente sobre as sanzalas da tua adolescência

Foste feliz, meu amor,

O homem mais feliz de todos os homens felizes

Que eu conheci

Tinhas um crocodilo em pão-preto

Algumas fotografias a preto e branco

Um carrossel de cartão

E eu era feliz nos teus braços

A morte desliga-se

Foge

Covardemente

Foge

Sem deixar rasto

Endereço

Número de polícia

Rua ou calçada

Tanto faz

Não existes

Deixaste de pertencer às manhãs televisivas

Sentavas-te no sofá

Incrédulo

Rabugento

Nas finíssimas lágrimas da tristeza

Que o teu rosto transportava

O engano

A mentira

O sofrimento do Adeus quando a presença é desconhecida

De mim

De ti

De nós…

Às vezes acreditava que conseguias voar

Mas logo percebi que era impossível voares…

Apenas os pássaros o sabem fazer tão bem

Que

Que sempre duvidei que o conseguirias

Felizmente

Não o conseguiste

Eu não o consegui

Que

Amanhã perceba porque não o consegui

Escrevo-te sem saber porque o faço

Não me importa a solidão

E as noites sem ninguém

Não me importo com o amor

A paixão

E a ressurreição dos panos de linho

Não me importo, meu amor, não me importo com as coisas simples da vida

Os livros

Sentado numa esplanada com sabor a Tejo

Uma cerveja, um prato de caracóis, e nada mais…

Amava a tua alegria

Amava os teus braços na minha face…

E nunca me disseste que ias partir!

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:36

31
Out 15

Tive um amigo que morreu de silêncio,

Paz à sua alma,

Tive um amigo que se cansou da melancolia dos dias, das noites, das noites sem noites depois das noites, vivia acorrentado a uma árvore, eu, acreditava na inocência dos seus lábios, encardidos pelo temporal, desgastos pela insignificante margem do rio onde brincavam gaivotas e marinheiros, e sucata de mim

Ontem fui a um bar em Cais do Sodré, sentei-me, viajei até mil novecentos e oitenta e sete, era dia, corríamos embriagados em direcção ao medo, havia conquilhas e cerveja à mistura, como sempre, este amigo, embriagado pelas minhas palavras,

Amo-te, dizia ele, quando percebia que a escuridão se entranhava nos meus ossos de veludo, que eu, semeado na seara do vento, tinha medo, sentia a solidão sobre o meu peito, havia noites de tortura, havia noites de desequilíbrio mental, a loucura, o Tejo no meu quintal,

E sucata de mim,

Que boiava nos teus cabelos, meu amor, e sucata de mim espalhada pelos sítios mais incógnitos da nossa casa, um palheiro, simples, e felizes, assim,

Acorrentado, tu, meu amor, nesta cidade de Cais sem destino, de barcos sem comandantes, ou cordas de nylon invisíveis, e mesmo assim, recordo-te, amar-te talvez, um dia, amanhã, depois de amanhã… ou ligo, talvez, talvez meu amor,

No meu quintal,

Uma sanduiche de sódio baloiçava nas minhas veias, sentia a morte, o fim, a despedida, não faz mal, meu amor, amanhã, talvez, no meu quintal, eu, em Cais do Sodré, abraçado a ti, sem ninguém, amanhã

Tive um amigo que morreu de silêncio, frequentava a minha poesia, uns dias aparecia outros…

Amanhã, não saberei se tu,

Outros… uma cancela de vidro,

Se tu me amas, se tu, se tu me recordas como recordas as tristes alvoradas em frente ao Tejo,

Outros, e mais outros, não sabiam que o amor é um cubo de chocolate, só, triste e só, como eu

Tejo?

Outros…

Amanhã, não saberei se tu,

Outros… uma cancela de vidro, um comboio em aço desgovernado subindo a Calçada da Ajuda, e

Ajuda nenhuma, sempre só, meu amor, sempre, sempre só nos teus braços, nos teus fantasmas, nas tuas coxas de silício mergulhadas na corrente eléctrica do sofrimento, Tejo?

Talvez, meu amor, talvez…

Tive um amigo.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 31 de Outubro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:26

25
Out 15

Hoje visitei a cidade das esplanadas, sentei-me no teu colo, mergulhei no teu perfume, sabia-me a saudade acorrentada a um triste cubo de vidro, não importa, amar-te-ei sempre, amar-te-ei eternamente sempre, mesmo que o rio se esconda no pôr-do-sol, amar-te-ei

Tive um sonho, revistavam-me a casa, conversava com o meu pai sobre os meus poemas, sobre livros, sobre as coisas mais simples da vida,

Toma conta da tua mãe,

Amar-te-ei eternamente só, amar-te-ei eternamente até que a morte me transforme em poesia, e a minha cinza seja lançada ao mar, sempre amei o mar, sempre amar-te-ei eternamente te,

Hoje, visitei a cidade das esplanadas, sentei-me, não estavas lá, a tua ausência recorda-me o livro de “Boris Pasternak” “O Doutor Jivago”, Lisboa, 1987, há tanto tempo que recuso afirmar se o amar-te-ei é verdadeiro ou apenas um sonho de amar, uma nuvem, a chuva descendo devagarinho sobre o teu corpo de chocolate

Falavas-me de ter juízo, mas pai, sabes que nunca tive juízo, nasci assim, sou assim, eu sei meu filho, eu sei, mas tento conversar contigo todas as noites, mas tu, meu filho, sempre ocupado, pareces uma ribeira descendo a montanha,

O teu corpo de chocolate derretendo nas minhas mãos, os teus olhos alicerçados aos meus olhos, amar-te-ei? A menina dança…!!!!!!!!!!!!!!!!!! Não, esqueça, desista de mim, e vou desistir de conversar contigo, sempre as mesmas palavras, tu falas, eu, eu oiço, sempre as mesmas palavras…

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

domingo, 25 de Outubro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:01

29
Ago 15

desenho_30_08_2015.jpg

(desenho Francisco Luís Fontinha – Agosto/2015)

 

Deixou de habitar este corpo a paixão diabólica da alma sem destino,

Deixaram de escrever as palavras do vento estas mãos esfarrapadas,

Longínquas do olhar da madrugada,

O medo alicerça-se ao peito, as facas do silêncio grunham como as serpentes envenenadas pela noite,

O tédio quando esqueço a solidão e construo círculos de luz nos teus seios…

O teu corpo desabitado, encurralado nas cordas de nylon dos Oceanos mendigados,

E não consigo perceber o amor das flores desenhadas nos teus lábios perfumados,

Como nunca percebi o desejo em mim do estranho luar…

E este mar, meu amor,

Crucificado nas espingardas do coração abandonado,

Semeado nas searas do cansaço…

É triste, meu amor…

Deixar de habitar este corpo a paixão diabólica da alma sem destino,

É triste, meu amor…

Cair sobre mim o tecto do sofrimento junto ao Tejo,

E os Cacilheiros na minha boca… sufocando-me com o relógio enforcado nas pontes do Cacimbo fugindo do pôr-do-sol…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Agosto de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:29

26
Ago 15

Nada me resta neste condomínio fechado,

Esculpido nos muros com esqueletos de xisto,

Brinco com uma bala em direcção à morte,

Sinto o peso da tua mão poisada no meu ombro,

Pareço uma janela sem cortinado dançando ao som do vento,

Este navio em pequenos círculos,

Quadrados,

Parábolas loucas na ardósia da tarde,

Imagino-te vestida de rosa doirada,

Imagino-te sentada na clareira da madrugada,

Triângulos de insónia

Adoçando o teu olhar de andorinha,

E nada, nada me resta nesta montanha suicidada…

Perdi as árvores, perdi as rochas e a sombra das árvores,

Tenho dentro de mim um hipercubo doente…

Não tem coração,

Tenho dentro de mim os fios de nylon das redes transparentes do sonho,

E não tenho sonhos para te descrever,

Invento sonhos,

Invento personagens nas finas lâminas do desejo,

Invento, imagino-te sem nome, e nada… me resta… e nada me resta neste condomínio fechado,

Não me interessa se tens no sorriso um lençol de linho, não me interessa se tens nos lábios os socalcos afogados no Douro,

Não me interessa se navega no teu ventre um barco Rabelo…

Ou uma bandeira sem Pátria,

E nada,

Deixei de amar os livros, deixei de pertencer aos tristes mendigos da cidade em combustão,

Deixei de amar o amor, deixei de amar o mar… e as palmeiras filhas do mar,

Agora, sento-me numa velha esplanada, escrevo o Tejo sobre a simples mesa de plástico,

Pego num café, puxo de um cigarro envenenado pela tua boca,

E escondo-me da luz, e escondo-me das imagens prateadas projectadas nos alicerces da memória,

Fujo, escondo-me, e nada…

Apenas lágrimas confusas descendo o meu rosto de granito,

Grito,

Grito como se eu fosse uma noite de luar,

Grito como se eu fosse um comboio desgovernado…

Contra a carruagem da saudade.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:27

20
Ago 15

Não há drageia

Nem poesia que me valha,

Entrelaçávamos as mãos nos infinitos Oceanos de luz,

Caminhávamos como crianças sobre as pedras invisíveis da carícia,

E tu olhavas-me quando eu ficava transparente,

Simples,

E ausente,

Voava abraçado às gaivotas,

Fotografava com o meu olhar os barcos de papel

Em velozes corridas contra o vento,

Um dia, despareci da tua sombra…

Subi os degraus do desejo,

Alicercei-me às tuas coxas salgadas…

E sentia os teus ossos na margem do rio onde nos sentávamos,

Tive medo,

Porque descia a noite sobre os nossos ombros,

E quando acordava a noite…

Ficávamos agachados junto aos beijos hipnotizados,

Dormíamos,

Dançávamos à janela com retractos para o Tejo,

A ténue velhice levava-nos para as ilhas rochosas da solidão,

Hoje…

Pareço um pedaço de aço

Esquecido numa qualquer sucata,

E espero,

E espero o regresso do forno…

E novamente serei um esqueleto nas mãos dos infinitos Oceanos de luz,

E espero… espero pela tua mão iluminada.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:01

03
Ago 15

desenho_03_08_2015.png

 (desenho de Francisco Luís Fontinha / 03-08-2015)

 

Sinto o Tejo cravado no peito,

Acaricio os cigarros olhando a ponte,

Pego na tua mão,

Permaneço secreto como os barcos que brincam nos nossos lábios,

Desenho beijos na face oculta do teu olhar,

E vejo a alegria entranhada nos teus cabelos,

Sinto o Tejo cravado no peito,

A paixão esperando o regresso do vento,

As palavras deixaram de habitar as cartas envidraçadas,

Cerrei todos os livros,

E todas as madrugadas,

Hoje, és uma rua deserta,

 

Perdida na cidade…

Sem nome,

Sem nada…

Sofro,

Tenho no rosto as lágrimas argamassadas da fuga,

Quero fugir,

Sem rumo,

Procurando o Tejo cravado no peito,

 

Ou pegar na tua mão…

 

Sem jeito,

 

Sem Tejo cravado no coração.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:05

01
Ago 15

desenho_31_07_2015_2.png

 

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

Escondo-me nesta cidade de sombras, vou à janela e oiço o fogo das imagens prateadas no corpo inabitado, preciso de ver o mar, os barcos, os corações acorrentados à geada, escondo-me

- Acordei nas alegres palavras do silêncio folheando fotografias embainhadas nas bocas sonolentas da madrugada, fui ao espelho, do meu esqueleto saltitou a paixão, percebi que o amor… é uma estrada infinita,

No cais assombrado pelas palavras, sinto o cigarro do meu sonho, escrevo pensando que o sono é um espelho de algas finas, frágeis, quebradiças quando da tempestade,

- Então pá?

Nada,

Amanhã o perfumado piloto da minha jangada,

- Então pá?

Não o sei, tinha na mão a sangrenta visão das serpentes da noite, sabia o meu nome, percebia que eu era apenas uma pedra em granito, frio, cansado das horas travestidas de medo e lágrimas, cinco minutos debaixo de uma árvore que aos poucos fui travando amizade, hoje

- Uma amiga vestida no Verão e nua no Inverno, são assim, as árvores do meu jardim, belas, fingidas de verde correndo os Musseques da forca,

Hoje, Musseques da forca, ruas enganadas pelo Tejo, recordo os Cacilheiro de lábios pintados e de mini-saia, e eu…

Escondo-me,

Parto para o sofrimento andaime das flores gigantes, a loucura encurralada nas ruas de Lisboa, ela ama-me

- Areia fina, rochedos cinzentos afagados nos meus braços, desço a Calçada, encontro-te na infinita poesia da manhã, o café recheado de promessas, amo-te,

Os amigos ao longe, olhavam-me, fotografavam-me com as mãos calejadas da velha espingarda com balas de papel, ria-me, chorava, perdia-me

- No teu corpo, entardecia nos teus seios,

Então pá?

Desciam as nuvens sobre o teu cabelo, escondia-me nas tuas coxas, e nem tu, e nem eu, sabíamos que um dia chegaria a saudade, então, pá?

Nada,

No teu corpo, a prisão inventada por um louco verdadeiro, como o circo, eu sobre um arame invisível, corria, agachava-me nos teus lábios, as estrelas, as ruas, as casas, as “putas dentro das casas”… Então, pá?

Todos os vidros da janela do amor entre beijos na estrada infinita…

- Então, pá?

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 1 de Agosto de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:25

21
Jul 15

A velha estrada em direcção à morte,

Os plátanos das tuas pálpebras,

Cansados,

Tristes,

Revoltados de tanta geada

E tempestades de noite,

Inventas o sono

Nas paredes escuras do sofrimento,

Dormes,

Habitas neste cubículo como se fosses uma sombra envenenada pelo silêncio,

Lá fora,

Pássaros à tua espera,

E da velha estrada

Chegam a ti os Oceanos de prata

Que ofuscam o teu olhar,

Um soldado perde-se nas margens do Tejo,

O caderno acorrentado à mão

Vagueia sobre os cinzentos espelhos da dor,

E todas as palavras voam sobre os esqueletos de papel

Que brincam no teu peito,

A janela do teu quarto encerrada,

A porta dos vinhedos descendo o Douro,

Também ela…

Encerrada,

Não há um número nos seus braços,

Incógnitas manhãs sobre um lençol de linho,

As flores queixam-se da tua alegria,

Cessou,

Como cessaram as pontes para a outra margem…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 21 de Julho de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:15

24
Jun 15

Não tenho pressa de voar nos teus olhos,

Meu amor,

Sei que nas tuas lágrimas existem diamantes invisíveis,

Um silêncio de noite

Cobre a tua pele,

Não tinha tempo para o amor,

Amar,

Ser amado,

Escrever no teu corpo os meus frágeis dedos,

Amo-te,

Amo-te sem perceber porque amo a noite,

Amo-te sem perceber porque hoje é noite,

Construída num quadrado de vidro,

Hoje ouvi os primeiros dos últimos sussurros dos pássaros daquele jardim envenenado,

Não sei, meu amor, escrevo-te sem saber se existes nesta Galáxia de alegria,

Amar,

Ser amado,

Amo-te sem perceber as palavras do teu corpo,

O poema,

A paixão,

A caricia das tuas mãos escondidas num caixote de sonhos,

Os desenhos, também eles te amam,

Meu amor,

Os barcos,

Os livros,

Cobrem a tua pele…

Sentado em ti,

Embrulhado nos teus beijos,

E mesmo assim,

Não quero regressar a uma Lisboa iluminada por Cacilheiros

E soldados de papel,

Ouvíamos os comboios em direcção a Cascais,

Belém brincava nos nossos braços,

E havia sempre uma esplanada para aportarmos,

Éramos âncoras de luz

Olhando as geométricas quadrículas do sexo,

Gemias,

Meu amor,

Entre poemas e poemas de ninguém,

Éramos odiados pelas serpentes dos eléctricos,

E pelos insectos da madrugada,

Fumávamos todos as estrelas,

Ignorávamos todas as pontes

E todos os abutres de aço,

Felizes eles,

E elas,

E eles,

Meu amor,

Fugíamos das noites com cortinados de desejo,

Tínhamos na nossa cama a solidão,

Os barcos de há pouco recordados,

Os acentos acorrentados à maré inseminada pelo pôr-do-sol.

Não o quero,

Meu amor,

Não o quero no meu corpo,

Na minha alma,

E nas minhas raízes…

Só elas conseguem aprisionar-me ao amanhecer,

E só tu consegues libertar-me desta cidade a arder…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:15

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