Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

05
Ago 15

Fernando_Fontinha_23_05_2015.jpg

Fernando Martins Fontinha

29-11-1938 / 29-07-2015

 

Em todas as guerras há sempre um vencedor e um vencido. Infelizmente perdemos a guerra e venceu a doença. Nem sempre é assim, e é com enorme felicidade quando temos conhecimento que alguém ganha esta guerra.

Tudo foi feito por parte do IPO-Porto e seus Profissionais, tal como da nossa parte, eu e a minha mãe.

Quando se fala tão mal do nosso SNS, apenas queria deixar algumas considerações; se o meu pai tivesse uma vida contributiva até aos 100 anos, provavelmente não pagaria um décimo do que esta Instituição gastou com ele (cirurgia, radioterapia, quimioterapia, tratamentos inovadores, PET´S vários…, etc.). Nunca nos disseram que não fazia isto ou aquilo porque era dispendioso.

Durante as sete semanas de Radioterapia ficou na Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Norte sem qualquer custo para nós. Veio a falecer na Unidade de Cuidados Paliativos sita no edifício da Liga Portuguesa contra o Cancro.

Perdemos a guerra mas o nosso “General” tombou com toda a dignidade, nunca recusou nenhum tratamento, nunca nos falou que ia morrer… lutou até ao último segundo de vida.

 

Agradecemos:

 

IPO-Porto e todos os seus Profissionais. Foram fantásticos;

Liga Portuguesa contra o Cancro – Núcleo Regional do Norte e seus voluntários;

Unidade de Cuidados Paliativos do IPO-Porto e todos os seus Profissionais;

ECCI de Alijó;

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alijó (Direcção, Comando e Corpo Activo). Um grande obrigado por todo o apoio e amizade;

Aos nossos familiares e amigos;

 

Terminamos com a mensagem recebida de uma Profissional da Clinica da Pele, Tecidos Moles e Ossos, após o conhecimento do falecimento do nosso ente-querido:

 

“Sinto muito, mesmo muito Sr Francisco! O Sr Fontinha foi um guerreiro, um lutador, Grande Homem! O senhor foi um filho exemplar, sempre presente e a acompanha-lo e a sua mãe uma grande mulher, uma verdadeira companheira! Partilhamos a vossa dor... vocês são o exemplo do que uma família "a sério" deve ser, muitos parabéns por isso! Um grande beijinho de toda a equipa.”

 

Obrigado a todos

 

Arminda Fontinha

Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:11

07
Jun 15

O vento

Invento

No teu tempo,

 

Trinta e dois segundos de nada,

Ninguém ao leme deste veleiro,

Tão triste,

Tão cansado,

De acreditar,

E sonhar,

 

Adormeci,

 

Não percebo os números

Da minha rua

Desenhados em plena madrugada,

 

O amor,

 

Meu querido,

 

Não é nada,

 

O vento

Invento

No teu tempo,

 

Carícias…

Embrulhas-te no meu poema,

Danças na minha tela

Como se fosses o primeiro orgasmo da Primavera,

 

E dormes na minha cama!

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 7 de Junho de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:25

22
Mai 15

Começo a ficar cansado destes corredores, do metro de superfície e das árvores, enquanto fumo, nem consigo ouvir os pássaros; ou já não existem pássaros, ou não querem falar comigo.

 

Sinto-me entalado entre o meu corpo de sombra e o silêncio,

Caminho na estrada da solidão

Na ânsia de encontrar a noite,

E pergunto-me…

Porque não é sempre noite?

Não regressam a mim

Nem os pássaros,

As árvores,

E apenas vivo com o medo poisado nos ombros,

Fingir,

Sorrir a cada sorriso,

Sem vontade de o fazer,

 

Sem vontade de sorrir

E viver,

Nas árvores,

Nos penhascos pintados de Primavera,

Quando é sempre tempestade,

Esta cidade,

Esta terra sem memória,

Cintilações nos meus braços

Das lágrimas envenenadas,

Conversar…

Chorar…

Ai os pássaros,

 

Ai as árvores,

Em sentido proibido,

Sem saída,

A minha rua,

A minha casa,

A minha estadia… por aqui, e ali…

 

Esqueci a minha morada,

Perdi todas as minhas palavras

No mar,

No rio

De sangue,

E sem vontade de falar,

E sem vontade de brincar

Nas árvores,

E com os pássaros,

Nos pássaros,

Abros a janela do meu peito…

E adormeço embrulhado no vento invisível.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:36

19
Mai 15

Os teus braços aqui ao lado,

Parecem serpentes esfomeadas

Esperando as palavras da noite,

Ambos sabemos que as palavras não regressarão nunca,

Como nós,

Impossível regressarmos de onde partimos,

Complicada

Esta vida de marinheiro sem embarcação,

Complicada

Esta vida de transeunte sem cidade,

Ou livro, ou cais…

Para aportarmos,

 

Falta-nos tudo

E tudo temos,

 

As crateras e os peixes,

O silêncio e a madrugada,

Embriagados destinos

Com sabor a nada,

 

E os teus braços

Mesmo aqui ao lado,

Serenos,

Deitados…

Ouvindo os apitos dos comboios encurvados no Douro,

O rio

Sofre,

O rio

Sente

Os teus braços…

Nos meus braços

Afogados.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 19 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:20

17
Mai 15

Finjo que não pertenço à tua vida,

Esqueço,

E não o mereço,

Enquanto dormes saboreando as cinzas invisíveis da dor,

Esqueço,

E apareço,

Nas escadas ingrimes do sofrimento,

Não alimento a dor com o nascer da madrugada,

Que amanhã…

Que amanhã não sei se vai acordar,

Finjo,

Esqueço,

 

Estas tristes sílabas doentes

Fundeadas nos braços de um rio,

Sem nome,

Porque os meus rios não têm nome,

Não têm idade,

Sexo,

Ou…

Ou… ou religião,

A cor da pele não me interessa,

Esqueço

E não mereço,

Os teus lábios ressequidos pelo abismo dos rochedos de cartão,

 

E amanhã,

Se a madrugada acordar em ti,

Esqueço,

E desapareço,

Das noites infinitas do teu triste olhar…

Que só o mar consegue perceber,

 

E

 

E desenhar.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 17 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:19

11
Mai 15

Perdidamente só

Nos corredores da esperança

Acreditar

Sabendo que a mentira

É a verdade

De ser

E sentir

As correntes do desassossego

A melancólica palavra

Nos teus lábios

Ensanguentados de sílabas

E de orgasmos

Literariamente

Infinitos

Perdi os sonhos

E a vontade de desenhar o teu corpo

No meu corpo

Escrevo

Sem saber o que escrevo

O que sinto

Não sentido

A mentira

Transformada em verdade

Cerro os olhos

E acredito nas pálpebras de estanho

Que a madrugada constrói no teu olhar

E não consigo transpor o cortinado do sofrimento

Perdidamente só

Enquanto a montanha se abraça no medo

O papel fumado

Ardido

Consumido pela tempestade

Dos tormentosos alfinetes da sanidade mental

A loucura

Travestida de mulher

Escondida nas catacumbas da solidão

O que sinto

Não sentido

A mentira

Transformada em verdade

Cerro os olhos

E vejo-te deitado num caixão…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 11 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:42

22
Abr 15

Estou cansado da esperança

Deixei de acreditar no sorriso fictício da madrugada

Sinto o teu sofrer

No meu sofrimento

De te perder

De não conseguir achar-te

Nas ruas desertas da minha cidade

Estou triste

Meu querido

Sofreres

E eu

Impávido

Escrevendo palavras

Inventando amores

Para esquecer a tua dor

Desenhando flores…

Flores… meu querido

Que vão alimentar a tua lápide

Não tenho coragem de desiludir-te

Invento estórias

Para adormeceres

E acreditares que existe madrugada

E que amanhã estarás vivo

Mas percebo o quanto é difícil

Mentir-te

Escrevo-te

Meu querido

Sabendo que amanhã é outro dia

Sem endereço no calendário

O oculto desejo de caminhares sobre os rochedos da insónia

Sabes que não aguento mais este sofrimento inválido

Nos cigarros fumados num jardim com odor a morte

Nunca tive sorte

Nem vontade de lutar

Sou fraco

Meu querido

Choro em silêncio

E pareço uma estátua em granito

Finjo

E minto-te

Mas não acredito

Deixei de acreditar

Quando vejo a tua vida

Escoar-se numa conduta sem saída

Às vezes

Sinto as tuas mãos nas minhas mãos

Víamos os barcos no porto de Luanda

E hoje

Não Luanda

E hoje

Não barcos

Estou cansado da esperança

E das esquinas sombrias da melancolia

Estou cansado do meu corpo envolto de abelhas

E do pólen envenenado pelas madrugadas de sofrer

Não me ouves

Meu querido

O dia deixou de pertencer aos Luares nocturnos dos visitantes sem nome

Nunca me esqueço

Dos sonhos alicerçados nos teus cabelos

Caducos

Inexistentes

E hoje

Percebi a tua agonia

Nas vagas de espuma do silêncio

Que o mar engole em cada amanhecer…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:38

27
Jan 15

Porto, 27 de Janeiro de 2015

 

 

Não te oiço

olho os pássaros suspensos nas árvores

e imagino-te um poema em construção

não te oiço

mas sinto o ranger do teu corpo

como um comboio descontrolado

triste...

tão triste que não sabe o significado da dor

tão triste... que se aprisiona no silêncio de um longínquo corredor

tens nos olhos a noite estampada

e não existem estrelas nas tuas mãos...

nem luar no teu sorriso

não te oiço

invento horas num relógio imaginário

os dias

as manhãs

tudo não passa de um sonho

e não te oiço

meu querido

porque imagino-me nos teus braços

passeando as ruas de Luanda

víamos os barcos

e as sanzalas...

sem que eu percebesse o que era a morte.

 

 

Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:49

21
Jan 15

Pintura_74_A1_Nova.jpg

 

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

a náusea palavra aprisionada nos lábios da dor

trazes nas veias o poema de luz

que dorme nas raízes do medo

o silêncio do teu sofrimento

folheando um livro sem imagens

melancólico

abstracto

a ilha

sem árvores

sem casas de pano

como tínhamos no Inverno

sem percebermos o que era a saudade...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:53

07
Jan 15

Vidas cruzadas, estradas de sal, lágrimas de silêncio pergaminho em saudade, corredores enormes, gritos e escadas sem corrimão, olhos cerrados, portas, muitas portas... e todas encerradas,

Vejo no espelho do meu olhar a morte vestida de árvore,

Dança, o menino?

Pássaros loucos, vozes, a dele e dos outros pedaços de pano,

Ai...

Estou farto disto?

Vidas,

Feiticeiros equacionando búzios e incógnitas, os senos desencantados com a trigonometria da paixão,

Hipocritamente o seno hiperbólico do amor...

Dança, o menino'

Abutres, girafas,... abelhas, poemas cansados nas nas tuas mãos de marinheiro, o teu amor por mim, as palavras escritas no meu corpo pela tua própria mão...

Está frio...

Dança?

Vidas cruzadas,

Estradas de sal,

Lágrimas de silêncio... nos meus lábios.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira , 7 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:01

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