Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

16
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Não tenho dias de ti

em todos os horários mergulhados nas amoreiras cinzentas

não posso acreditar nas tuas tristes palavras

que alimentam a máquina dos sonhos

não

não tenho dias de ti

e em ti

as películas negras da paixão

desertaram

morreram

esgotaram-se como amêndoas de cartão

no amanhecer desconhecido,

 

Não

não tenho dias de ti,

 

Em ti

e em ti,

 

Não

não tenho dias em ti

e em ti,

 

Não tenho dias de ti

às conversas mórbidas das tardes poeirentas

há silêncios que demoram...

há em ti

momentos

desejos

circos ambulantes entre rosas e palavras sem sentido

tu

eu

perdidos dentro do mundo sem fechadura...

e sofremos

e sofremos as sílabas dos calendários falsificados.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 14:45

09
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

embriagas-me os olhos em silêncios neblina

como esperanças vãs

e manhãs adormecidas

que dentro ti

voam como serpentes em desejo

no veneno tua doce mão

que dentro de ti

entre o beijo e a saudável poesia

embriagas-me

os meus olhos sintéticos pintados com acrílicas insónias

e dizes que as minhas pálpebras são os pedaços da noite

mergulhadas em mesas de café...

 

embriagas-me como paixões de areia

no coração dos barcos apaixonados

indefinidos sem saberem o sexo das marés travestidas de baloiço

onde me embriagas

e me comes

e sinto o meu esqueleto vaguear sobre as tuas coxas de cereja

como um transeunte ausentado das madrugadas em papel

branco vazio sem palavras ou... recheado de cadáveres empobrecidos...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:52

22
Out 12

cessam as luzes dos teus olhos

manhã de Outono fictícia

sem perceberes que da janela da saudade

rompem lágrimas envergonhadas

tímidas

madrugadas

quando a paixão entra no orifício circunflexo da solidão

e no cubo do medo a tua voz mergulha nas bocas em desejo,

 

cessam as luzes

e os olhares das plantas

cessam todos os silêncios que a lua constrói

na mão clandestina de uma abelha,

 

tímidas

madrugadas

envergonhas

lágrimas

todas elas

à janela com cortinados de sémen

o amor dorme docemente nos teus lábios

manhã de Outono fictícia .

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:52

28
Ago 12

Esqueci-me de acordar

e de abrir a janela da manhã

como sempre o faço

desde que o mar deixou de visitar-me

antes de nascer o sol

muito antes...

muito antes de todas as luzes da cidade se extinguirem nos alvéolos do cansaço

o fumo do meu cigarro

recomeça nas profundezas dos socalcos pregados aos cortinados da montanha

o rio vomita faiscas de palavras que ninguém lê

e que todos prendem ao horizonte desgovernado e invisível e doente

muitos antes

os milhões de fantasmas que dormem nas ruas da cidade inventada

com um rio inventado

com mares e barcos e velas

inventadas

nas mãos de um mendigo

eventualmente

ausente das tardes de insónia

como o amoníaco dentro das paredes de vidro

muito antes...

muito antes de eu ser um velho marinheiro

deambulando pelos trilhos dos oceanos de luz

ausentes

ausente na minha própria manhã

e de abrir a janela

como sempre o faço

e hoje

e hoje me esqueci

e hoje

e hoje fiquei sem manhã

como sempre o faço

e hoje

e hoje não tive forças para a abrir

e olhar

e olhar o silêncio da paixão...

nas flores do amor

dos sorriso de mar

que são os olhos da saudade.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:21

28
Jul 12

Os beijos prometidos

das planícies em silêncio

dos beijos desejados

esculpidos no sorriso da manhã

e à boca algemados

os beijos em marés de desespero

sem medo

da tempestade

 

os beijos prometidos

em amor tua mão

dos beijos sofridos

 

os beijos prometidos

dos pedacinhos de nuvem adormecida

ao loiro cabelo da gaivota

em revolta

por amar

por amar um rio sofrido suspenso na neblina.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:18

16
Jun 12

Manhã de Junho

das manhãs mais parvas da minha vida

 

manhã sem sentido

de Junho

numa rua sem saída

 

manhã de Junho

nesta cidade parva

que é a vida.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:31

02
Abr 12

A purpurina manhã desce sobre a cidade melancólica, erguem-se as árvores e os pássaros e sentados na esplanada das horas, uma miúda gira, e sentados na esplanada das horas rompem entre candeeiros e luzes domesticadas as sandálias da infância, assobiam os calções à penumbra sombra que há em ti,

- Uma miúda gira solta a cabeça e desenha um beijo nas nuvens, E deixou-me adormecido até hoje, distante até hoje, olhas as mesas e as cadeiras sobre o pavimento alcatifado quando os dias se evaporam nas entranhas das tuas mãos, e depois, e depois sou apenas uma pomba desvairada à procura da primavera,

Já fui barco, já fui um edifício em ruinas, e a miúda gira, e já fui sombra com asas na ardósia da tarde, e a miúda gira semeia sorrisos no espelho da alma, e já dancei sobre uma mesa estacionada num bar sem nome sem gente sem palavras, e quando acordei estava nos braços da insónia, flutuava nos ais e uis da ponte que liga as duas margens, acordava com vómitos e vinha até mim o cheiro do mar,

- E depois vi esvaecer-se a porta, a janela, a parede, e depois à procura da primavera a pomba desvairada, visto-me de finíssimos fios de vidro e oiço da tua boca que me amas enquanto sobes as escadas até à montanha, sou feliz assim dizias-me tu quando poisavas a cabeça sobre o meu peito, e sempre soube que não eras feliz, sempre soube que te escondias das mangueiras e dos papagaios de papel, esqueci as sandálias da infância, e hoje vivo dentro da chuva,

(sou feliz assim dizia-me ele)

E não era.

 

(texto de ficção não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:34

Milimetricamente infinito

Todo o silêncio da manhã

Milimetricamente…

Longínqua a saudade que poisa nos meus olhos tristes

Que poisa sobre os meus ombros cansados

Milimetricamente infinito

Todo o amor que há em mim

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:51

01
Abr 12

O meu rosto impresso no espelho da alvorada, lá fora o rosnar dos carros embebidos no perfume da maré que me olham e querem levar-me para longe, abros as asas e em pequeníssimas bicadas no mar oiço dos teus olhos os fios de luz do desejo,

A gravidade puxa-me até ao centro da terra, e os teus lábios começam a desaparecer nas migalhas do pôr-do-sol, e a criança que há em ti atravessa o arame debaixo da tenda que encobre a vida, equilibras-te ao som de Wordsong (AL Berto) e todas os espetadores mergulham no teu corpo,

- Desejo-te quando acorda o dia

Abro as asas e sacudo a areia molhada que há em mim, olho-te em passinhos de algodão sobre o arame da manhã, o meu rosto impresso no espelho da alvorada, lá fora o rosnar dos carros embebidos no perfume da maré que me olham, e debaixo de ti lágrimas de suor voam em direção a deus,

- E quando termina o dia espero-te junto à janela onde entras todas as noites, e quando termina o dia desejo-te como desejo sair desta ilha naufragada, desejo-te como desejo voar até chegar ao sol, e sem nunca olhar para trás, e sem nunca olhar para trás abraçar-te no infinito,

Eis as palavras do meu corpo quando o sangue coagula nas frestas da infância, e barcos prisioneiros no rio procuram lagostins e pastéis de bacalhau, o sangue transforma-se em vodka e brota nas prateleiras da biblioteca, todos os livros embriagados, e oiço as vozes de cada poema, e oiço o abrir da janela e dizem-me

- Hoje ela não vem,

E dizem-me que os relógios dormem nos lençóis das tuas mãos como quando acordo e percebo que estou vivo e que tu

- Hoje Desejo-te quando acorda o dia,

E percebo que estou vivo e que tu caminhas sobre o arame debaixo da tenda que encobre a vida, línguas de fogo entre fatias de pão, e todo o mel derrete-se na tua boca, e todo o mel derrete-se no meu desejo,

E todo o mel

- Abraça-me Francisco,

E todo o mel nas portadas da manhã, entre fatias de pão e sumo de laranja…

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:15

23
Mar 12

Andas distraída

Ausente

Manhã de primavera

 

Abro a janela

E uma flor doente

Dobra-se sobre o chão cansado

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:46

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