Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Jan 12

Meu querido Luiz Pacheco,

Quando me referi que o meu pedido de rendimento social de inserção foi indeferido, por lapso, não te disse que apenas foram necessários três dias para o indeferimento,

- Três dias Pá? Foda-se os gajos em Vila Rela trabalham bem,

E que a minha inscrição no Centro de Emprego é uma treta,

- Emigra Pá,

Como vês meu querido Literalmente estou fodido, desempregado e sem subsídio algum, e apetece-me perguntar-te o que tens a dizer às novas gerações mas quase que adivinho a tua resposta,

- Puta que os pariu,

Nem mais meu querido Puta que os pariu.

 

Um abraço,

Francisco

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:44

29
Nov 11

As RATAZANAS proíbem-me de TRABALHAR, acorrentam-me os braços e as pernas, mas esqueceram-se do mais importante; cortarem-me a cabeça…

E eu não quero ser artista, e eu não quero ser escritor e eu não quero ser poeta, só quero TRABALHAR e pagar impostos.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:38

23
Nov 11

Há um endereço vazio suspenso numa porta de entrada invisível que vive numa rua sem saída dentro de uma cidade imaginária.

E todos os dias, quase todos os dias, eu enviava currículos para um endereço vazio, mandava porque cansei-me de mandar, porque fartei-me de ser humilhado, e por razões políticas e porque gosto de escrever e porque gosto de desenhar e porque gosto de ler, os meus currículos são enfiados no caixote do lixo.

A minha existência resume-se a dois blogs (Orgasmos Literários e Cachimbo de Água) e um endereço vazio suspenso numa porta de entrada invisível que vive numa rua sem saída dentro de uma cidade imaginária que todos os dias, quase todos os dias, eu enviava currículos…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:11

22
Nov 11

A bicha bolorenta da tarde

Passeia sobre os nardos da noite

Debaixo do braço um livro de poesia

A noite come todos os poemas

E a poesia morre na garganta do desejo

Evaporo-me

 

Transformo-me no livro de poesia

Páginas e páginas e páginas em branco

Poemas ocos

Palavras cansadas de caminhar na relva

Onde o corpo da bicha bolarenta dorme

E sonha

 

Evaporo-me

Dentro do desejo da garganta

E os poemas ocos comem-me

Evaporo-me

A noite come os poemas

E os poemas comem-me…

 

Saboreiam-me nas sílabas

E o sumo das minhas palavras

Alimentam a bicha bolorenta da tarde

Percebo que não sou nada

Não trabalho

E sou feliz dentro da bicha bolorenta da tarde…

 

Um livro de poemas vazio

Meia dúzia de telas encarnadas

Penduradas na janela virada para o invisível

E as escadas descem

E o meu corpo feliz dentro da bicha bolorenta da tarde

 

Evapora-se.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:17

08
Nov 11

Acordo e olho-me ao espelho da manhã

E pergunto-me

Pergunto-me – Porquê?

Não serei eu também filho de deus?

Ou deus é pai de uns

E padrasto de outros…

 

Acordo e olho-me ao espelho da manhã

E pergunto-me

“ (Na sequência da sua inscrição para emprego, informamos que ainda não nos foi possível satisfazer o seu pedido de emprego. Se continuar interessado, queira devolver-nos este postal devidamente preenchido, no prazo de 10 dias a contar da data do correio. Se não responder procedemos à anulação da sua inscrição.)”

E é para isto que serve o Centro de Emprego?

Enviarem-me um postal de X em X meses…

Se estou interessado em trabalhar

E não foi para isso que me inscrevi?

 

Acordo e olho-me ao espelho da manhã

E pergunto-me

Pergunto-me – Porquê?

Pergunto-me porque o senhor do Centro de Emprego

Loirinho…

Apontou o meu nome na pasta das reuniões da Barragem Foz-Tua…

 

Apontou

Apontou

E de X em X meses apenas subscritos RSF

Está interessado em trabalhar?

Claro que sim seus parvalhões…

Porque se não estivesse não me inscrevia

 

E apontou

Acordo e olho-me ao espelho da manhã

E pergunto-me

Pergunto-me – Porquê?

E é para isto que serve o Centro de Emprego?

Apontar apontar apontar e enviarem-me subscritos RSF de X em X meses…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:46

14
Set 11

Encostou-se às mimosas estacionadas junto às rochas e desceu vagarosamente o fecho-éclair das nuvens, começou a chamar por ele, Sai, Sai, Vem cá, Vem, mas o Sol não aparecia e com dois dedinhos afastou as espessas nuvens, procurou, procurou, procurou mas o Sol tinha desparecido,

 

Os dedinhos entre as estrelas e milhões de sorrisos espreitavam pela janela do tempo, as mimosas sacudiam silêncios e de vez em quando choviam pequeníssimas bolinhas de sabão, ele sorria, e não se cansando de procurar pensou que talvez fosse melhor colocar um anúncio no jornal, perdidos e achados, Procura-se o Sol, ofereço boa recompensa, e um desempregado ao ler o jornal depara-se com uma morada e um telefone e deslocou-se a casa da hipotética pessoa ou pessoas que procuravam desenfreadamente o Sol,

 

- Boa recompensa? Era mesmo isso que eu precisava e pelo Sol sou capaz de amealhar algumas notas de euro, algumas não, muitas,

 

Muitas vezes procuramos e não encontramos, colocamos anúncios em jornais, escrevemos na ardósia da tarde centenas de vezes Desenfreadamente o Sol, boa recompensa…

 

Bato à porta, aparentemente ninguém em casa, bato novamente e oiço uma voz sibilante mais parecendo um trovão nos fins de tarde de maio Quem É,

 

- Venho por causa do anúncio sobre o Sol,

 

Sol, qual Sol? Respondem-lhe de dentro da casa seminua da rua 3 de dezembro e número quarenta, e a voz sibilante a explicar que não colocou anúncio nenhum nem tão pouco sabe alguma coisa sobre o Sol Não coloquei nenhum anúncio nem tão pouco sei o que quer que seja sobre o Sol!,

 

- Mas aqui no jornal diz Procura-se o Sol, ofereço boa recompensa, contactar a rua 3 de dezembro número quarenta, e até tem o telefone,

 

Só pode ser engano,

 

- Engano? Andam a gozar com os desempregados, é o que é,

 

Encostou-se às mimosas estacionadas junto às rochas e desceu vagarosamente o fecho-éclair das nuvens, começou a chamar por ele, Engano? Deito-lhe a porta abaixo e o senhor já vai ver o engano, Duvida?,

 

As nuvens desenhavam no céu um semicírculo de fios de seda e ele com dois dedinhos ia afastando os finíssimos fios de luz, alguns deles enrolavam-se-lhe nos dedinhos pintados pelo fumo dos cigarros que engolia enquanto não chegava o comboio da madrugada, dos lábios o sabor a alecrim pendurado nas estrelas em milhões de sorrisos, e a madrugada ao mesmo tempo que se afastava da porta de entrada da noite sussurrava Estes desempregados são malucos… desesperados, Que Sol, procurar o Sol à noite?,

 

- Engano? Andam a gozar com os desempregados, é o que é,

 

A noite estica os olhinhos no sentido do relógio que a acompanhava no estreito pulso do cansaço, e não percebendo à primeira que horas eram, porque o mostrador estava embaciado pelo nevoeiro, olhou novamente Três da madrugada dizia a noite para as nuvens,

 

E ainda temos tempo, vamos deixar que o Sol durma mais algumas horas,

 

- Mas aqui no jornal diz Procura-se o Sol, ofereço boa recompensa, contactar a rua 3 de dezembro número quarenta, e até tem o telefone,

 

Pelo menos mais duas respondem as nuvens para a noite, e enquanto a lua cerrava o fecho-éclair das nuvens as mimosas começaram a abrir os bracinhos, umas esfregavam os olhinhos, e outras, outas brincavam com as pequeníssimas bolinhas de sabão…

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:26

24
Ago 11

Porque estou vivo

Se me dou conta que não sirvo para nada,

Não sei fazer nada,

Dizem que não sei fazer nada,

Porque estou vivo

E me obrigam a todas as humilhações,

Será castigo?

Porque estou vivo,

E me proíbem de tudo

Me proíbem de sonhar

Me proíbem de trabalhar

Porque estou vivo?

 

Será castigo?

Estou morto

E finjo viver

E finjo sonhar,

Porque estou vivo

Se não me deixam caminhar

E me proíbem de voar

E me proíbem de sonhar…

 

Deixem de me humilhar

E se me querem matar

Matem-me e ficarei em paz

E eternamente agradecido vou ficar,

 

Porque estou vivo

E me obrigam a todas as humilhações,

Tratarem-me como um cão

Ou um louco travestido e com alucinações,

Porque me obrigam a viver

Esta vida sem sentido,

Sempre esta fogueira no peito a arder

Sempre estas nuvens e o sol escondido…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:34

23
Ago 11

A humilhação, o coração salta-me do peito e em pulinhos palmilha cada milímetro quadrado do teto da Segurança Social,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

O meu corpo começa a encolher-se na cadeira e extingue-se na janela das traseiras, poiso os braços sobre a secretária, e eles, eles balançam como as árvores quando o vento em fúria tomba os barcos que atravessam o rio, tenho frio, e começo a transpirar, a humilhação, a humilhação de mendigar, e pedir o Rendimento Social de Inserção, e leio nos olhos dos que me olham Mais um chulo!,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

E eu pensava, E agora?, quem me vai ajudar a colocar o meu coração novamente no peito, e eu olhava o teto, e ele saltava, saltava, e ninguém, ninguém ao meu lado para lhe deitar a mão, e descobri, descobri que às vezes precisamos de correr, e correr, e eu, e eu deixei-o pular e pular, até que quando se cansou regressou, desceu do teto, e em passos de anjo entra-me no peito, e voltou a palpitar,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

E mesmo que digam que a loucura entrou dentro de mim, eu acredito, eu acredito que o céu voltará a ser azul, que o mar voltará a ter ondas e espuma e maré, e que sobre mim vão voltar a voar as gaivotas, e os barcos, os barcos vão voltar ao estuário da minha vida, e os pássaros voltarão a poisar na minha janela e a acordar-me todas as manhãs, como há muito tempo atrás…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:30

17
Ago 11

Chamava ao silêncio noite, e à noite desassossego, apelidava o dia de tristeza, e quando acordava, antes de abrir os olhinhos, cruzava os braços sobre o peito, sacudia as pernas das migalhas do sono, e gritava,

 

- Estou vivo,

 

E tem dias que lhe apetece dizer Porra, hoje estou morto!, e alguém descobre que é o contrário de estar vivo, que ele pensa que não, e eu, o autor deste texto, igualmente que não, estar morto não é o contrário de estar vivo,

 

- Porra, hoje estou morto!,

 

E pode ter a certeza que já vi com estes olhos que um dia a terra vai comer mortos com aspeto de vivos e vivos, ai senhor, vivos que mais pareciam mortos,

 

Mas deixamos os mortos e os vivos e vamos às coxas do mar quando ao fim da tarde os barcos preparados para aportar, e as coxas silenciam-se como alicates a torcerem os ponteiros do relógio, ele de mangas arregaçadas e cachimbo na boca e em sinais de fumo, e do outro lado do rio, a prostituta marreca que via o dia chegar ao fim com meia dúzia de moedas na bolsinha, e feitas as contas nem dá para comer, ao preço que o peixe é pago na lota, queixava-se o Ernesto enquanto esperava pelas autorizações necessárias para a respetiva ancoragem e descarga,

 

- Porra, hoje estou morto!, e o António em resposta ao Ernesto É como no Douro, qualquer dia temos de dar as uvas de borla,

 

E vamos à tasca e pagamos bem caro o vinho, e vamos ao restaurante e pagamos bem caro o peixe, a prostituta marreca a revindicar  enquanto aguardava pelo sinal de Stop da pensão e autorização para subir até às águas-furtadas subsidiadas pela EU,

 

- E o que faz falta neste País (Portugal) são mabecos para morderem os tornozelos às sombras que vagueiam pelas esquinas e avenidas e coxas de mar e a puta que os pariu, e juro, senhor, juro que estive para perguntar à prostituta marreca a razão de estar tão zangada e querer mabecos, veja senhor, mabecos a pingar tornozelos, mas sabe, não tive coragem,

 

Chamava ao silêncio noite, e à noite desassossego, apelidava o dia de tristeza, e quando acordava, antes de abrir os olhinhos, cruzava os braços sobre o peito, sacudia as pernas das migalhas do sono, e gritava,

 

E uma outra voz nessa manhã gritou; Morreu o tio Ernesto…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:34

16
Ago 11

Quando o corpo se derrete e do líquido pegajoso os cubinhos de gelo do fim de tarde, as árvores balançam-se sobre os cortinados de luz, passeiam-se pessoas em passo apressado, dos corpos acordam os cheiros da transpiração, uma menina sorri para as folhas de camélias poisadas sobre a mesa de granito, e sentada olha o rio, adormecem as nuvens junto aos parapeitos das janelas da noite, a menina ainda se prende nos olhos das camélias, e do balançar das árvores o grito da saudade,

 

O meu primeiro amor, os barcos, o mar, o capim, os aviões, as mangueiras, os papagaios de papel e o avô Domingos, o meu primeiro amor que se escondia entre as velhinhas carteiras da escola e engasgadas de caruncho, e a ardósia da quarta classe, ou da terceira, ou talvez da primeira classe, E se foi no liceu?, há tanto tempo que me esqueci, mas os olhos pareciam estrelas quando da noite deita a lua a cabecinha sobre a almofada dos relógios de pulso em movimento, os olhos lindos, e nas mãos os risquinhos desajeitados da caligrafia, não me é possível classificar a cor do cabelo porque sou daltónico, mas o cabelo parecia uma seara de trigo, escrevia bilhetinhos em pedacinhos de papel, E ainda hoje pensas que és escritor?, que neste momento não me é possível afirmar se ela os leu, mas o mais provável não os leu, Quem vai ler a porcaria que escreves?, esperava-a à saída da escola e senti o meu primeiro batimento cardíaco do amor, e eu pensava E o que será isto?, o coração acelerava-se e o meu rosto mudava de cor, e mais uma vez peço desculpa por ser daltónico, e quanto à cor do rosto, diz o povo Ficou vermelho como um pimento!, e talvez o meu rosto vermelho como um pimento, e passavas por mim sem me dizer, Olá, é porque os pedacinhos de papel não lhe chegaram às mãos, ou ignorou-os, ou nem os leu,

 

Sobem às árvores as lágrimas da tarde, os fios de seda da maré entram pela janela e a menina esquecida na mesa em granito nem se apercebe, o guarda-fato escancarado, remexido, falta a roupa dela, e percebo que a mala não está, e um bilhete sobre a cama ainda desfeita como a tinham deixado pela manhã,

 

Meu querido,

 

Decidi ir-me embora. Por muito que te ame não consigo viver ao teu lado, quero ajudar-te e não sei como, e percebo meu amor, percebo que te irritas comigo quando te segredo durante a noite que precisas de fazer alguma coisa na tu vida, e tu, tu dizes-me Que queres que eu faça mais?, e eu, meu amor, eu sei o quanto será difícil viver quase miserável, e acredita, meu amor, acredita que não é pelo facto de seres miserável que me vou embora, vou simplesmente porque vejo-te sofrer e não sei o que fazer por ti, e juro meu amor, juro que rezo tanto por ti, mas parece que deus não nos ouve, olha meu amor, não chores, tu vais encontrar a sorte que mereces, mas por favor, meu amor, não me peças para assistir à tua decadência, deixaste de tomar banho, o cabelo cresce que até parece um silvado, e essa barba, meu amor, essa barba que já nem te lembras da última vez que a cortaste, vou amar-te sempre, meu querido,

 

Beijos grandes de mim para ti,

 

Possivelmente os pedacinhos de papel perderam-se pelo recreio da escola, o sempre coração com duas setinhas e a mesma aparvalhada de sempre, Amo-te, ou as iniciais, ou nos bancos de jardim, e nas árvores, e eu já na altura percebia que iria ser um tipo sem sorte, miserável, e sem interesse nenhum, sentava-me na esquina da parede, e trocava os jogos de futebol pelos pensamentos onde brincavam barcos no capim da tarde, e as mangueiras dançavam sobre o pôr-do-sol em Luanda, e às vezes olhava a menina de cabelos castanhos e corpo esguio, mas possivelmente ela nunca reparou na minha presença, apenas quando eu pegava na bola desajeitadamente e partia um vidro da escola, e toda a gente, mesmo tu, troçavam de mim, mas a culpa não é tua, meu amor, eu é que fui sempre assim desajeitado, e sem interesse, e perdia-me e ainda me perco, em horas a pensar como se o pensar alimentasse alguém, e claro que não, ninguém vive de pensamentos, mas o que queres tu, sou assim desde criança,

 

As janelas da noite, a menina ainda se prende nos olhos das camélias, e do balançar das árvores o grito da saudade, as minhas mãos tão pequeninas quando se abraçavam ao pescoço da minha mãe, o medo do mar, e as gaivotas à minha volta em brincadeiras de meninos, e deixei de ver os meninos…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:52

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