Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

25
Mar 13

A&M ART and Photos

 

É da tua voz difusa que os traços de suor

acordam nas pétalas loucas que os poetas inventam

misturam-se nos teus lábios (sem que eu saiba se são doces ou amargos) sílabas

de água perdidas entre rochas e árvores de candeias

à luz semeada pelo diáfano silêncio dos desertos cansados da tua boca,

 

Há dias que não percebo esta solidão de areia

que o vento levita das pequenas junções das lajes de granito da eira de Carvalhais

e no entanto

acompanha-me o melódico sorriso do melro alegremente

penso eu (apaixonado) porque faz balançar os pinheiros dos sonhos,

 

Atravessas a cidade sobre o arame da saudade

e deixas cair sobre mim

as madeixas de papel que se desprendem do teu cabelo revoltado

com palavras misturas-lhe palavras em constante equilíbrio

e sofrimento de dor,

 

Inventas o rio para me alegrares

mas até isso me entristece como me entristecem as amarra de aço

que prendem os barcos apodrecidos

(também eles de aço)

a um cais de desassossego que tu dizes ser meu quando nasci das finas cordas que as gaivotas engolem,

 

Apetece-me subir ao andar superior onde habitam os gemidos da tua voz

que definem os traços de suor

que a pobre ardósia escreve construindo a geometria do amor

Dois quadrados podem ou não podem apaixonarem-se um pelo outro?

E dois triângulos de Luz?

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:34

28
Fev 13

Supostamente, nada o fazia prever, e no entanto, misteriosamente, aconteceu, como uma mácula cinzenta de penumbra debaixo de um céu reconstruído de resíduos esféricos que sobraram das brincadeiras infantis em frente à velha escola, quatro paredes, telhado em zinco, e casa de banho completa com cerca de um hectare bordada a capim húmido e algumas pedras cansadas de sobreviverem à escuridão das noites quando os cortinados se enrolam no pescoço esguio do teu vestido encarnado, adoras o vermelho, o sangue, a gravida quando deixa de ser aproximadamente nove vírgula oito metro por segundo quadrado, e talvez por desorientação, é de doze vírgula cinco metro por segundo quadrado,

(acreditei que o seno ao quadrado de alfa mais o co-seno ao quadrado de alfa o resultado é um, incrível, como se a tangente de trinta graus não fosse raiz de três sobre dois),

Dir-me-ás que o triângulo isósceles do segundo esquerdo é loucamente apaixonado pelo triângulo equilátero do rés-do-chão frente, e que são felizes, diria até

Muito,

E tal como o triângulo rectângulo do quinto direito ama loucamente o triângulo isósceles do quatro esquerdo, a hipotenusa ao quadrado é igual à soma dos quadrados dos catetos, e também eles, apaixonados pelo perímetro do círculo com o raio igual à paixão, e se

A paixão ao quadrado é igual ao amor, logo

Qual será a raiz quadrada da paixão?

Não sei nada dessas coisas, tal como nunca percebi o silêncio dos nossos vizinhos que se amam loucamente e têm medo de o assumir, palhaços e palhaços, dentro de um circo denominado tesouro absorto das palavras proíbas, custava-lhes dizerem ou escreverem ou simplesmente no átrio da escola com um ripa de madeira, desenharem na terra húmida

Amo-te Teresa,

(o autor deste texto não ama e tão pouco conhece fisicamente uma Teresa, e é apaixonado por triângulos rectângulos e círculos de luz)

Amo-te Teresa, e enquanto ele escrevia na parede lateral esquerda do átrio da Igreja Matriz, não sendo ela, a matriz, nem quadrada, nem diagonal, nem outra coisa alguma

(apenas o devaneio de um louco que julga ter piada com as porcarias que escreve)

Apareceram treze linda flores de nome Teresa,

Nunca acreditei que no jardim do amor existissem tantas e lindas

Figuras geométricas,

Complexas coxas, finíssimas fronteiras de carne e osso, da pele, escurecida como a água depois de cair a noite sobre o mar, libertava-se um distinto livro de poemas com pétalas vestidas de cubos e hipercubos

(E se eu em vez de amar uma Teresa amasse um hipercubo?)

Com madeixas triangulares, e percebi que ele resolvia as equações do terceiro grau como se elas fossem simples flores, pertences ao jardim do amor, e mesmo assim, elas, elas acreditavam que

(Supostamente, nada o fazia prever, e no entanto, misteriosamente, aconteceu, como uma mácula cinzenta de penumbra debaixo de um céu reconstruído de resíduos esféricos que sobraram das brincadeiras infantis em frente à velha escola, quatro paredes, telhado em zinco, e casa de banho completa com cerca de um hectare bordada a capim húmido e algumas pedras cansadas de sobreviverem à escuridão das noites quando os cortinados se enrolam no pescoço esguio do teu vestido encarnado, adoras o vermelho, o sangue, a gravida quando deixa de ser aproximadamente nove vírgula oito metro por segundo quadrado, e talvez por desorientação, é de doze vírgula cinco metro por segundo quadrado,)

Quando se cai nos braços de uma Teresa qualquer; Cravo, Rosa, Crisântemo ou outra qualquer figura geométrica.

 

(ficção não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:10

19
Abr 12

Procuro nos olhos oblíquos da manhã

a bissectriz do cansaço

o meu corpo transforma-se em matriz composta

e dos meus braços

crescem linhas paralelas sem destino

algures suspensas no infinito

 

elevo ao quadrado a minha solidão

e à raiz quadrada do sofrimento

adiciono uma noite sem nome

sem horários

 

sem nada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:39

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