Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

29
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Metade de mim parece uma equação desgovernada,

uma integral sem solução...

metade de mim poderia ser uma matriz composta,

esquecida no centro da cidade,

metade de mim,

um pedaço de saudade,

um beijo com sabor a madrugada,

metade da metade...

de mim,

metade de mim as vãs palavras derretidas no jardim,

procurando a outra metade,

de mim... assim... a outra triste metade suspensa nos teus lábios de alecrim.

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:33

28
Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

o que faço sem perceber que a teia de aranha do teu olhar é falsa

como são falsas todas as palavras que me escreveste,

esperei-te acreditando nos jacarés de mpingo com dentes em marfim,

acreditei,

chorei,

dormi solenemente no teu jardim...

e esperei,

esperei... esperei e quando acordei,

o que faço sem perceber,

que,

a teia

de

aranha...

do teu olhar,

é,

é falsa...

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Dezembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:39

18
Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Imaginas-me?

descreve-me como és se ainda não o és

isto é

imaginas-me imaginando caminhar mar adentro

escrever na areia os verbos emagrecidos das pétalas doiradas

descreve-me

e imaginas-me... como um barco que se afoga no Oceano

imaginas-me como um náufrago sufocado com imensas palavras

desenhos

ruas

portas e janelas

e bancos de jardim

 

Belas

as flores

e os canteiros das intermináveis manhãs de Outono...

 

Elas

as bailarinas sem sono

imaginas-me?

candeeiros de papel

fios

meias...

cobertores imaginados quando me imaginas...

imaginas-me... deitados

o silêncio entrelaçado na tua mão

o beijo entalado nos teus lábios

imaginas-me?

eu... eu apaixonado?

 

Belas

as flores

e os canteiros das intermináveis manhãs de Outono...

 

Imaginas-me sendo o Sol?

mulher criança velho doente?

pigmeu cansado ausente...

sombra árvore e presente

imaginas-me... farto das palavras

dos versos

dos poemas e das... putas

parvas...

traiçoeiras madrugadas

nocturnas drogadas as tílias em chá...

e eu... esperando que me imagines...

… descreve-me como és se ainda não o és.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 18 de Dezembro de2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:49

23
Out 13

foto de: A&M ART and Photos

 

tenho uma mão que não me pertence

da vida sobejam-me os sonhos que nunca me pertenceram

e no entanto acreditava na escuridão nocturna

vivo e vivia entre ruas e ruelas como esqueletos de ossos sacrificados ao jantar

vivia pensando que era uma gaivota

e que nos meus braças habitavam cegonhas e pernaltas

barcos e caravelas

portas e janelas

 

acreditava que estava só

e eu queria

e eu

… eu quero estar só

 

tenho uma mão que não me pertence

e acariciou o teu labirinto corpo de canela

acredita que vivia

não vivo

caminho somo sonâmbulo nos carris do medo

na paixão do segredo

acreditava e não o estou...

só abandonado triste desalmado e desamado

 

(acreditava que estava só

e eu queria

e eu

… eu quero estar só)

 

porque tenho uma mão de perfume que não me pertence

e que nunca me pertenceu

porque tenho um jardim com árvores e arbustos

bancos em madeiras e rapazes traquinas

saltitando

e nos anzóis que a tarde alicerça nas cancelas da maré

acreditava

e não estou só... porque tenho uma mão que não me pertence

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:24

15
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

colocas-me a navalha do sofrimento

sobre os meus lábios ensonados

sinto-te fria e distante

sinto-te além

ausente

e aqui ao lado

lá fora perto de uma árvore que acaba de tombar

um pequeno sorriso ergue-se no meu jardim

e de um simples olhar

os teus olhos entram juntamente com a maré

em mim

e o meu corpo pertence-vos...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:39

09
Set 13

e a foto é de: A&M ART and Photos

 

acreditava que eras de pedra

e que tinha no olhar uma nuvem de luz

sentia-te vacilar nas searas da tristeza

voando sobre os tentáculos da solidão

dizias-me que eu pertencia às árvores de folha caduca

e em cada Outono

eu

tombava nas tuas mãos emagrecidas

os dedos esticados e finos

quando procuravas o mar nas clareiras do silêncio depois de partir a tarde

acreditava que eras de pedra

e percebia que amavas e percebi que tinhas no peito um coração de rosa dorida

 

(doente

dormente

ausente

e mente)

 

o amor depois da tempestade

fingia suspender-se nos teus dedos de verniz

compridos e longos

distantes como a madrugada

e vinha a noite

e tu acordada

esperavas

não dormias

abrias e fechavas

janelas

e ventanias

como sentias o meu corpo dentro do teu ventre

 

talvez

um dia percebas as fachadas dos meus olhos coloridos pelos pigmentos da insónia

memória tenho e nunca me faltou

corpo tenho e dou-me conta que me roubaram o esqueleto

em aço inoxidável

ao carbono

talvez percebas que o amor é uma treta como são todas as palavras

todos as imagens...

e um dia acredites nas gaivotas e nos barcos com dois braços meus

velas em teus cabelos

loucas

cinzentas que sobejaram do jardim teus lábios

 

(não revisto)

não datado (o hoje não existiu)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó (não tenho a certeza se sou eu)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:30

26
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

encerraram-se as torneiras da saudade

como se evaporaram os cortinados do desejo

num ápice

entre nuvens e corações de pétalas encarnadas

fiquei sem o jardim da felicidade

e apenas um banco onde me sento

e observo a triste paisagem

nua

escura

sombria

como um calendário esquecido no tabique adormecido

da casa imaginária onde apareceste pela primeira vez

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:36

18
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Como será o poço da morte

vestido de madrugada

sem flores

sem... sem quase nada,

 

Como será o teu olhar

entre horas e desgovernados ponteiros de papel

como habitas tu em mim...

como? Se eu para ti sou uma gaivota suspensa por um cordel,

 

Como será o teu cabelo

embrulhado no vento

como? Diz-me tu? Se o amor é uma árvore

adormecida no jardim do sofrimento...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 18 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:59

04
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Rosa bravia como castelos de areia envenenados pela chuva da madrugada

silêncios de nada quando das mãos sobejam as porcelanas poéticas lágrimas nocturnas

rosa bravia como tu quando acorda a noite e dás-te conta que ficaste sentada

sobre uma cadeira imaginária

tempos infinitos

tempos... tempos sisudos,

 

Dizias-me que eras tua e que vivias no meu jardim

tínhamos um lago invisível com peixes de brincar

tínhamos flores, muitas flores...

mas rosas, como tu, nenhuma, nenhuma no meu jardim

construído apenas para te acolher

e embrulhar-te num lençol de água doce,

 

Despias-te

e brincava com as tuas pétalas de vinil voando sobre as melancólicas avenidas

que uma cidade louca

(louco és tu, talvez o penses em baixinha voz)

que uma cidade louca inventava para nós

e ias à janela do Adeus e lembravas-te da saudade e dos amigos loucos poetas,

 

Rosa bravia tu

comestível e amarfanhada entre os dedos da paixão

aos sons melódicos da tua respiração

ouvia-te os sussurros de mim

atirando-me as palavras sisudas

que as abelhas em cio deixavam sobre a tua pauta poeirenta e adormecida pelo cansaço de ti...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:21

19
Abr 13

foto: A&M ART and Photos

 

Andávamos de terra em terra, andávamos de luar em luar, éramos dois mutantes fugitivos aos arautos das marés de inverno, sonhávamos, desesperávamos-nos quando encalhávamos sobre as fragas frágeis das aldeias em flor, e tínhamos medo do dia seguinte, e quando acordávamos, continuava tudo igual ao dia de ontem, amanhã, dizem, amanhã é Sábado, levantarmos-nos não muito cedo, o duche, o pequeno-almoço, e uma torrada para o REX, tomar café, de preferência DELTA RUBY, e depois de enganar-me com as sombras de cigarros apagados desde Maio de 2012, regresso a casa, ligo o portátil e escolho o Ubuntu como Sistema Operativo, fartei-me do Windows e das suas birras, parecendo às vezes certas mulheres, chatinhas, tão chatinhas que as prefiro a elas do que a ele, mas enquanto existir o Linux não o trocarei por outro qualquer, porque há coisas inconfundíveis, incontornáveis, amores eternos, amores como o das pessoas, amores

(sou a favor do software livre e aberto a todos)

E depois de tantos amores, e depois de portátil ligado, vou à minha caixa do correio, - Levanto-me, abro a porta da biblioteca, passo pelo corredor, atravesso em bicos de pés a sala de jantar, mergulho num pequeno Hall e depois de ultrapassar a cozinha, entro definitivamente no quintal, e cerca de quinze metros depois, abro a caixa, e correio... nenhum – quem é que tinha o atrevimento de me escrever, digam-me – Quem? - só o “Fisco”,

(andávamos de abraço em abraço, andávamos de gemido em gemido)

Faço uma visita breve ao meu blogue, talvez escreva alguma coisa, depende dos sábados e do estado da caneta Parker de tinta permanente, até à data nunca ame deixou ficar mal, escreve sempre aquilo que quero e desejo, e Às vezes, até me obriga a escrever aquilo que não quero, mas ela é assim, e assim me vai acompanhar até ao fim

(fim de mim, fim de ti, ou fim de um texto qualquer ou poema)

Copiam tudo, aqueles sacanas, e de “O Medo” de AL Berto, na mão, abro-o, e verifico que é uma edição de Outubro de 1991, Contexto-Círculo de Leitores, e com o número de edição do Círculo de Leitores 3138, nada disto importa, apenas que este livro vale algum dinheiro – Talvez cento e vinte euros – mas a minha curiosidade está na contracapa onde vive um pequeno texto meu, de 9 de Maio de 1994, em Vila Real e digo ser esse o dia mais feliz da minha vida,

E reza assim,

“Não tenho medo

de estar só...

não tenho medo de morrer,

mas... sinto medo de estar vivo!

E se eu morrer,

Que seja sozinho;

tenho medo da multidão,

e sei que não estarás ao meu lado!



Claro que eu percebo estas palavras e porque as escrevi naquela data, mas já não importa, e copiam tudo, aqueles sacanas, copiam os poemas, copiam-me os textos, copiam tudo, aqueles estúpidos pássaros de bico amarelo e negros como a noite, recordo-me em miúdo de ver um em casa do meu avô, dentro de uma gaiola, e já na altura, ficava confuso ver alguém com asas dentro de um pedaço de rede, sem liberdade, apenas porque canta lindamente,

(e se um dia, um louco, fizer o mesmo comigo, isto é, construírem à minha volta uma rede invisível, onde me aprisionam, apenas porque escrevo, apenas porque gosto de ler, apenas... porque sou eu)

Andávamos de terra em terra, andávamos de luar em luar, éramos dois mutantes fugitivos aos arautos das marés de inverno, sonhávamos, desesperávamos-nos quando encalhávamos sobre as fragas frágeis das aldeias em flor, sem flores, sem janelas, depois, depois voaram-nos as palavras e os bancos de jardim com meninas de livro na mão, sentadas, cruzavam a perna, e de saia meio de chita, meio de qualquer coisa, esqueciam-se que eu era um pássaro esquecido dentro de uma gaiola numa aldeia do Concelho de S. Pedro do Sul,

(- Tens saudades minhas, meu querido amigo? - e só sei que era Sábado, e que depois de escrever qualquer coisa, deixava o portátil ligado, música em sons melódicos para os fantasmas da livraria, e antes do meio-dia, todos os Sábados, dirijo-me à barbearia do senhor António, desfazem-me a barba e venho descontraidamente almoçar, com o meu querido AL Berto sempre à minha espera, sobre uma secretária de madeira)

Uma das meninas levantou-se do banco onde estava ancorada, colocou o livro debaixo do braço, o olhar dela cruzou o meu, e hoje, hoje acompanha-me todos os dias e todas as noites dentro da roulote da alegria.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:30

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