Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

30
Ago 12

oiço o suicídio do pescador de sonhos

no mar da tranquilidade

oiço as lágrimas do monte de sucata onde habita no meu corpo

e restos de chapa canelada, limalha de aço e pedaços de silêncio...

 

tomam conta do meu coração

 

(só, só, nunca estive tão só

e o vento não se cansa de soprar

em cada suicídio do pescador de sonhos)

 

a cidade atravessa o vale infinitamente belo

recheado com amêndoas

ovos de chocolate

e pássaros que inventam sonhos nas folhas emagrecidas das árvores do cemitério

as lápides

voam entre os restos de tristeza que sobejam das aboboras com olhos de mel

e as fotografias

oiço

 

(tomam conta do meu coração)

 

Oiço o suicídio do pescador de sonhos

no mar da tranquilidade

 

e percebo que estou completamente só junto ao rochedo dos sonhos

tomam conta do meu coração

as pedras

e as ervas

 

oiço

 

oiço a voz de uma sombra

oiço

vestida de mulher

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:12

27
Ago 12

a peso da lua

quando o beijo invisível se mistura no luar

e os peixes voadores

em silêncios dispersos

há uma mão que balança dentro do cortinado do abismo

o medo subtrai-se à complexa matriz transposta

e que nas horas de vazio

submerge nos ziguezagues

da morte

a luz selvagem dos olhos que me odeiam

entre as flores pintadas no muro da escola

e as estrelas nos lábios das gaivotas adormecidas

 

(sinto-me cansado

de olhar o mar

sem ondas e sem sonhos

como uma seara incendiada pelo peso da luz)

 

morre o meu último barco que imaginei

construir na Baía de Luanda...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:20

22
Ago 12

(para o IP 188.80.13....)

 

vendi o sono a um traficante de sonhos

e agora passo as noites a olhar a lua

imagino coxas de ameijoa com tons de ternura nas paredes da noite

e do néon cintilante da garganta do abismo

a voz

a tua voz

 

sonhei

sonhei muitos

sonhei muitos grãos de areia

que o vento das tardes em cansaço levou para longe

 

a voz

a tua voz

 

vendi o sono a um traficante de sonhos

(que me visita várias vezes ao dia/noite com o IP 188.80.13....)

a voz

a tua voz

nas coxas das ameijoas com tons de ternura das paredes da noite...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:57

04
Ago 12

Implorei-te incessantemente que amasses as palavras construídas

incessantemente

que amasses as paixões sem cabeça dos meus cigarros

(rebentou o pneu da bicicleta)

e imaginavas-me como um pássaro

livre

e que voava até ao infinito

(rebentou o pneu da bicicleta e fiquei-me pelos socalcos do douro)

e voei e amei e voltei a voar e novamente desamei

construí sonhos de algodão

em pedaços de xisto

e pintei o sol nas miseras tardes de inverno

 

e quereis que eu tenha juízo?

 

Subi as cordas invisíveis do choro

e roubei uma rosa numa noite de Agosto

sentei-me no lago com cheiro a morgue

e aos poucos comecei a pegar na tua mão franzina

(e não peguei na tua mão)

desastradamente por engano dentro dos voos nocturnos dos beijos

peguei no livro que estavas a ler

imaginei-o como sendo a tua mão cor de malmequer

 

(Grande otário este gajo sem cabeça)

 

e quando pensava que tinha a mão dela dentro da minha

o pneu

o pneu estilhaçado

de socalco em socalco

de vinha em vinha

Implorei-te incessantemente que amasses as palavras construídas

incessantemente

que amasses as paixões sem cabeça dos meus cigarros...

 

mas a lua ficava tão longe!

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:37

29
Jun 12

À espera de quem nunca virá

acariciar as faces doiradas da lua

à espera

à espera das estrelas de engano

com mãos de pano

e que fingem orgasmos na via láctea

à espera de quem nunca virá

desligar o interruptor da solidão

e não tenha medo de deixar

sobre a mesa invisível

o pão

e o mar

 

o pão e o mar

sobre as finas planícies da biblioteca

o amor com o sabor amargo das palavras cansadas

e beijos

 

o pão

e o mar

 

o dia antes de morrer

 

à espera de quem nunca virá

acariciar as minhas mãos macias

que roubei à lua

numa noite de verão

uma noite muito especial

o pão

e o mar

do dia antes de morrer.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:03
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14
Mai 12

a viagem à lua

o rio encharcado de suor

a manhã toda nua

de joelhos no altar-mor,

 

o terço abraçado

a uma pétala em flor

deus ao teu lado

a escrever versos de amor,

 

ave maria cheia de graça

que voa sobre o mar

desce uma pomba à praça

levanta-se a manhã do altar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:41

10
Mai 12

um dia

vou perceber os teus sonhos

as tuas palavras

os teus anseios...

 

um dia

quando acordar

 

vou perceber o silêncios das tuas mãos

e os gemidos do teu olhar

 

um dia

vou perceber

que as flores são belas

e a noite deslumbrante

 

um dia

quando acordar

 

vou perceber

os teus lábios

um dia

vou perceber

quando acordar

que a lua te faz chorar

quando acordar

um dia

vou perceber

que a noite te vai buscar

e das estrelas

vão descer

sorrisos e sonhos e sílabas de algodão

e madeixas de cetim

oiro e mirra e incenso

e todas as ervas invisíveis...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:42

03
Mai 12

Serei capaz

de atravessar a rua

sem olhar para trás?

 

Diz-me querida lua...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:32
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21
Abr 12

Eternamente só

pensava eu quando da janela sem sorriso

me olhava a lua longínqua emersa nos silêncios da noite

todas as estrelas desapareceram do céu

e todos os lábios adormecem nas profundezas do oceano

à procura de barcos sem destino

 

(pensava eu eu)

 

eternamente só

dentro deste cubo de vidro

poisado nas garras da solidão

à espera que morra a manhã

que morra a tarde

e se faça noite

dentro de mim

ou não...

 

(pensava eu)

 

pensava eu que da janela sem sorriso

um finíssimo fio de alegria

se entrelaçava nos meus braços

e eu começava a voar

 

sem destino

à procura de barcos

e se faça noite

dentro de mim

ou não...

pensava eu.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:54

31
Mar 12

E voas nos meus sonhos

Princesa adormecida

Flor cansada que se aconchega ao meu corpo

E voas e voas

Pássaro louco

Quando dos meus lábios

Palavras constroem poemas

Quando das minhas mãos

Um silêncio poisa nos teus seios…

E voas nos meus sonhos

Princesa adormecida

E voas e voas e voas em direção à lua

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:59

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