Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

12
Out 11

 

(desenho de Luís Fontinha/MiLove)

 

Entras na minha madrugada

E poisas no meu sonhar,

Apareces à janela

Como uma flor

De sorriso para o mar,

Pareces cansada

E abraças o sofrimento e a dor,

Entras na minha madrugada

E poisas no meu sonhar,

És tão linda e tão bela

Ó lua do meu luar…

Nos silêncios de amar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:39

14
Ago 11

E quando do céu se desprega a montanha

E no rio dorme a gaivota dos teus olhos

Quando do céu desce o silêncio

E de um barco cansado emerge o teu peito,

 

O céu em gemidos de luar

E da lua pingos de mar

As estrelas se penduram nos teus lábios de mel

E da tua boca acorda a manhã de papel,

 

Silabas que mastigas na madrugada

Flores que misturas com vogais

Palavras com que pintas o céu na alvorada

E no espelho da lua os teus gemidos e os teus ais…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:37
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03
Jul 11

As peugadas que a noite constrói na janela virada para o mar,

Procuro no papel amarrotado das minhas mãos as palavras que guardei debaixo das pedras da minha infância, três caixas de cartão silenciosamente esquecidas na sombra da biblioteca e falta-me a coragem de as abrir, folhear uma por uma as folhas das árvores do jardim onde me sentava nas noites de verão, e falta-me a coragem de incendiar o lixo do meu passado, e falta-me a coragem de assassinar os versos tresloucados que mergulhavam nos meus olhos encarnados, pupilas inchadas nos fins de tarde quando de braços cruzados fitava o soalho de relva do meu quarto, as flores sobre a cómoda da bisavó sorriam-me e na noite ouvia o chilrear de pássaros que dormiam no meu peito, cigarros metafóricos derretiam-se sobre os livros de Milan Kundera, e queria ter a mesma coragem que tive quando numa fogueira alimentada de vodka destrui todos os meus desenhos, vi sem lágrimas o lume comer os seios de uma gaivota, vi sem lágrimas o lume comer o azul do céu e a arrotar nuvens de malmequer, e vi sem lágrimas as cores vestidas de cinza que semeei no quintal, pensava ele na preguiça da manhã e frente ao espelho da casa de banho,

- Para que queres tu três caixas de cartão, três caixas de lixo, e restos de árvore que cheiram a pássaros afogados no rio,

Não as quero,

Provavelmente as pessoas a quem dedicaste esses versos impregnados no resto de comida da messe de sargentos já morreram, tal como tu, dizia-me ela,

Não as quero, mas guardo-as religiosamente e todas as noites ajoelho-me com o terço na mão e rezo-lhes, peço-lhes que me ajudem a destrui-las, encosto as mãos à pele macia dos azulejos da casa de banho e com a cabeça poisada na parede fico lá, esqueço-me que estou vivo e quando acordo a barba enrola-se-me no pescoço, há tanto tempo que morri, gritava ele na noite,

- As gotinhas de suor mergulhadas na esponja da garganta, os lábios colados na minha boca de menina da cidade, falávamos do mar, escrevíamos na margem do rio o silêncio dos pássaros, da noite vinha até nós o desejo das estrelas, pegava-me na mão, abraçava-me com força, a mão dele caminha debaixo da minha blusa como se fosse as penas macias da lua, acariciava-me os seios finíssimos de areia, a mão descia-me pelo corpo esquelético, e com uma pinça afastava as minhas cuecas da maré, a mão dele dentro da minha vagina, eu transpirava, eu em lágrimas de prazer,

Há tanto tempo que morri quando nas peugadas que a noite constrói na janela virada para o mar a mãe dela nos surpreende na despedida de um beijo, a senhora sorri nos olhos das palmeiras,

- E eu em gemidos silenciosos nas escadas do prédio, e eu amava-o, e eu desejava-o, e eu depois de ele morrer voltei a amá-lo e a desejá-lo e a sentir as mãos dele dentro do meu corpo de mulher,

Não as quero, dizia ele quando olhava as três caixas de cartão,

- Ainda guardo dentro de um livro a rosa que roubaste no jardim, deste-ma e eu todas as noites olhava-a e sentia o peso dos teus braços,

Não as quero.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:36

E quando a luminosidade de uma árvore

Nas pétalas absorventes do vento

Teu corpo em mim saudade

Corpo de ti alimento,

 

Pendura-se no néon a cidade

Tu deitada na minha mão cintilante

Tu as ruas indefinidas dos prédios em ruína

Na tua pele meu amor na tua pele o céu brilhante

 

A lua do teu corpo,

Quero afagar os teus seios de amanhecer

Sem que os ponteiros do relógio acordem

Na manhã que vai nascer,

 

Vivo da esmola do teu corpo

Habito no teu útero desejado

Mergulho no teu púbis da noite

Ao teu corpo abraçado,

 

E no mar deixo o meu sémen que brota de ti

Nas horas amortecidas do luar

De ti a noite ancorada nas nuvens de algodão

Em ti os meus lábios beijar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:34

01
Jul 11

Sobram-me as pedrinhas da rua

Porque essas são de toda a gente

Sobram-me os silêncios da lua

Quando em mim eu ausente,

 

Viver na escuridão dos dias passados

Ou esconder-me na neblina junto ao mar

Ter os braços amarrados

E na noite me afundar,

 

Em sacudidelas amargas deixo cair

A pelugem das minhas asas

E cerro os olhos para fugir…

 

E poderei eu esconder

O sorriso das minhas brasas

Na fogueira que não cessa de arder?

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:38

15
Jun 11

Não me esperes para jantar

Hoje vou destapar a lua

Descarrilar o meu corpo sobre as linhas da vida

Pedir um desejo e pegar num livro ao adormecer,

 

Cerrar os meus olhos nos silêncios da manhã

Correr pelas pedras do jardim

Hoje não me esperes

Hoje vou destapar a lua,

 

Hoje

Pendurar as palavras no estendal

Enxugá-las levemente com os dedos da chuva

Hoje nas sílabas os meus lábios,

 

Um cigarro que te olha e deseja ardentemente

Hoje vou destapar a lua

E na tua barriguinha…

Construir cócegas,

 

Poisar a mão no teu púbis

Abrir a janela de acesso ao mar

E nos teus olhos de gaivota

Coloco a venda que tapa a lua…

 

 

Luís Fontinha

15 de Junho de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:18
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06
Mai 11

E falas de poetas, da lua… e eu, teimosamente, ainda acredito que um dia, talvez no futuro, vou abraçar a lua… e quando o fizer, cruzo os braços, sento-me no silêncio, e… rio-me perdidamente, porque finalmente o meu sonho foi realizado.

 

Outros sonhos adormecem em mim, em mim, na busca da minha sombra, outros sonhos caminham na minha mão, beijar o mar, deitar-me no chão embriagado pelo sol de verão, e de barriga para o ar, ou de barriga para baixo, sempre suspenso na sombra das mangueiras, brincar com o sorriso do capim, rebolar por entre os destinos das amoreiras, outros sonhos, outras superfícies que vivem em mim, dentro de mim, e falo de poetas, da lua, e falas de comboios apressados entre os carris do desassossego, indiferentes à paisagem, ao rio que deixas para trás, que corre para a frente, e depois, abraçar a lua, olhar um cargueiro empanturrado de contentores no porto de Alcântara, desespera, espera pela mão amiga, impacienta-se pela passagem das horas, dos minutos, em segundos adormece.

 

E falas de poetas, da lua… e eu, teimosamente sentado nesta fraga de xisto, rendilhada, cansada de caminhar pelos mesmos trilhos, adormecer na mesma montanha, desde que foi criada, desde que separada da fraga mãe, e falas de poetas, da lua, e eu, abraçar a lua, beija-la enquanto tu, que falas da lua, olhas à distância a lua, eu sentado no silêncio, cruzo os braços, olho… e rio-me perdidamente, porque finalmente o meu sonho foi realizado.

 

 

(texto de ficção)

Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:00

19
Mar 11

 

 

Há 18 anos que não te via tão grande…

E já agora, onde estaria eu a 19 de Março de 1993!

Provavelmente com uma prata de alumínio não mão, e a bolha em corridas apressadas…

Tudo passou.

 

 

Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:48
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