Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

22
Mar 15

O gatilho da paixão

uma bala vestida de palavra

entranha-se no meu peito

grito

grito o poema assassinado pelo poeta

a espingarda da saudade

nos lábios tristes da madrugada

o gatilho da paixão

em pausa

suspenso na minha mão

disparo

não disparo...

 

mato

morro

não sei...

quando o papel arde

no pôr-do-sol da solidão

o amor

o amor das clandestinas manhãs

e o uivo da boca

no beijo cansado das nuvens de algodão

não paro

caminho em direcção às equações do sono

é amanhecer

 

vejo a cidade em lágrimas

chove

nos cabelos da maré

invento-me nos teus braços

como um louco esqueleto de pano...

o piano

dança junto à lareira do adeus

a despedida

a partida

uma mala vazia

quase vazia

porque lá... habitam os socalcos do sonho.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 22 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:39

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