Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

05
Mar 15

Está escuro

no exíguo espaço dos teus braços

mantenho-me aceso como uma fogueira invisível

no meio do campo

deserto

sem árvores

pássaros

ou... enforcados marinheiros

procuro a enxada do silêncio

e gemem as pedras xistosas dos lábios da alvorada

escuro

nada

 

como o transeunte sentado

na Calçada da Ajuda

procura

procura o carteiro

carta escrita

sem remetente

vem a morte

e leva-o para a biblioteca

abre um livro

folheia-o como se fosse o teu corpo adormecido sobre as lágrimas do veneno...

afugenta as palavras

e a tempestade alicerça-se-lhe no peito

 

começa a voar nos cortinados da noite

acende o seu último cigarro do dia...

e pergunta-se

quando?

quando terminará este dia...

a morte dos sonhos

envergonhados

lânguidos nas janelas sem vidros

o mar dança-lhe na algibeira da solidão

bebe um uísque...

e acredita que a poesia

habita no terceiro esquerdo dos teus seios...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 5 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:29

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