Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

17
Dez 14

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

O biombo da saudade

que morre no teu ventre

o pensamento em pequenos voos

lentamente em direcção ao mar

rumo à cidade

do adeus...

o meu corpo sobre os carris do cansaço

tenho medo

tenho pena...

que este pobre poema

não consiga acordar a madrugada

que vive acorrentada,

 

há nas pálpebras do teu sorriso

fios de luz em decomposição

canções melódicas ensanguentadas pelo silêncio da tua voz...

… amarga

complexa

nesta triste matriz composta

neste triste cubo de vidro

com braços de papel...

o biombo da saudade

que morre no teu ventre

inventa-se

a cada segundo que o tempo come,

 

a rua incendeia-se

e todos os mendigos... não mendigos

e toda a fome... não fome

apenas as palavras sobrevivem aos teus encantos

e lamentos...

apenas as sombras nocturnas do adeus

conseguem trepar o muro da agonia

e resta este pobre poema

que um dia...

que um dia ressuscitará

das cinzas

como cigarros sem alma.

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:31

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