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Cachimbo de Água

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Falso espelho

Francisco Luís Fontinha 31 Out 14

Olho-te como se fosses um falso espelho

semeado no centro da cidade

olho-te e no teu silêncio há um poema embrulhado em tristeza

sofres

sofres sem dizeres nada

olho-te e não sei a cor do teu sorriso

se tens dores

se...

se preferes sentir o mar

como fazíamos no Mussulo

davas-me a mão e eu sonhava...

hoje... hoje sentes a minha mão e tu constróis lágrimas em papel...

lá fora dança o vento e tu voas como voam os suspiros invisíveis

geme uma árvore

ouve-se o rosnar fervoroso dos automóveis embalsamados

ouvem-se as migalhas de dor correndo montanha abaixo...

lá fora as minhas veias são cinza de cigarro

após cigarro

olho-te... olho-te e não me canso de te olhar

como nunca me cansei dos teus lamentos

olho-te e percebo como eram lindas as sanzalas de Luanda...

e os barcos acorrentados a braços de gesso

sofres

sofres sem dizeres nada...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

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