Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

10
Dez 16

As tuas mãos cansadas

Poisadas no meu rosto agreste

Sentindo o vento imaginário

No meu peito o arado

Semeio as palavras do teu sorriso

E espero pelo regresso…

Das palavras envenenadas

Colho o silêncio verso

Quando o pôr-do-sol acorda sem perguntar

A idade do meu caminheiro…

E no mar

Sou o dono do teu sorriso

Quando invadem a cidade os guerreiros da alvorada

E da calçada

Os rochedos da inocência

Recheados

De alimento

Invento

Invento o beijo argamassado

No destino de criança

Abandonada à nascença…

Os livros que morrem

Sobre as minhas coxas desmedidas e sem sentimentos…

Amanhã nobres ventos

Se vão alicerçar na madrugada

Sem dares conta

Da minha presença

Sem perceberes a minha morada

As tuas mãos cansadas

Os meus dedos entrelaçados no abismo

Que a terra há-de comer

Depois da minha partida

As ruas sem saída

As ruas sem transeuntes enlatados

Pelos carros

Pelas pessoas

E pelos sonâmbulos sem-abrigo

O peso da morte

Quando desce as paredes da montanha proibida

O amigo

Correndo o rio dentro dos calções coloridos

E os teus olhos…

Em mim recolhidos.

 

 

Francisco Luís Fontinha

10/12/16

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:38

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Dezembro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
16
17

19
20
21
22
23
24

26
27
28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO