Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Jan 20

Durante a noite, sem horários dentro de mim, atravesso as portas enferrujadas do Inferno.

Visto-me de negro,

Assalto as janelas da escuridão,

Antes de acordar o Sol.

É tarde.

O sono brinca no silêncio das fechaduras da insónia,

Os primeiros transeuntes, também eles, vestidos de negro,

Avançam em minha direcção;

Tenho medo, mãe!

Não sei se vou acordar, hoje, porque sinto-me envergonhado, por estar vestido de negro.

As pirâmides, que assombram o meu pensamento, dançam sobre um rio desenhado na minha mão,

Trago as pedras, e sou capaz de apedrejar esta maldita solidão, que abraça os musseques da minha infância.

Uma multidão em revolta, vem para mim,

Não sou capaz de correr, saltar, descer os socalcos que me separam do dia;

Ai os dias, ai os dias!

São todos iguais.

São dias, pedacinhos de quadricula numa folha de papel, que alguém apelidou de calendário.

Andam rápido. Caminham como serpentes, quando o Sol aquece a presa, o manjar prometido por Deus.

Morre-se, morrer-me como quem fuma um cigarro envenenado pela tempestade,

No sacrifício dos dias.

Durante a noite, fumo.

Bebo pequenas gotículas do tão falado vénedo, mato os pássaros, e fica em mim a saudade,

Simplesmente, às vezes, entram em mim as carruagens que trazem os pequenos blocos de granito,

Folhas de silício, almofadas para uma noite doente, sempre que oiço os gonzos da madrugada.

Durmo.

Esqueço a saudade.

E, prometo acordar cedo.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

19/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:21

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