Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

16
Set 14

Os meus olhos são a prisão invisível do silêncio cinzento,

há no meu triste rosto uma pequenina lágrima de arsénio,

um composto,

submergido no desgosto,

que a tempestade transporta para o oceano de pedra,

os meus olhos são a alegria do pedinte decapitado...

homem iletrado,

que sofre com os solstícios envenenados,

uma parede se escreve,

e uma parede se desenha,

o papel angustiado das minhas palavras torna-se numa pesadíssima forca de luz,

e dos meus olhos... o silêncio cinzento,

e do meu corpo a sibilada melancolia,

o relógio um fantasma com braços de medo,

e eu, coitado, ao lado do pedinte decapitado...

manhã cedo,

o sorriso da morte que bate à porta de entrada do meu peito,

sem sorte, o pedinte decapitado sorri, o pedinte decapitado... dança na eira granítica da solidão,

os meus olhos sempre foram uma prisão,

com grades em pálpebras de azedume amanhecer,

nunca quis pertencer à madrugada,

nunca... nunca quis acordar e abrir a janela da saudade...

estes riscos e rabiscos sem nexo,

estas palavras decepcionadas, más, cansadas,

que a noite mistura na paleta do inferno,

os meus olhos são a prisão invisível da cidade adormecida,

uma cidade sem nome,

e... e esquecida,

uma borboleta que canta e nas horas vagas é pianista,

o pintor apaixona-se pela pianista,

e o pedinte decapitado...

sentado no telhado a construir barcos,

e não percebe que não existe mar...

e que o mar apenas vive nas telas do pintor...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:50

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