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Cachimbo de Água

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Palavras só minhas

Francisco Luís Fontinha 28 Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Um relógio de pulso abraçado à mágoa dor,

a derradeira espera quando tudo à sua volta parecia voar como lençóis de água-doce,

queixava-se dos cortinados,

da cor aberrantes das paredes do corredor...

queixava-se da ponte em aço quando balançava com os beijos deles,

entre bocas remexidas,

convexas medalhas de prazer nos lábios da solidão,

um...

um relógio em paixão,

voando e dançando e sonhando,

um... um relógio de pulso... pulando os xistos muros do prazer,

hoje... percebi o que são palavras amorfas, doentes, palavras... palavras só minhas,

 

(palavras apenas escritas no meu corpo... e lidas,

e lidas pela tempestade do medo...)

 

Um relógio de pulso à janela do cansaço,

ouvíamos o vento entranhar-se nos orifícios das folhas em granito,

às lápides...

… às lápides as eternas fotografias tuas...

e dançávamos debaixo dos coqueiros,

davas-me a mão,

levavas-me até ao mar...

ai... ai o mar,

o relógio que escondeste na mesinha-de-cabeceira,

os óculos mergulhados em finos vidros de infestadas pétalas de ouro amedrontado...

e dos teus livros... tenho o cheiro do silêncio embrulhado em sílabas pinceladas com pedaços de amor,

e... e um relógio de pulso abraçado à mágoa dor.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

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