Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

09
Mar 19

Hoje, Sábado, eu, não fiz nada,

Rigorosamente, nada.

Hoje, eu, Sábado, levantei-me às seis e trinta minutos,

Dei a injecção à minha mãe, depois, fumei dois cigarros virgens,

Completamente, virgens,

E, deitei-me.

Dormi.

Tomei banho. Fui tomar café, buscar as compras…, ir ao cemitério,

Hoje, eu, Sábado, não fiz nada,

Rigorosamente nada.

Almocei, tomei café, e voltei a adormecer…

Acordei, lanchei…

E escrevo estas palavras,

Hoje, eu, Sábado, não fiz nada,

Rigorosamente, nada.

Hoje, eu, Sábado, sinto na boca as palavras salgadas, tristes, distantes,

E, rigorosamente, nada.

Hoje, eu, Sábado, não fiz nada.

Os pássaros, os teus pássaros, todos estacionados nas tuas mãos de areia fina,

Branca, como a do Mussulo,

E, regressa a noite.

Pinta-se o dia de tristeza, não me ouve, ele, como sempre,

Rigorosamente, nada.

Nada.

Sábado, eu, hoje, acordei cedo, deitar-me-ei tarde e acordarei cedo,

Amanhã, Domingo, a voz enrouquecida pela tempestade,

E sinto o mar, dentro de casa, só, só, como eu,

Hoje.

Rigorosamente nada.

Ao final da tarde,

As palavras que há pouco experimentei, salgadas, tristes e sós…

Rigorosamente, nada,

Hoje.

Sábado.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 9/03/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:29

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