Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

15
Mar 15

Árvore

que cai no lamacento pavimento do sorriso

se deita

e fica

imóvel

tranquila

na árvore

a conquista não conquistada

o fervoroso sono da alquimia

o centro

o ponto imaginado pela mão do regresso

e fica

 

árvore

caída na circunferência do amor

e a paixão

imóvel

corre

corre...

porque a terra é um poço invisível

porque há nas palavras pequenos silêncios

a humidade

dos corpos

no chão

o cheiro

 

que parte

e não volta

o teu perfume secreto

nas pálpebras da manhã

e fica

árvore

sofrida

perdida nas pedras da calçada

desce e sobe

e senta-se...

no chão

dos narcisos em putrefacto esqueleto da escuridão nocturna...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:53

17
Ago 14

Há nesta árvore nua e ensonada,

uma vida sem alma,

um corpo fusco com odor a embriaguez,

há nesta árvore um sorriso,

uma varanda com fotografia para o mar,

o silêncio é contagioso,

doença que invade o alicerçado enforcado...

o homem que inventa tristezas,

o homem que escreve insónias,

há nesta árvore estórias,

madrugadas sem nome,

o homem...

o homem das asas negras,

esperando o regresso da jangada de granito,

ele não resiste,

e insiste...

desenhar na tempestade o infestado grito,

há...

há nesta árvore nua e ensonada,

um poeta em chamas..., um poeta que arde na fogueira...!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 17 de Agosto de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:29

25
Mai 12

ao longe

a eterna morte vestida de árvore

com pássaros azuis

e nuvens encarnadas

 

ao longe

a eterna morte na fogueira da literatura

com poemas de fogo

e palavras de néon

 

ao longe

a morte vestida de branco no espelho de árvore

com lápis de cor

com lábios cinzentos

 

ao longe

eu

eu vestido de morte

com um livro de poemas na mão...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:37

27
Jun 11

Os teus braços fraquejam

Vergam como os ramos de uma árvore

Mergulhados na tempestade,

E enquanto vergam

E não partem

Os teus braços suspensos no meu pescoço,

Um sorriso no teu rosto permanecerá

Vivo

No cansaço dos dias…

A tempestade cessa

E os teus ramos de árvore

Alicerçados no meu corpo junto ao mar,

 

E não me importo de esperar

E não me importo de te amar,

Porque enquanto fores árvore

Porque enquanto eu tiver forças para te segurar…

 

Os teus braços fraquejam

Vergam como os ramos de uma árvore,

 

Mas eu não os deixarei partir

 

Eu não os deixarei tombar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:08

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