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Cachimbo de Água

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Último poema

Francisco Luís Fontinha 29 Jul 11

Este é o último poema da minha vida

As finíssimas palavras em espera

Sobre a copa das árvores

Odeio-te diz-me o poema

E eu fico feliz ao perceber

Que o poema deixará de me pertencer,

 

As palavras morrem dentro de mim

Como as gaivotas quando as nuvens emergem na água

E um soslaio de energia mecânica adormece

Os êmbolos da tarde,

 

O papel emagrece e em sombras

Absorve as palavras que me odeiam…

 

Não sei se hoje é o meu último dia de vida

Mas tenho a certeza que este é o meu último poema,

Todos os outros são meus e pertencem-me…

Mas este deixará de ter vida

De ser meu

Este poema é um fantasma

O esqueleto que dentro de mim habita

E desfalece na claridade da manhã,

 

A janela da biblioteca encosta-se nos livros doentes

E cansados da minha presença…

E um finíssimos sorriso de pássaros

Plantam-se no meu quintal,

 

O poema funde-se no cansaço dos dias

E renasce na alvorada em cinzas

O meu corpo e o poema beijam-se…

E da janela olho um barco cansado que se afunda,

 

O mar engole-o

E mais tarde quando vem a noite

Eu e o poema à procura de abrigo

No fundo do mar…

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