Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Jul 14

Inventa-me,

desenha no meu corpo as línguas de fogo que os teus lábios libertam,

escreve-me, escreve em mim as palavras proibidas, as palavras falseadas,

invade-me,

faz de mim uma equação trigonométrica,

soma-me, divide-me… e multiplica-me,

mas… inventa-me,

no pecado mais secreto do teu olhar,

 

Inventa-me,

no silêncio das madrugadas,

inventa-me no espelho onde escondes o teu rosto…

quando poisa a noite sobre ti,

 

Inventa-me nas catacumbas da insónia,

faz de mim a sombra mais bela do amanhecer,

inventa-me,

como flor,

como abelha…

inventa-me e acolhe-me na tua colmeia,

que eu seja o mel dos teus sonhos,

que eu seja… a tua invenção,

 

Inventa-me,

faz de mim pássaro, barco… ou… ou avião,

não tenhas medo de me inventar,

não, não tenhas medo de me amar,

inventando-me,

escrevendo em mim os números primos, ímpares… ou… ou pares,

inventa-me,

inventa-me sem chorares!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:19

28
Abr 11

Corre-me nas veias o sorriso de uma abelha

Na manhã desgovernada

No silêncio

Das pétalas que brincam na areia dos teus olhos

 

E nas paredes do meu esqueleto

Os pássaros que poisam e me sujam de porcaria

Eu sonâmbulo quando a noite me vem buscar

 

Para passear nas sombras dos candeeiros em delírio

Arrumadinhos junto à tua mão

Apanhando as lágrimas da tarde

Quando os malmequeres em demandada

 

Correm para o mar…

Corre-me nas veias o sorriso de uma abelha

Na manhã desgovernada

Na manhã de tristeza.

 

 

Luís Fontinha

28 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:07

21
Abr 11

Em mim as tuas mãos de seda

Poisam no meu rosto em flor

As tuas mãos de abelha

No meu corpo em dor

 

Do meu corpo em silêncio

Despedido na madrugada

Em mim as tuas mãos de seda

Das tuas mãos de nada.

 

 

FLRF

21 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:57

24
Mar 11

Olho no espelho o meu rosto amargo

E tenho medo à minha imagem reflectida,

Sou perseguido pelas sombras da noite

Quando o meu quarto entra em transe

 

E vai esconder-se dentro do guarda-fatos minúsculo.

Se eu pudesse também me escondia

E ao lado da noite construía…

Nada.

 

Que posso eu construir

Quando na minha mão habita a miséria

E no meu cérebro vivem palavras que ninguém,

Ninguém, que ninguém compreende e critica,

 

Pensam que estou louco,

Doente,

Eu doente?

A minha doença chama-me fome…

 

Não aquela fome que o estômago compreende,

A minha doença chama-se fome de sofrer.

Olho no espelho o meu rosto amargo

E tenho medo à minha imagem reflectida;

 

E serei eu o que aparece no espelho?

E se eu for uma abelha

E o que aparece no espelho uma sombra?

E se a sombra for uma abelha

 

E eu o espelho onde habita o meu rosto?

E se abelha deixar de ter asas

E no meu rosto nascerem gaivotas?

Olho no espelho o meu rosto amargo

 

E percebo que hoje é um péssimo dia

Para adormecer…

Porque hoje o meu rosto não voa

Nas asas da abelha…

 

 

Luís Fontinha

24 de Março de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:21

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