Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

13
Mar 16

Recordo o sono levado nos teus braços

Quando a manhã terminava de acordar

Recordo o cansaço

E a sinfonia do Adeus

Que escondeste no mar…

Recordo-te sem me recordar

O teu nome

Recordo-me sem me recordar

O teu sorriso

Do amar

Do amor

Enraizado no esplendor altar

As abóbodas do silêncio

Quando prisioneiras dos teus lábios

E um pedacinho de Paz

Leva o teu corpo para o abismo

Entre rochedos de medo

E beijos de nada

Recordo

O sono

Levado

Os teus braços nas trincheiras amarguradas…

Sem tempo para me abraçar

Ou uma fingida despedida.

 

Francisco Luís Fontinha

domingo, 13 de Março de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:27

19
Out 15

(Liberdade para Luaty Beirão e seus companheiros)

 

O amor encastrado nos teus lábios,

Os olhos vomitando lágrimas nos rochedos cansados,

O triste olhar das madrugadas,

Que só as gaivotas conseguem perceber,

As tuas minhas palavras,

Sem vontade de as escrever,

Sentido,

Sonhando,

Não saber

Sabendo

Que o teu corpo mergulha na cânfora manha acorrentada,

Uma lápide,

Sem nome

Sem nada…

Não quero a textura do aço

Quando sou chamado à noite sem razão,

Grito,

Sofro,

E abraço

A ténue solidão…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:42

15
Jun 15

Sinto a poeira dos teus ossos

No meu cansaço,

Sinto a sombra da eira

Nos meus ombros pincelados de Primavera,

Sinto a noite geométrica da saudade

Nos versos tristes embainhados,

Os soldados,

Nunca desistem de lutar,

Mas o mar fica tão longe…

Mas o mar… mas o mar deixou de pertencer à cidade,

E a cidade,

Hoje… é um amontoado de rochedos ensanguentados…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:25

30
Nov 14

Sinto as tuas mãos

meu marinheiro iletrado

ensanguentadas

poisadas nos meus ombros de xisto

o rio se entranha nas minhas veias

no meu peito socalcos se embriagam

e sentem

o peso da despedida,

 

a lentidão da esperança

mergulhada no lixo poético do meu cansaço

e há mulheres tão lindas... esperando um abraço,

 

e há mulheres tão lindas... esperando um beijo

e sinto

as tuas mãos meu marinheiro iletrado

quando as candeias da saudade acordam

e fingem

que hoje é dia dos tentáculos de sal

das palavras enxertadas de insónia

e meu querido...

as minhas palavras são a febre que alimentam as hélices do corpo em cio

e do clitóris da estória...

sinto as tuas mãos...

meu querido!

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 30 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:05

04
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Rosa bravia como castelos de areia envenenados pela chuva da madrugada

silêncios de nada quando das mãos sobejam as porcelanas poéticas lágrimas nocturnas

rosa bravia como tu quando acorda a noite e dás-te conta que ficaste sentada

sobre uma cadeira imaginária

tempos infinitos

tempos... tempos sisudos,

 

Dizias-me que eras tua e que vivias no meu jardim

tínhamos um lago invisível com peixes de brincar

tínhamos flores, muitas flores...

mas rosas, como tu, nenhuma, nenhuma no meu jardim

construído apenas para te acolher

e embrulhar-te num lençol de água doce,

 

Despias-te

e brincava com as tuas pétalas de vinil voando sobre as melancólicas avenidas

que uma cidade louca

(louco és tu, talvez o penses em baixinha voz)

que uma cidade louca inventava para nós

e ias à janela do Adeus e lembravas-te da saudade e dos amigos loucos poetas,

 

Rosa bravia tu

comestível e amarfanhada entre os dedos da paixão

aos sons melódicos da tua respiração

ouvia-te os sussurros de mim

atirando-me as palavras sisudas

que as abelhas em cio deixavam sobre a tua pauta poeirenta e adormecida pelo cansaço de ti...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:21

07
Out 12

Não haverá abraços de Primavera

e beijos da Lua

papeis submersos na claridade da insónia

e lábios

de luz

da Lua quando a noite cai sobre a cidade das amoreiras

com imensas ruas de acácias

e janelas de porcelana

 

não haverá abraços

e beijos da Lua

tua boca adormecida

 

e eu cambaleio dentro do silêncio do desejo

 

não

não haverá abraços

e beijos da Lua

e eu

e eu canso-me de procurar a sombra lilás dos teus seios

que o rio evapora ao pequeno-almoço

 

e eu cambaleio dentro do silêncio do desejo.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:57

06
Jun 12

O espesso cansaço

que desperta nas cores de uma tela

a infinita despedida

sem apreço

nem abraço

o espesso cansaço

na hora da partida

no interior de um janela

 

o espesso cansaço

no espelho magoado

à imponente despedida

 

o espesso embriagado

cansaço enforcado

numa rua sem saída.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 14:11

13
Abr 12

Abraço

Ao mar abraçado

À noite cansada

No meu corpo deitado

Coitado

Eu… à procura da madrugada

Com tudo e sem nada

Finjo adormecer

Invento manhãs no meu jardim

Coitado

Com tudo e sem nada

Triste triste assim-assim…

Viver

Assim-assim

Encostado às árvores dormentes

Que mastigam nuvens de algodão

Sem dentes

Sem coração

Abraço

Sem braço

Ao mar abraçado

À noite cansada

Num barco embriagado

Abraço

Sem braço

Coitado

Com tudo e sem nada

Em círculos na calçada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:18

24
Mar 12

(Às árvores tombadas sobre a finíssima poeira da noite)

 

Abraças-me

Abraças-me como se eu fosse um fio de luz

Suspenso nas madrugadas de insónia

Quando todos…

Quando todos os livros dormem nos lábios da lua

E a cidade se extingue junto ao cais

 

(Queria ser um livro de poesia

Ou simplesmente um fio de luz

Também gostava de ser uma janela com vista para o mar…)

 

Abraças-me

Abraças-me na canseira da noite

Dentro dos bibelôs poisados sobre a sombra do teu sorriso

E vejo a cidade

Que lentamente se alimenta da minha solidão

E o meu corpo transforma-se em rosas

E embrulhado em beijos

Começo a descer até ao estômago da cidade

 

(Queria ser um livro de poesia

Ou simplesmente um fio de luz

Também gostava de ser uma janela com vista para o mar…)

 

Abraças-me

Abraças-me como se eu fosse um fio de luz

No deleite dos teus seios

Que brincam nas mãos da cidade

 

Abraças-me.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:26

08
Mar 12

Vêm até mim

As silabas as vogais e as tristezas da noite

Embrulhadas nas palavras adormecidas

Vêm até mim

As gaivotas sem sorriso

Sem asas

Sem sonhos de caminhar sobre a areia molhada da tarde

Sento-me e finjo-me de morto

Não respiro

Não sonho

E sei que à minha volta gotas de silício se desprendem das árvores

E todas as folhas

E todos os ramos

Vêm até mim

E me abraçam

E me levam para o infinito

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:23

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