Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

30
Mai 15

Este sítio está morto

E mortas se sentem as minhas palavras

Este sítio deserto

Amargo

Incerto

Está morto

Cansado

Este sítio está morto

Este sítio é um rochedo de insónia

Estampado no rosto do amanhecer

Este livro

Este sítio

 

Mortos

Mortas

Incertas

Certas

Certas noites me ignora

Certas noites

Não muitas

Chora…

 

Este sítio em constante sofrer

Quando o corpo range como os gonzos da madrugada

Não há sorrisos

Não há gestos

Certos

Incertos

Sítios

Mortos

Vivos

Homens

Esqueletos

De vidro

 

E se partem

E se partem

Todos os sítios mortos

Não mortos

E vivos…

 

Vivos

Mortos-vivos

 

E sítios… sítios amargurados.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 30 de Maio de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:32

24
Mar 14

Verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,

cintilantes madrugadas com sabor a desejo,

vagabundas manhãs infestadas de corações de mel,

viajo dentro de ti como os pássaros quando regressa a chuva miudinha,

verdes cansados beijos,

verdes lábios,

… boca dispersa na Primavera das flores campestres,

verdes olhos, verdes... verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,

viajante solitário procurando abrigo, e um abraço se levanta do chão,

e dou-me conta que é noite,

cortinados cerrados...

e da tua janela... e da tua janela apenas uma sombra de silêncio.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 24 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:14

03
Jun 11

Encantam-me os desencantos da manhã

O abrir da janela e ao fundo da rua

O mar

A manhã despida nua

 

E na espuma da ondas

O silêncio de estar sentado

O desencanto das ruas em construção

A sombra que me aperta o peito amargurado

 

Um peso de escuridão

Dentro do meu corpo suspenso num baloiço

O meu corpo tocado pelo vento

O meu corpo um coração que já não oiço

 

Ferido velho espetado num sorriso de mendigo

E da manhã vejo crescer a tempestade

As nuvens que se deitam na minha boca

A manhã em desencanto sem vaidade

 

A manhã ao fundo da rua

E num candeeiro uma sombra de luz emagrecida

Esqueletos da noite

Esqueletos sem vida.

 

 

Luís Fontinha

3 de Junho de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:48

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